Um vídeo circula nas redes sociais com imagens do momento em que um grupo de manifestantes, liderado pelo vereador de Curitiba Renato Freitas, do Partido dos Trabalhadores (PT), invade a Igreja do Rosário, no Largo da Ordem, neste domingo (6).
O grupo participava de uma manifestação para pedir justiça pela morte do congolês, Moïse Mugenyi Kabagambe, na cidade do Rio de Janeiro por três homens. Durante a invasão, os manifestantes gritavam a palavra ‘racista’.
A Banda B procurou a assessoria do vereador petista, na manhã desta segunda-feira (7). No final da manhã, uma nota foi enviada à redação explicando o ato e alegando que “Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil”. (Leia a nota na íntegra abaixo).
Nas redes de Freitas, um texto foi colocado para justificar a manifestação: “Ato contra o racismo e toda a forma de violência, hoje no Largo da Ordem. Pelas vidas de Moïse Mugenyi e Durval Teófilo Filho! Dois homens negros brutalmente assassinados no Brasil”.
O vereador Eder Borges (PSD) gravou um vídeo para as redes sociais em que promete representar contra o petista na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, nesta segunda-feira (7).
“Um bando de marginal liderado por um vereado do PT de Curitiba invadiu a missa da igreja do Rosário . Nos próximos dias, vou falar mais no plenário e nesta segunda-feira vou entrar com uma representação no Conselho de Ética contra este moleque porque escarnecer a fé não vou aceitar”, disse o vereador do PSD.
Nota do vereador Freitas
“Na tarde do último sábado (5), nos reunimos no Largo da Ordem, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em um ato organizado pelo Coletivo Núcleo Periférico, contra o racismo, a xenofobia e pela valorização da vida.
O local do ato foi escolhido por sua relação histórica com a população negra curitibana. A Igreja, inaugurada em 1737, foi construída por e para pessoas escravizadas, uma vez que negros e negras não poderiam entrar em outras igrejas de nossa cidade.
A manifestação foi realizada em memória e por justiça para Moïse Kabagambe (24) e Durval Teófilo Filho (38), dois homens negros brutalmente assassinados nos últimos dias. O ato contou com a participação de representantes do movimento negro, movimento de mulheres e diversos imigrantes que residem em Curitiba e relataram violências racistas nesta cidade.
Durante o ato, um diácono responsável pela igreja, solicitou que os manifestantes fossem para outro local, sob a justificativa de que o ato não deveria coincidir com a saída dos religiosos da missa que havia se encerrado.
Como parte simbólica da manifestação, entramos juntos na Igreja que estava vazia, de forma pacífica, relembrando que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida.
Pacificamente, assim como entramos na igreja, saímos e seguimos com a manifestação, reivindicando políticas públicas para imigrantes e de combate ao racismo na cidade.
Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil.“, diz a nota.
Vice-presidente do Conselho de Ética critica invasão de igreja e diz que vai representar contra dois vereadores do PT
O vereador Eder Borges (PSD), que é vice-presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, disse à Banda B na manhã desta segunda-feira (7), que vai entrar com uma representação contra o vereador Renato Freitas e também contra a vereadora Carol Dartora, ambos do PT.
O motivo, segundo ele, é a invasão da Igreja do Rosário, neste domingo, por manifestantes durante protesto contra o racismo. Imagens que circulam nas redes sociais mostram manifestantes invadindo a igreja gritando palavras de ordem.
“Comecei a receber imagens do grupo invadindo a igreja pra fazer algazarra. São marginais e isso não pode ser aceito. A princípio, tinha visto apenas o vereador Renato Freitas do PT, mas recebi imagens também da vereadora Carol Dartora, também do PT. Vou representar contra os dois no Conselho de Ética”,afirmou o vereador.
Nas imagens que a Banda B teve acesso, não é possível ver a vereadora Carol Dartora participando da invasão da igreja. Nas redes sociais da parlamentar há imagens dela discursando e pedindo justiça pela morte do congolês, Moïse Mugenyi Kabagambe, espancado por três homens em um quiosque do Rio de Janeiro.
Em nota, a assessoria da vereadora Dartora disse que ela não se manifestou dentro da igreja.
“Essa declaração do vereador Eder Borges de que a vereadora Carol teria se manifestado dentro da igreja é mentirosa”
E ela completa:
“É uma estratégia politiqueira do vereador de envolver pessoas que não tiveram qualquer participação no ocorrido. A vereadora Carol não entrou na igreja, não participou da organização do ato e também não fez convite em suas redes para a participação do ato. A única participação da Carol foi fora da igreja, onde ela permaneceu do início ao fim do ato.”, disse a assessoria.
Num primeiro contato com a assessoria do vereador petista, a informação é de que não houve invasão pela igreja ser um local público. Borges rebate:

“Mesmo que seja um local público, não se pode dilipendiar a fé. Nas imagens, era difícil ouvir o que eles falavam, mas dava para compreender que estavam atacando a Igreja Católica. Tem uma imagem que mostra uma senhora que estava ali só pra rezar quando entra um bando de marginais vilipendidando a fé. Isso dá até prisão. É muito grave”, completou Borges.
Nota do vereador Renato Freitas*

“Na tarde do último sábado (5), nos reunimos no Largo da Ordem, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em um ato organizado pelo Coletivo Núcleo Periférico, contra o racismo, a xenofobia e pela valorização da vida.
O local do ato foi escolhido por sua relação histórica com a população negra curitibana. A Igreja, inaugurada em 1737, foi construída por e para pessoas escravizadas, uma vez que negros e negras não poderiam entrar em outras igrejas de nossa cidade.
A manifestação foi realizada em memória e por justiça para Moïse Kabagambe (24) e Durval Teófilo Filho (38), dois homens negros brutalmente assassinados nos últimos dias. O ato contou com a participação de representantes do movimento negro, movimento de mulheres e diversos imigrantes que residem em Curitiba e relataram violências racistas nesta cidade.
Durante o ato, um diácono responsável pela igreja, solicitou que os manifestantes fossem para outro local, sob a justificativa de que o ato não deveria coincidir com a saída dos religiosos da missa que havia se encerrado.
Como parte simbólica da manifestação, entramos juntos na Igreja que estava vazia, de forma pacífica, relembrando que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida.
Pacificamente, assim como entramos na igreja, saímos e seguimos com a manifestação, reivindicando políticas públicas para imigrantes e de combate ao racismo na cidade.
Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil.“, diz a nota.
Vereador já foi preso
Em junho de 2021, o vereador Renato Freitas foi preso pela Polícia Militar (PM), ao questionar a abordagem feita em uma praça de Curitiba. Ele foi detido ao defender um homem que havia sido preso por perturbação do sossego. A alegação foi que que o vereador teria atrapalhado o “procedimento da polícia”.
No mês seguinte, Freitas também foi preso, desta vez pela Guarda Municipal, acusado de agredir uma pessoa durante uma manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro.
O espaço segue aberto para a manifestação do vereador Renato Freitas.


