terça-feira, 22 setembro 2026
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Vereador do PT de Curitiba lidera invasão de igreja para protestar contra racismo; veja o vídeo

Vereador do PT de Curitiba lidera invasão de igreja para protestar contra racismo; veja o vídeo

Vice-presidente do Conselho de Ética critica invasão de igreja e diz que vai representar contra dois vereadores do PT

Um vídeo circula nas redes sociais com imagens do momento em que um grupo de manifestantes, liderado pelo vereador de Curitiba Renato Freitas, do Partido dos Trabalhadores (PT), invade a Igreja do Rosário, no Largo da Ordem, neste domingo (6).

O grupo participava de uma manifestação para pedir justiça pela morte do congolês, Moïse Mugenyi Kabagambe, na cidade do Rio de Janeiro por três homens. Durante a invasão, os manifestantes gritavam a palavra ‘racista’.

A Banda B procurou a assessoria do vereador petista, na manhã desta segunda-feira (7). No final da manhã, uma nota foi enviada à redação explicando o ato e alegando que “Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil”. (Leia a nota na íntegra abaixo).

Nas redes de Freitas, um texto foi colocado para justificar a manifestação: “Ato contra o racismo e toda a forma de violência, hoje no Largo da Ordem. Pelas vidas de Moïse Mugenyi e Durval Teófilo Filho! Dois homens negros brutalmente assassinados no Brasil”.

O vereador Eder Borges (PSD) gravou um vídeo para as redes sociais em que promete representar contra o petista na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, nesta segunda-feira (7).

“Um bando de marginal liderado por um vereado do PT de Curitiba invadiu a missa da igreja do Rosário . Nos próximos dias, vou falar mais no plenário e nesta segunda-feira vou entrar com uma representação no Conselho de Ética contra este moleque porque escarnecer a fé não vou aceitar”, disse o vereador do PSD.

Nota do vereador Freitas

Na tarde do último sábado (5), nos reunimos no Largo da Ordem, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em um ato organizado pelo Coletivo Núcleo Periférico, contra o racismo, a xenofobia e pela valorização da vida.

O local do ato foi escolhido por sua relação histórica com a população negra curitibana. A Igreja, inaugurada em 1737, foi construída por e para pessoas escravizadas, uma vez que negros e negras não poderiam entrar em outras igrejas de nossa cidade.

A manifestação foi realizada em memória e por justiça para Moïse Kabagambe (24) e Durval Teófilo Filho (38), dois homens negros brutalmente assassinados nos últimos dias. O ato contou com a participação de representantes do movimento negro, movimento de mulheres e diversos imigrantes que residem em Curitiba e relataram violências racistas nesta cidade.

Durante o ato, um diácono responsável pela igreja, solicitou que os manifestantes fossem para outro local, sob a justificativa de que o ato não deveria coincidir com a saída dos religiosos da missa que havia se encerrado.

Como parte simbólica da manifestação, entramos juntos na Igreja que estava vazia, de forma pacífica, relembrando que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida.

Pacificamente, assim como entramos na igreja, saímos e seguimos com a manifestação, reivindicando políticas públicas para imigrantes e de combate ao racismo na cidade.

Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil.“, diz a nota.

Vice-presidente do Conselho de Ética critica invasão de igreja e diz que vai representar contra dois vereadores do PT

O vereador Eder Borges (PSD), que é vice-presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Curitiba, disse à Banda B na manhã desta segunda-feira (7), que vai entrar com uma representação contra o vereador Renato Freitas e também contra a vereadora Carol Dartora, ambos do PT.

O motivo, segundo ele, é a invasão da Igreja do Rosário, neste domingo, por manifestantes durante protesto contra o racismo. Imagens que circulam nas redes sociais mostram manifestantes invadindo a igreja gritando palavras de ordem.

“Comecei a receber imagens do grupo invadindo a igreja pra fazer algazarra. São marginais e isso não pode ser aceito. A princípio, tinha visto apenas o vereador Renato Freitas do PT, mas recebi imagens também da vereadora Carol Dartora, também do PT. Vou representar contra os dois no Conselho de Ética”,afirmou o vereador.

Nas imagens que a Banda B teve acesso, não é possível ver a vereadora Carol Dartora participando da invasão da igreja. Nas redes sociais da parlamentar há imagens dela discursando e pedindo justiça pela morte do congolês, Moïse Mugenyi Kabagambe, espancado por três homens em um quiosque do Rio de Janeiro.

Em nota, a assessoria da vereadora Dartora disse que ela não se manifestou dentro da igreja.

“Essa declaração do vereador Eder Borges de que a vereadora Carol teria se manifestado dentro da igreja é mentirosa”

E ela completa:

“É uma estratégia politiqueira do vereador de envolver pessoas que não tiveram qualquer participação no ocorrido. A vereadora Carol não entrou na igreja, não participou da organização do ato e também não fez convite em suas redes para a participação do ato. A única participação da Carol foi fora da igreja, onde ela permaneceu do início ao fim do ato.”, disse a assessoria.

Num primeiro contato com a assessoria do vereador petista, a informação é de que não houve invasão pela igreja ser um local público. Borges rebate:

eder borges
Vereador Eder Borges publicou um vídeo criticando a invasão

 

“Mesmo que seja um local público, não se pode dilipendiar a fé. Nas imagens, era difícil ouvir o que eles falavam, mas dava para compreender que estavam atacando a Igreja Católica. Tem uma imagem que mostra uma senhora que estava ali só pra rezar quando entra um bando de marginais vilipendidando a fé. Isso dá até prisão. É muito grave”, completou Borges.

Nota do vereador Renato Freitas*

vereador ptpr
Vereador Renato Freitas durante a manifestação no Largo da Ordem – Reprodução Instagram

Na tarde do último sábado (5), nos reunimos no Largo da Ordem, em frente a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos de São Benedito, em um ato organizado pelo Coletivo Núcleo Periférico, contra o racismo, a xenofobia e pela valorização da vida.

O local do ato foi escolhido por sua relação histórica com a população negra curitibana. A Igreja, inaugurada em 1737, foi construída por e para pessoas escravizadas, uma vez que negros e negras não poderiam entrar em outras igrejas de nossa cidade.

A manifestação foi realizada em memória e por justiça para Moïse Kabagambe (24) e Durval Teófilo Filho (38), dois homens negros brutalmente assassinados nos últimos dias. O ato contou com a participação de representantes do movimento negro, movimento de mulheres e diversos imigrantes que residem em Curitiba e relataram violências racistas nesta cidade.

Durante o ato, um diácono responsável pela igreja, solicitou que os manifestantes fossem para outro local, sob a justificativa de que o ato não deveria coincidir com a saída dos religiosos da missa que havia se encerrado.

Como parte simbólica da manifestação, entramos juntos na Igreja que estava vazia, de forma pacífica, relembrando que nenhum preceito religioso supera o amor e a valorização da vida.

Pacificamente, assim como entramos na igreja, saímos e seguimos com a manifestação, reivindicando políticas públicas para imigrantes e de combate ao racismo na cidade.

Nos surpreende perceber que exaltar o amor e a valorização da vida em uma igreja causa mais indignação que o assassinato brutal de dois seres humanos negros no Brasil.“, diz a nota.

Vereador já foi preso

Em junho de 2021, o vereador Renato Freitas foi preso pela Polícia Militar (PM), ao questionar a abordagem feita em uma praça de Curitiba. Ele foi detido ao defender um homem que havia sido preso por perturbação do sossego. A alegação foi que que o vereador teria atrapalhado o “procedimento da polícia”.

No mês seguinte, Freitas também foi preso, desta vez pela Guarda Municipal, acusado de agredir uma pessoa durante uma manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro.

O espaço segue aberto para a manifestação do vereador Renato Freitas.

 



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