sábado, 19 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Ricardo Arruda denuncia deputado petista por racismo no Conselho de Ética da Assembleia do PR

Ricardo Arruda denuncia deputado petista por racismo no Conselho de Ética da Assembleia do PR

Declarações se referindo à cor da pele de Ministro do Supremo Tribunal Federal levou parlamentares a lavrarem a denúncia

O deputado estadual Ricardo Arruda oficializou ao conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná, uma representação contra o deputado estadual petista Renato Freitas.

A denúncia foi feita em virtude das declarações do petista, durante o evento “I Encontro de Enfrentamento à Violência Policial do Paraná – Quem nos cuida da Polícia?”, realizado na Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) no último 26 de agosto.

Segundo Arruda, na ocasião, o ‘colega’ parlamentar teria ofendido o Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, em referência à decisão do ministro em militarizar as Guardas municipais em todo o páis.

“É homem, branco, rico e privilegiado, que tem no seu círculo de sociabilidade apenas pessoas como ele e, portanto, não sabe os efeitos concretos de uma decisão, como a que ele deu, de militarizar a Guarda Municipal, colocar ela como uma força de segurança pública aos moldes da polícia militar, a ponto de dar autorização pra que ela faça ronda ostensiva”. Estas teriam sido as palavras do parlamentar petista, durante o evento acima citado.

Quebra de decoro

De acordo com Arruda, a conduta e as falas de Freitas conflitam com o decoro esperado de um representante da população. “Ao assim agir, Renato de Almeida Freitas Júnior teria incorrido, em tese, na prática do crime de injúria racial, capitulado no Artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, contra um Ministro do Supremo Tribunal Federal”, salienta Ricardo Arruda.
Injúria

Na mesma denúncia, Arruda aponta que Freitas teria cometido a prática de crime de injúria racial. “A sentença por sua natureza, injuriou a pessoa de Cristiano Zanin, ofendendo sua dignidade ou decoro, em razão da cor de pele branca, ao afirmar que o Ministro é ‘homem, branco, rico e privilegiado’”, ressalta o denunciante.

Arruda ainda ressalta que Freitas teria repetido o ato, ao repetir a fala no dia 28 de agosto de 2023, quando participou de um debate no Programa de TV “Rivaroli na Band”.
Racial

O denunciante reforça também que o petista teria ofendido Zanin em razão da cor da sua pele, como se o fato de o Ministro ser “branco” fosse uma característica depreciativa, o que não pode ser admitido ou tolerado, até mesmo para evitar que a conduta apontada se “normalize” e possa vir a ser utilizada contra outras pessoas.

“O comportamento do representado se amolda, em tese, ao tipo penal descrito no Artigo 2º-A da Lei nº 7.716/1989, o qual prevê como criminosa a conduta de injuriar alguém, ofendendo sua dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional, estabelecendo pena de reclusão, de 2 a 5 anos, e multa.

Racismo

Arruda ainda reforça que a Lei 14.532/2023, afirma que a prática de injúria racial passou a ser expressamente uma modalidade do crime de racismo, recebendo tratamento de acordo com o previsto na Lei 7.716/1989, bem como passou a ser tratada como figura típica que se apura mediante ação penal pública incondicionada.

Por isso Arruda lavrou a representação para que seja aplicado o Artigo 280 do Regimento Interno da ALEP, merecendo que sejam devidamente analisadas perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, haja vista que casos fáticos são causas de instauração de processo disciplinar.

O artigo citado pelo parlamentar diz o seguinte: “O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar instaurará processo disciplinar para investigar e atribuir a penalidade competente ao Deputado que incidir nas condutas constantes nos incisos IX a XIII do art. 271 deste Regimento, que diz: Consideram-se incompatíveis com a ética e o decoro parlamentar: (…) XIII – a prática de crime ou contravenção penal”.

(legenda para a foto – Deputado petista, Renato Freitas é denunciado no Conselho de Ética em que faz parte na Assembleia Legislativa)

Renato na Ética

É importante ressalta que o parlamentar petista Renato Freitas denunciado é um dos integrantes do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), bem como os deputados Delegado Jacovós (PL) – presidente; Tercilio Turini (PSD), Matheus Vermelho (PP) e do Carmo (União) como integrantes titulares.

Os suplentes também anunciados são deputados Evandro Araújo (PSD), deputada Ana Julia (PT), deputado Paulo Gomes (PP), restando o União Brasil ainda indicar o suplente.
O Conselho de Ética foi instaurado em março deste ano na Alep pelo presidente da Casa, deputado Ademar Traiano (PSD).



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