Policiais de Umuarama e de Icaraíma ainda ‘quebram a cabeça’ na tentativa de solucionar o desaparecimento de três amigos que vieram para o Paraná, depois que saíram do interior do Estado de São Paulo para cobrar uma dívida de R$ 255 mil.
Eles foram contratados por Alencar Gonçalves de Souza, que também está desaparecido, para fazer a cobrança do débito, relativo a uma transação envolvendo uma propriedade rural. A polícia trabalha com a hipótese de que os devedores tenham matado os quatro. Segundo o delegado chefe da 7ª SDP, Gabriel Meneses, a hipótese de um sequestro não foi descartada, mas o que mais contunde a investigação é a possibilidade de homicídio.

Linha do tempo
Diego Henrique Afonso, Robishley Hirnani de Oliveira e Rafael Juliano Marascalchi trabalhavam há mais de uma década fazendo cobranças de dívidas. Ao serem contratados por Alencar, chegaram em Icaraíma na segunda-feira (4). A intenção era cobrar o valor do terreno vendido a um dos integrantes da família Buscariollo, que possui um pesqueiro no distrito de Vila Rica.
Última localização
O trio foi então até uma residência na cidade de Icaraíma, onde Robishley – em conversa com um amigo que estava no Estado de São Paulo, negociava a compra e venda de um veículo. Robishley enviou a localização ao amigo, para dizer que estava fora do Estado e não poderia ver o carro naquela ocasião. O ponto exato ficou registrado e já foi entregue repassado à Polícia Civil de Umuarama.

O dia seguinte
Como não conseguiram encerrar as negociações naquela segunda-feira, no dia seguinte, o trio, acompanhado de Alencar, foi até o pesqueiro Buscariollo na intenção de dar continuidade à cobrança, mas, desde então, perderam contato com os familiares.
Polícia no caso
Com o registro do desaparecimento feito pelas esposas de Robishley e Rafael, policiais civis de Umuarama e de Icaraíma, começaram a investigar o caso, e chegaram até a propriedade de Antonio Buscariollo. Ele e o filho, Carlos Eduardo Buscariollo. Os dois foram levados à delegacia, foram ouvidos e qualificados, segundo o delegado, como a Polícia Civil ainda não tinha conhecimento exato dos detalhes a respeito da cobrança, liberou pai e filho.
Com informações chegando e sendo averiguadas, a Polícia Civil retornou ao pesqueiro, mas não encontrou os dois suspeitos e ainda descobriu que outros integrantes da família Buscariollo, que moram naquela mesma comunidade, também não estavam mais por lá. Assim, passou a considerá-los foragidos, inclusive como mandados de prisão temporária já expedidos pela Justiça.

Bang Bang
Outras informações que também chegaram à Polícia Civil, através dos familiares dos desaparecidos, davam conta de que eles teriam se envolvido em uma troca de tiros entre a terça (5) e quarta-feira (6), na região. Segundo o delegado de Umuarama, foram várias informações ‘truncadas’ que davam conta de que o tiroteio teria sido em Icaraíma, mas depois de que os disparos ouvidos foram em Vila Rica, e em uma propriedade rural.
Os áudios
Em alguns áudios enviados para alguns parentes de Buscariollo – aparentemente para a esposa de Antonio e para um dos filhos dele, um amigo dos cobradores chega a pedir para que eles libertem os cobradores, se acaso eles estivessem mantidos em cárcere. Nas duas conversas, o amigo dos desaparecidos chega a dizer que a polícia não pode entrar no caso e tenta resolver tudo antes de uma intervenção investigativa.
Mensagens
Prints de mensagens encaminhadas às esposas dos desaparecidos também apontavam que eles poderiam ter sido vítimas de um sequestro, ou que até teriam sido assassinados. Insinuavam ainda que aquela região é comandada pelo crime organizado.
As buscas
Assim que a polícia identificou que provavelmente os quatro desaparecidos poderiam ter sido vítimas de homicídio, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas e deram início às buscas pela mata, pelos rios da região e até pelo ar. Por isso um helicóptero foi usado e equipamentos especiais, como sonar do grupo GOST que veio de Curitiba para atuar na procura. Os corpos e nem mesmo o carro (Fiat Toro de cor branca), foram encontrados.
A coletiva
O delegado chefe de Umuarama concedeu uma entrevista coletiva à imprensa na semana passada, a fim de tentar esclarecer o andamento dos trabalhos e citou detalhes sobre os resultados das buscas, apontando a suspensão delas. Ele afirmou que a investigação busca identificar pontos estratégicos para que possa reativar as equipes para uma nova procura na região.
As esposas
Uma semana depois do desaparecimento e sem praticamente nenhuma informação considerada ‘plausível’ sobre as investigações, as esposas de dois dos desaparecidos (Robishley e Rafael), vieram ao interior do Paraná. Elas passam os dias entre Umuarama e Icaraíma, buscando descobrir o paradeiro dos maridos. Contrataram uma advogada para que pudessem ter acesso aos documentos do inquérito em andamento a fim de entender o andamento dos trabalhos da polícia.
Fake News
No último final de semana, algumas imagens foram divulgadas em redes sociais, mostrando dois corpos boiando em um rio e sendo encontrados por pescadores. Sobre tais imagens, algumas pessoas garantiam que se tratavam os homens desaparecidos em Icaraíma, mas depois o caso foi desmentido e apontado como Fake News, pois tratava-se de uma chacina na região norte do país.









