quarta-feira, 14 outubro 2026
UMUARAMA/PR

Liberação de motorista preso com 300 kg de drogas gera polêmica em Pato Branco

Liberação de motorista preso com 300 kg de drogas gera polêmica em Pato Branco

Delegado de plantão não ratifica flagrante da PRF, e decisão provoca indignação; PC abre inquérito para seguir investigação

Uma das maiores apreensões de drogas já registradas na região de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, terminou com uma decisão controversa: o motorista flagrado com mais de 308 quilos de maconha e 3,6 quilos de haxixe foi liberado ainda na delegacia, por decisão do delegado de plantão da Central Regional de Flagrantes. O caso gerou forte repercussão e levantou questionamentos sobre os critérios utilizados para a soltura.

A apreensão foi feita pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na tarde da última sexta-feira (15), durante fiscalização na rodovia BR-158.

Ao abordar um veículo, os agentes encontraram grande quantidade de drogas escondidas no porta-malas e no assoalho. Segundo a PRF, o entorpecente vinha da fronteira e teria como destino Curitiba.

O condutor foi preso em flagrante e levado à 5ª Subdivisão Policial de Pato Branco para os procedimentos legais. No entanto, o delegado de plantão não ratificou a prisão, argumentando que a abordagem da PRF seria ilegal, por ter ocorrido durante fiscalização de trânsito – e não especificamente de combate ao tráfico. A fundamentação usada pelo delegado teria como base uma súmula do STJ, segundo ele.

A decisão gerou indignação entre agentes da segurança e na comunidade. Juristas ouvidos pela imprensa local apontam que a PRF tem prerrogativas constitucionais para realizar abordagens em rodovias federais, especialmente em casos de fundada suspeita de crime – como tráfico de drogas, considerado inafiançável.

O delegado-chefe da 5ª SDP, Dr. Helder Lauria, explicou que o profissional que liberou o suspeito atua em outra cidade da Central Regional de Flagrantes, que abrange várias regiões, como Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul. Ele destacou que cerca de 30 delegados se revezam na escala de plantão, e que a decisão de não manter a prisão não representa o entendimento da delegacia local.

Lauria confirmou que um inquérito foi instaurado para dar sequência à apuração dos fatos. “O caso não foi arquivado, e o processo agora está sob nossa responsabilidade. A investigação vai continuar, com possibilidade de indiciamento do condutor”, afirmou.

O episódio reacende o debate sobre interpretações legais conflitantes e reforça a cobrança por maior alinhamento entre os órgãos de segurança e justiça, especialmente em casos de grande impacto regional.



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