quinta-feira, 12 março 2026
UMUARAMA/PR

EXCLUSIVO: Ortopedista investigado pelo Gaeco usava hospital apenas como estacionamento

EXCLUSIVO: Ortopedista investigado pelo Gaeco usava hospital apenas como estacionamento

Saiba quem é o médico investigado na Operação Fratura Exposta e os detalhes do monitoramento feito pelo Grupo de Combate à Corrupção

O Portal Umuarama News teve acesso com exclusividade, aos detalhes da investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná – sob o comando do promotor de Justiça Guilherme Franchi da Silva –, a respeito da deflagração da investigação contra o ortopedista Maxsuel Fidelis de Pádua Almeida. O médico é suspeito de desviar recursos públicos e cometer falsidade ideológica no exercício da função pública no Hospital Norospar, instituição que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Umuarama.

A investigação gerou a Operação Fratura Exposta, desenvolvida no início desta semana, quando foram cumpridos mandados de busca no Norospar, em uma clínica nas proximidades do hospital e na residência do ortopedista investigado.

Fora do SUS

DR MAXSUEL
Arquivo – Portal Umuarama News

Com base nos elementos reunidos, o Poder Judiciário deferiu medidas cautelares contra o médico, incluindo a suspensão do exercício da função pública junto ao SUS. O Hospital Norospar, onde os supostos crimes ocorreram, é mantido pela Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná, uma organização civil sem fins lucrativos, de natureza privada, mas que atua na prestação de serviços públicos de saúde.

Por atender pelo SUS, a Norospar recebe recursos públicos e, portanto, está sujeita à fiscalização e controle por órgãos como o Ministério Público.

Denúncia

A investigação foi iniciada depois que a promotoria recebeu uma denúncia anônima, relatando que o médico Maxsuel Fidelis não estaria cumprindo sua carga de trabalho no SUS. Segundo a acusação, ele delegava a realização de cirurgias a médicos residentes, quando esses procedimentos deveriam ser realizados por ele, como responsável técnico.

Enquanto os residentes operavam, o médico estaria atendendo pacientes particulares em sua clínica privada, localizada nas proximidades do hospital.

“Seguindo os passos”

Após o recebimento da denúncia, o Gaeco deu início a um monitoramento discreto, acompanhando e seguindo a rotina do médico nos dias em que havia cirurgias agendadas no SUS.

Em três ocasiões distintas, entre junho e agosto de 2025, os agentes observaram um padrão na movimentação de Maxsuel, que chegava ao Norospar apenas para estacionar seu carro.

Em seguida, se dirigia a pé até sua clínica particular (situada a cerca de 70 metros do hospital), onde permanecia por mais de uma hora atendendo clientes privados.

Após o expediente particular, não retornava ao hospital para acompanhar ou supervisionar os procedimentos cirúrgicos realizados pelos residentes.

Esse comportamento foi registrado nos dias 24/06, 01/07 e 14/08 de 2025, e, segundo o MP, revela uma reiteração da prática ilícita, além de risco à integridade dos pacientes, que eram operados sem a presença do médico titular.

Maxsuel é filho do ex-prefeito de Perobal, Almir de Almeida – este que chegou a presidir o Consorcio Intermunicipal de Saúde (Cisa) com sede em Umuarama, local também frequentado pelo ortopedista. Segundo o Gaeco, em uma das diligências, constatou-se que o investigado se deslocou até o Cisa durante uma das manhãs, deixando o local e seguindo direto para sua casa.

Medidas

Diante dos fatos, o Ministério Público solicitou à Justiça a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, visando interromper a continuidade da prática e proteger o erário.

A principal medida determinada foi a suspensão do exercício da função pública do médico no âmbito do SUS, com base no artigo 319, inciso VI, do Código de Processo Penal, que permite a suspensão cautelar de funções públicas quando há risco de sua utilização para a prática de crimes, além de riscos aos pacientes.

Segundo a decisão da juíza Maristela Aparecida Siqueira D’Aviz, há “indícios suficientes de recebimento de remuneração pública sem a devida contraprestação de serviços”, o que caracteriza peculato, além de possível falsidade ideológica, já que o médico constava como responsável pelas cirurgias nos registros oficiais do hospital.

Restrição ao SUS

A magistrada destacou que a medida tem caráter restrito e proporcional, sendo válida apenas para o exercício da medicina no âmbito público (SUS). O médico permanece autorizado a atuar na rede privada, atendendo em clínicas ou consultórios particulares.

A suspensão visa resguardar o interesse público, proteger os pacientes do SUS e impedir que o patrimônio público continue sendo lesado, enquanto as investigações prosseguem.

Crimes investigados

O médico é investigado pelos crimes de peculato (apropriar-se de dinheiro ou bem público em razão do cargo – Art. 312) e falsidade ideológica (inserir declaração falsa em documento público – Art. 299).

Caso as acusações sejam confirmadas, Maxsuel Fidelis poderá ser responsabilizado civil, administrativa e criminalmente, com penas que incluem prisão, multa e perda do cargo público.

Próximos passos

A investigação ainda está em andamento, e novas diligências poderão ser realizadas pelo Gaeco. A associação Norospar também pode ser alvo de apurações internas, apesar de já ter se manifestado publicamente, demonstrando que a instituição não está envolvida na investigação e reforça o compromisso com a transparência, a ética e o respeito às normas legais, permanecendo à disposição das autoridades para eventuais esclarecimentos.

O ortopedista foi procurado pela reportagem do Portal Umuarama News, mas até o fechamento desta matéria, não se manifestou. O espaço segue aberto para esclarecimentos.

“Pulga atrás da orelha”

A denúncia levanta discussões sobre a fiscalização de contratos públicos com entidades privadas e a segurança dos serviços prestados à população via Sistema Único de Saúde.

Pelo que chegou à imprensa, o promotor Guilherme Fanchi, por enquanto, investiga apenas este caso acima, relacionado a estes tipos de ações por parte de profissionais médicos em Umuarama.

Unidade combativa

Mesmo antes de inaugurar a Unidade do Grupo Gaeco em Umuarama – no dia 5 de maio deste ano – as ações desta força de segurança pública já estavam em atividade nesta região há tempos, desenvolvendo inclusive, grandes operações.

Segundo o promotor Guilherme Franchi, que é o coordenador da 10ª Unidade, a escolha de Umuarama para sediar o novo núcleo regional foi estratégica e considerou o fato de ser uma região de fronteira, comumente utilizada como rota para a prática de crimes como tráfico de drogas, contrabando e corrupção de agentes públicos. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado apontavam à época, um aumento de 50% no registro de ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas na região nos últimos dois anos – foram 350 em 2023 e 525 em 2024.

Outro ponto analisado foi a identificação de que há na região de Umuarama uma espécie de criminalidade que merece a atenção especial do grupo, além de estar geograficamente muito distanciada da sede dos demais núcleos, por isso a decisão de que o município era o que melhor atendia as necessidades da atuação institucional e os interesses da população.

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