Na manhã de hoje (quarta-feira, 22), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou uma megaoperação em várias cidades do Paraná, com foco central em Umuarama e região, no noroeste do estado. A ação, considerada uma das maiores do ano, mobilizou os núcleos regionais do Gaeco de Umuarama e Maringá em uma ofensiva contra lideranças de uma facção criminosa com atuação interestadual.
A força-tarefa resultou no cumprimento de 69 mandados judiciais: sendo 27 de busca e apreensão, 35 de prisão preventiva, 6 de prisão temporária, uma prisão em flagrante e ordens de sequestro de valores milionários. A operação foi dividida em duas frentes: Operação Mosaico, liderada pelo núcleo de Umuarama, e Operação Trama de Ferro, coordenada pelo Gaeco de Maringá.

Umuarama é o centro das investigações
A Operação Mosaico teve como base as apurações conduzidas pelo Gaeco de Umuarama e revelou uma estrutura criminosa com 35 integrantes, todos apontados como exercendo funções de liderança em uma facção criminosa.

As investigações tiveram início a partir da análise de anotações manuscritas apreendidas dentro da Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste pela Polícia Penal.


Esses documentos detalhavam a organização interna do grupo e sua atuação mesmo de dentro do sistema prisional.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e 35 de prisão preventiva em Cruzeiro do Oeste, Guaíra, Maringá e Piraquara. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara Criminal de Cruzeiro do Oeste e cumpridas com o apoio da Polícia Penal e da Polícia Militar.
As prisões visam desarticular a rede de comando da facção, que, mesmo com seus principais líderes presos, continuava operando dentro e fora dos presídios, especialmente na região de Umuarama.

Ação em Maringá envolve R$ 3,5 milhões
Já na região de Maringá, foi deflagrada a Operação Trama de Ferro, que cumpriu sete mandados de prisão temporária, 24 de busca e apreensão e medidas de sequestro de valores estimados em R$ 3,5 milhões, bloqueando bens de 27 investigados. As ordens partiram da 1ª Vara Criminal de Paranavaí e foram cumpridas em Paranavaí, Iporã, Guaíra e Sarandi.
As investigações começaram em janeiro de 2025, após denúncia envolvendo um agente público suspeito de colaborar com o tráfico de drogas dentro de uma unidade prisional. O aprofundamento das apurações revelou a participação de uma organização criminosa de âmbito nacional, com atuação coordenada entre presos e comparsas em liberdade, sobretudo na região de Paranavaí.

Estrutura
O Gaeco, braço estratégico do Ministério Público do Paraná (MPPR), reúne membros do MP, policiais civis, militares, penais e peritos da Polícia Científica, com atuação direta no combate ao crime organizado. Atualmente, o grupo está estruturado em dez núcleos regionais, entre eles o de Umuarama, que vem ganhando destaque pela atuação incisiva na região noroeste do estado.
A coordenada execução das operações Mosaico e Trama de Ferro reforça a capacidade técnica e investigativa do Gaeco em desarticular estruturas criminosas complexas, que atuam em várias frentes, incluindo tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Impacto regional
A operação repercutiu fortemente na região de Umuarama, onde há anos se discute a crescente influência de facções criminosas sobre o tráfico de drogas e o sistema prisional. A ação conjunta do Ministério Público e das forças policiais reforça o compromisso com a ordem pública, a segurança da população e a responsabilização penal dos envolvidos.
As investigações continuam em andamento, e novas fases não estão descartadas. As autoridades pedem que informações e denúncias continuem sendo repassadas por canais oficiais, garantindo o sigilo e o reforço da atuação investigativa.
O promotor de Justiça Guilherme Franchi explica em detalhes no vídeo abaixo detalhes de como foram conduzidas as investigações que culminaram nas operações desenovlvidas nesta manhã.
