A morte de Valdecir Ferreira da Silva, de 38 anos, ex-assessor parlamentar da Liderança da Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), gerou intensos debates e trocas de acusações durante a sessão legislativa de ontem (terça-feira, 21), em Curitiba. Silva foi morto na última sexta-feira (17) durante uma ação da Polícia Militar no bairro Tatuquara, na capital. Segundo a PM, ele teria reagido à abordagem e foi baleado em uma troca de tiros.
Valdecir havia atuado como assessor entre junho de 2023 e julho de 2024. Ele foi exonerado após surgirem denúncias graves envolvendo abuso sexual contra a própria enteada, conforme registros da Assembleia. À época, ele recebia remuneração bruta de R$ 11.990,90, com salário líquido aproximado de R$ 9,2 mil.
Durante o pronunciamento na tribuna, o deputado Tito Barrichello (União Brasil) criticou a indicação de Valdecir para o cargo, atribuindo a responsabilidade ao deputado Renato Freitas (PT), e o acusou de ter nomeado alguém com suposto histórico criminal. Barrichello ainda afirmou que Silva residia no assentamento Nova Esperança, em Campo Magro, e teria liderado uma organização criminosa envolvida em atos como o incêndio de um ônibus em 2021.
Outras denúncias
O deputado Ricardo Arruda (PL) também se manifestou, sugerindo que Valdecir teria envolvimento com o assassinato do policial militar Gabriel Thomaz Fadel, em 2024, e citou sua prisão anterior em Santa Catarina. Arruda reiterou a acusação de abuso sexual, que teria ocorrido quando a enteada tinha entre 11 e 14 anos.
O deputado Renato Freitas afirmou que Valdecir foi indicado por meio do Movimento Popular de Moradia (MPM) e que sua exoneração ocorreu imediatamente após a chegada das denúncias ao partido. O parlamentar ressaltou que não há qualquer relação entre a atuação política de Valdecir e os fatos posteriores.
A situação expôs mais uma vez o clima de tensão entre parlamentares da oposição e da base governista, colocando em foco os critérios para nomeações políticas na Assembleia.
