domingo, 20 setembro 2026
UMUARAMA/PR

EXCLUSIVO: Advogado de vítimas de empresário detalha como é aplicado em Umuarama o golpe milionário envolvendo usinas de energia solar

EXCLUSIVO: Advogado de vítimas de empresário detalha como é aplicado em Umuarama o golpe milionário envolvendo usinas de energia solar

Golpe com usinas solares atinge dezenas de famílias no Paraná. Polícia Civil apreende carros e bloqueia bens em Umuarama

Uma série de denúncias vem revelando o que pode se tornar um dos maiores casos de estelionato financeiro do setor de energia solar no Paraná. A empresa YAW Energia Sustentável Ltda., comandada pelo empresário Lauro Bianchin, é acusada de aplicar golpes milionários em dezenas de clientes, prometendo a instalação e operação de usinas fotovoltaicas que nunca chegaram a funcionar ou sequer foram entregues.

O esquema, segundo as investigações da Polícia Civil, envolve cerca de 80 famílias que investiram altas quantias na promessa de um retorno garantido e sustentável. Em alguns casos, os prejuízos individuais ultrapassam R$ 5 milhões, sem que os investidores tivessem qualquer retorno financeiro.

O modelo de negócio oferecido por Bianchin parecia vantajoso. A oferta girava em torno da aquisição de usinas de energia fotovoltaica pelo cliente com a UAW energia sustentável, mas sem descapitalizar, pois a operação financeira (chamada de financiamento) seria realizada por Lauro em nome do cliente, na Caixa Econômica Federal de Paranavaí com seu gerente.

Essas usinas seriam, no mesmo ato, arrendadas para a YAW Energia Sustentável LTDA, sob a promessa de que as parcelas da operação seriam pagas pela YAW/LAURO, com a condição de que os 8 primeiros anos do crédito financeiro criado pela energia gerada pertenceria integralmente à YAW/LAURO. Após os 8 primeiros anos, e com a operação financeira quitada, o valor integral do arrendamento seria destinado ao cliente. Em resumo, a promessa era de investimentos em aposentadoria, com renda mensal aproximada entre R$ 8 mil e R$ 10 mil por usina adquirida (o cliente financiava a construção da usina solar em seu próprio nome, e a empresa YAW Energia Sustentável se comprometia a pagar o financiamento durante oito anos. Após esse período, a totalidade da renda obtida com a geração e venda de energia à Copel seria revertida ao proprietário, enquanto a empresa lucraria apenas com o valor da comercialização).

Na prática, porém, o que se viu foi um cenário de promessas descumpridas e contratos desrespeitados. Há casos em que as usinas foram efetivamente construídas e estão em funcionamento, mas também situações em que as peças foram entregues, porém nunca montadas, e outras em que os equipamentos sequer foram enviados aos compradores. Em alguns projetos finalizados, a Copel não homologou o funcionamento devido a erros técnicos ou falta de documentação adequada.

YAW Active

Além da YAW Energia Sustentável, Lauro Bianchin também figura como responsável por outra empresa, a YAW Active, que operava por meio de um aplicativo de investimentos. O sistema simulava aportes em “usinas digitais”, alegando que o dinheiro aplicado pelos investidores seria destinado a projetos reais de geração de energia. No entanto, segundo as denúncias, esses investimentos não teriam sido levados a efeito, já que as usinas físicas passaram a não serem entregues aos clientes da YAW Energia sustentável. Ao que parece, a YAW Active foi criada para receber aportes financeiros sob promessa de rendimento mensal acima da média de mercado para investimentos (na casa dos 2% a.m.). Clientes da YAW Active alegam que não estão recebendo os rendimentos dos aportes e não conseguem sacar o capital investido.

Acordos e Sigilo

As vítimas da YAW Active têm buscado o empresário para tentar negociar a restituição parcial dos valores, muitas vezes abrindo mão dos juros e lucros prometidos. Em todas as negociações celebradas, foram assinados contratos, de acordo com uma cláusula de sigilo absoluto, que impedem os clientes de divulgarem qualquer informação sobre o acordo por um período de cinco anos. O empresário teria justificado a cláusula alegando que as reclamações públicas estariam “prejudicando o andamento dos novos negócios”.

Existem no Paraná, pelo menos oito denúncias formais de vítimas do mesmo esquema registradas em delegacias de Polícia, sendo uma delas em Umuarama. O caso envolve um morador de uma propriedade rural em Maria Helena, que além de registrar boletim de ocorrência na esfera criminal, também ingressou com ação cível questionando a nulidade, anulabilidade ou inexigibilidade dos contratos celebrados com YAW Energia sustentável e a Caixa Econômica Federal (CEF) de Paranavaí, já que, além de ter assinado papéis dos quais não sabia o conteúdo, tendo sido enganado por Lauro Bianchin e Matheus Henrique Pedro, também não recebeu uma das usinas adquiridas e YAW/Lauro não pagaram a operação financeira realizada em seu nome, buscando, também, indenização pelo ocorrido.

O advogado das vítimas de Maria Helena, Vitor Pagani explica como é realizado o esquema:

Superfaturamento

Segundo o advogado, através de levantamentos técnicos feitos sobre os valores das usinas, foi descoberto também um superfaturamento na negociação.

Carros apreendidos

Diante da gravidade das denúncias, a Justiça autorizou o pedido de apreensão de bens feito pela Polícia Civil de Umuarama, no Inquérito Policial do cliente de Maria Helena, como forma de garantir o ressarcimento à vítima, ao final do processo. Durante o cumprimento do mandado, veículos pertencentes à YAW Energia sustentável LTDA Lauro Bianchin foram apreendidos por agentes da Delegacia de Umuarama.

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Mais de R$ 750 mil em veículos foram apreendidos na tarde de ontem (5). Em nota, a Polícia Civil salientou que os três veículos, Ford Fusion, avaliado em R$ 90.636,00, um Chevrolet/S10, avaliado em R$ 141.297,00 e um BMW 745LE, avaliado em R$ 529.392,00, pertencem à pessoa de iniciais L.B, proprietário da empresa que presta serviço de instalação de usinas de energia solar, foram recolhidos.

A decisão judicial foi proferida após representação da Autoridade Policial nos autos do inquérito policial que apura a prática do crime de estelionato ocorrido na comarca de Umuarama, em face da vítima como inicias F.C.G., que resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão.

Philadelphia Food Nano Technology

Outro nome citado nas apurações é o de Edson Soares Paiva Júnior, que foi sócio de Lauro Bianchin na empresa Philadelphia Food Nano Technology.

Segundo Edson, ele não tinha acesso às contas bancárias da empresa – que era Radar Energia Solar, também de Lauro Bianchin -, às movimentações financeiras, e aos documentos contábeis da empresa. Ao descobrir as possíveis irregularidades cometidas por Bianchin, nas suas outras empresas, decidiu dissolver a sociedade e se afastar das atividades, encerrando o seu vínculo empresarial na exploração comercial do Marine Sugar, sob a razão social Philadelphia Food Nanotechnology LTDA.

Pagani também representa Edson Soares e explica que neste caso, o denunciado também pode ser acusado de outros tipos de crimes.

Alerta

Os casos de fraude envolvendo o setor de energia renovável têm crescido em todo o país, impulsionados pela expansão do mercado de energia solar e pela busca de investidores por rentabilidade rápida. Especialistas alertam que, antes de firmar contratos de grande porte, é essencial verificar a regularidade da empresa junto à ANEEL, além de solicitar garantias contratuais e registros oficiais de usinas homologadas, e ainda, consultar o seu advogado de confiança.

Enquanto o processo avança, dezenas de famílias seguem aguardando por justiça e ressarcimento, em meio a prejuízos milionários e um cenário de desconfiança crescente no setor. A Polícia Civil do Paraná continua recebendo novas denúncias e não descarta novas apreensões e bloqueios de bens relacionados ao caso e às empresas ligadas ao empresário investigado.

O caso, que começou com promessas de energia limpa e lucro garantido, agora se transforma em um emblema de como o sonho da sustentabilidade pode ser usado para mascarar golpes sofisticados, abalando a credibilidade de um dos segmentos que mais crescem no país.



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