sábado, 5 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Comboio com 70 toneladas de maconha cruza 11 delegacias no Paraguai sem ser parado

Comboio com 70 toneladas de maconha cruza 11 delegacias no Paraguai sem ser parado

Ministro aponta possível conivência policial após megaoperação interceptar caminhões e 19 veículos carregados rumo à fronteira com MS

O Paraguai voltou ao centro das atenções internacionais após a revelação de que um comboio do tráfico, transportando impressionantes 70 toneladas de maconha, circulou livremente por áreas que pertencem à jurisdição de pelo menos 11 delegacias da Polícia Nacional antes de ser finalmente interceptado. A informação foi confirmada pelo ministro Jalil Rachid, chefe da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), ontem (3), em entrevista coletiva.

Segundo Rachid, os três caminhões e 19 veículos que compunham o comboio seguiram sem qualquer abordagem rumo à fronteira com Mato Grosso do Sul. “Estava tudo liberado no caminho. Ninguém destas unidades viu o comboio passar”, declarou o ministro, levantando fortes suspeitas sobre a possível participação de agentes da Polícia Nacional na facilitação do transporte da carga milionária. Até o momento, a corporação não emitiu resposta oficial às declarações, que aumentam a pressão sobre a instituição.

O caso reacende uma crise que já havia ganhado notoriedade meses atrás. Em fevereiro, outro comboio – este com quase 15 toneladas de maconha – percorreu a mesma rota sem ser incomodado, resultando na queda de chefes policiais da região após ampla repercussão pública. Agora, com volume ainda maior e operação mais estruturada, a suspeita de conivência volta à tona de forma ainda mais contundente.

A interceptação ocorreu na madrugada, na região de Curuguaty, localizada a cerca de 90 quilômetros de Paranhos (MS). Agentes da Senad, apoiados por militares do Codi (Comando de Operações de Defesa Interna), cercaram os três caminhões carregados e os demais veículos — entre eles 12 Toyota Hilux, uma S10, uma Fiat Toro, uma Mitsubishi Outlander e quatro automóveis.

Houve intensa troca de tiros. Mesmo utilizando colete balístico, o paraguaio Sergio Daniel González Aguilera foi atingido e morreu no local. A maioria dos envolvidos conseguiu fugir pela mata, mas cinco suspeitos foram presos: Andrés Medina Britez, Héctor Valentín Martínez Marín, Arnaldo Giménez, Mauro Zarza Suárez e Idalia Samaniego Bernal. Mauro foi baleado sem gravidade. Idalia, curiosamente, havia postado uma foto em uma casa com piscina cerca de uma hora antes de ser capturada — usando o mesmo vestido do momento da prisão.

A operação também resultou na apreensão de arsenal considerado expressivo: três fuzis calibre 5.56, uma escopeta calibre 12, uma granada, quatro coletes balísticos e cinco casacos táticos. O caso aprofunda o clima de desconfiança sobre setores da segurança pública paraguaia e promete desencadear novas investigações internas.



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