segunda-feira, 13 abril 2026
UMUARAMA/PR

Justiça absolve suposto intermediador e envia três acusados a júri no caso da morte da Miss Altônia

Justiça absolve suposto intermediador e envia três acusados a júri no caso da morte da Miss Altônia

Elieser Lopes é impronunciado e deve deixar a prisão; mandante e dois apontados como executores serão julgados pelo Tribunal do Júri

Após anos de investigação e desdobramentos judiciais, o caso conhecido como “Miss Altônia” ganhou um novo capítulo nesta semana. A Justiça decidiu impronunciar Elieser Lopes de Almeida, apontado pela investigação como intermediador do duplo homicídio, determinando sua retirada do processo por falta de provas suficientes para levá-lo a julgamento. Com a decisão, ele deve deixar a cadeia pública de Francisco Beltrão, onde estava preso, ainda hoje (quinta-feira, 12).

Além de Elieser, Edelclei Rodrigues da Fonseca, indicado como um dos executores, também foi impronunciado pela Justiça. Por outro lado, Armando Diego Salvadego, apontado como mandante do crime, e Marcos Rodrigues e Paulo Roberto Kutz, identificados como intermediador e executor, respectivamente, serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Altônia.

Relembre o caso

O processo investiga o duplo homicídio ocorrido em 22 de março de 2018, em uma estrada rural de Altônia. Na ocasião, Bruna Zucco Segantin, de 21 anos, Miss Altônia naquele ano, e Valdir de Brito Feitosa, de 30 anos, foram mortos e tiveram os corpos queimados dentro de um veículo, em um crime que causou grande comoção na região.

Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o alvo principal da emboscada seria Valdir Feitosa, que teria ligação com esquemas de contrabando e tráfico na região de fronteira entre Paraná e Mato Grosso do Sul. A jovem Bruna, que não possuía qualquer envolvimento com atividades criminosas, teria sido morta apenas por estar com ele no momento do ataque.

miss altonia

As apurações indicaram que as vítimas foram assassinadas e posteriormente colocadas dentro de um veículo, que foi incendiado em uma estrada rural, numa tentativa de ocultar os corpos e dificultar a identificação.

O caso permaneceu sem solução por vários anos, até que a Polícia Civil deflagrou a ‘Operação Miss’, que resultou na prisão de suspeitos apontados como mandante, intermediários e executores do crime.

Durante a investigação, um detalhe chamou a atenção dos policiais: um dos suspeitos teria tatuado na mão a imagem do rosto de uma mulher em chamas, o que foi interpretado pelos investigadores como uma possível referência à vítima Bruna.

UN CAPA 15

Com a decisão mais recente da Justiça, o processo entra agora em uma nova etapa. Enquanto dois acusados deixam o caso por falta de provas suficientes para levá-los a julgamento, três réus enfrentarão o Tribunal do Júri, onde caberá aos jurados decidir se eles são culpados ou inocentes.

A defesa de Elieser Lopes comemorou a decisão judicial. Em nota, os advogados afirmaram que a impronúncia reforça a tese de inocência do acusado e criticaram a condução da investigação, alegando que pessoas teriam sido responsabilizadas injustamente em razão da pressão por uma solução para o crime.

Mesmo após sete anos, o assassinato de Bruna e Valdir segue como um dos crimes de maior repercussão no noroeste do Paraná, marcado pela brutalidade e pelas circunstâncias que transformaram uma jovem sem ligação com o crime em vítima de uma execução planejada.

 

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