Após anos de investigação e desdobramentos judiciais, o caso conhecido como “Miss Altônia” ganhou um novo capítulo nesta semana. A Justiça decidiu impronunciar Elieser Lopes de Almeida, apontado pela investigação como intermediador do duplo homicídio, determinando sua retirada do processo por falta de provas suficientes para levá-lo a julgamento. Com a decisão, ele deve deixar a cadeia pública de Francisco Beltrão, onde estava preso, ainda hoje (quinta-feira, 12).
Além de Elieser, Edelclei Rodrigues da Fonseca, indicado como um dos executores, também foi impronunciado pela Justiça. Por outro lado, Armando Diego Salvadego, apontado como mandante do crime, e Marcos Rodrigues e Paulo Roberto Kutz, identificados como intermediador e executor, respectivamente, serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Altônia.
Relembre o caso
O processo investiga o duplo homicídio ocorrido em 22 de março de 2018, em uma estrada rural de Altônia. Na ocasião, Bruna Zucco Segantin, de 21 anos, Miss Altônia naquele ano, e Valdir de Brito Feitosa, de 30 anos, foram mortos e tiveram os corpos queimados dentro de um veículo, em um crime que causou grande comoção na região.
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil, o alvo principal da emboscada seria Valdir Feitosa, que teria ligação com esquemas de contrabando e tráfico na região de fronteira entre Paraná e Mato Grosso do Sul. A jovem Bruna, que não possuía qualquer envolvimento com atividades criminosas, teria sido morta apenas por estar com ele no momento do ataque.

As apurações indicaram que as vítimas foram assassinadas e posteriormente colocadas dentro de um veículo, que foi incendiado em uma estrada rural, numa tentativa de ocultar os corpos e dificultar a identificação.
O caso permaneceu sem solução por vários anos, até que a Polícia Civil deflagrou a ‘Operação Miss’, que resultou na prisão de suspeitos apontados como mandante, intermediários e executores do crime.
Durante a investigação, um detalhe chamou a atenção dos policiais: um dos suspeitos teria tatuado na mão a imagem do rosto de uma mulher em chamas, o que foi interpretado pelos investigadores como uma possível referência à vítima Bruna.

Com a decisão mais recente da Justiça, o processo entra agora em uma nova etapa. Enquanto dois acusados deixam o caso por falta de provas suficientes para levá-los a julgamento, três réus enfrentarão o Tribunal do Júri, onde caberá aos jurados decidir se eles são culpados ou inocentes.
A defesa de Elieser Lopes comemorou a decisão judicial. Em nota, os advogados afirmaram que a impronúncia reforça a tese de inocência do acusado e criticaram a condução da investigação, alegando que pessoas teriam sido responsabilizadas injustamente em razão da pressão por uma solução para o crime.
Mesmo após sete anos, o assassinato de Bruna e Valdir segue como um dos crimes de maior repercussão no noroeste do Paraná, marcado pela brutalidade e pelas circunstâncias que transformaram uma jovem sem ligação com o crime em vítima de uma execução planejada.

