A Polícia Federal, em ação integrada com a Receita Federal do Brasil, deflagrou hoje (quarta-feira, 8) a Operação Platinum, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa de grande porte envolvida em crimes como contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O grupo, segundo as investigações, atuava de forma estruturada e profissional, com amplo suporte logístico e financeiro.
As apurações tiveram início na Delegacia da Polícia Federal em Guaíra, no Paraná, e contaram com o apoio de análises fiscais, contábeis e cadastrais realizadas pela Receita Federal. Esse trabalho conjunto permitiu identificar uma complexa rede de empresas de fachada, movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas e o uso de “laranjas” para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações ilícitas.

Ao todo, a Justiça Federal expediu 21 mandados de prisão e 32 mandados de busca e apreensão. Durante a operação, 20 pessoas foram presas, enquanto as equipes seguem em diligências para localizar um investigado que permanece foragido. Todos os mandados de busca foram cumpridos ao longo do dia.
As ações ocorreram simultaneamente em diversas cidades brasileiras, abrangendo os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais. No Paraná, os trabalhos se concentraram em municípios da região Oeste, como Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu e Céu Azul — áreas estratégicas devido à proximidade com a fronteira internacional, frequentemente utilizada para a entrada de mercadorias ilegais no país.

De acordo com a Polícia Federal, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 1 bilhão ao longo do período investigado, somando valores oriundos de atividades ilegais e operações de lavagem de capitais. A estrutura da organização incluía mais de 300 empresas de fachada, criadas com o objetivo de dar aparência de legalidade aos recursos obtidos de forma ilícita.
As investigações também apontaram a participação de profissionais especializados, como contadores, responsáveis por estruturar mecanismos financeiros complexos para ocultar a origem do dinheiro. Essa engenharia criminosa dificultava a atuação dos órgãos de controle e fiscalização, permitindo a continuidade das atividades ilegais por longos períodos.
Durante o cumprimento dos mandados, duas prisões em flagrante foram registradas. Em Recife, um indivíduo foi detido por posse irregular de arma de fogo. Já em São Paulo, houve flagrante por crimes de contrabando e descaminho, reforçando a atuação diversificada da organização.

A Operação Platinum evidencia a sofisticação e o alcance nacional do grupo investigado, além do impacto econômico significativo causado pelas atividades ilegais. Segundo a Polícia Federal, as investigações continuam com o objetivo de identificar outros envolvidos e aprofundar o mapeamento das estruturas utilizadas pelo esquema.
As autoridades também destacam a importância da colaboração da população, que pode contribuir com denúncias, inclusive de forma anônima, auxiliando no combate a crimes dessa natureza.

