sexta-feira, 17 julho 2026
UMUARAMA/PR

Após julgamento histórico, Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel

Após julgamento histórico, Jairinho é condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel

Tribunal do Júri reconhece homicídio qualificado, tortura e coação contra o ex-vereador; mãe da criança recebe perdão judicial no julgamento que durou 11 dias

O caso que chocou o Brasil e mobilizou a opinião pública desde 2021 teve um novo e decisivo capítulo na madrugada de hoje (4). Após 11 dias de julgamento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte do menino Henry Borel Medeiros, de apenas 4 anos.

A sentença foi lida pela juíza Elizabeth Machado Louro na madrugada desta quinta-feira, encerrando aquele que já é considerado o julgamento mais longo da história do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. O Conselho de Sentença reconheceu a responsabilidade criminal de Jairinho pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

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Na decisão, a magistrada destacou a extrema gravidade dos atos praticados contra a criança. Ao fundamentar a pena, afirmou que o crime foi marcado por violência excessiva e por uma brutalidade incomum, ressaltando que Henry não teve qualquer possibilidade de defesa diante das agressões sofridas.

O ex-vereador foi condenado por homicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e utilização de recurso que impossibilitou a reação da vítima. A pena ainda recebeu agravante pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos. Além da prisão em regime inicialmente fechado, Jairinho também foi condenado ao pagamento de R$ 400 mil por danos morais ao pai do menino, Leniel Borel.

Enquanto a condenação de Jairinho foi recebida como uma resposta da Justiça à sociedade, a situação envolvendo Monique Medeiros, mãe de Henry, provocou forte repercussão. O Conselho de Sentença decidiu afastar a acusação de homicídio doloso e desclassificou o crime para homicídio culposo, entendimento que elimina a intenção de matar.

Monique acabou sendo responsabilizada apenas pelo crime de tortura por omissão. A pena fixada foi de um ano e quatro meses de detenção. No entanto, como ela já havia permanecido presa preventivamente por período superior ao estabelecido na condenação, a punição foi considerada extinta.

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A juíza também concedeu perdão judicial à mãe de Henry. Em sua argumentação, afirmou que Monique já enfrentou consequências severas ao longo dos últimos anos, incluindo exposição pública intensa, críticas nas redes sociais e episódios de violência dentro do sistema prisional. Segundo a magistrada, a acusada sofreu um julgamento social que extrapolou os limites do processo judicial.

A decisão, entretanto, gerou imediata reação do Ministério Público do Rio de Janeiro. Os promotores sustentaram durante todo o julgamento que Monique também deveria responder pela morte do filho. Após a sentença, representantes da acusação anunciaram que irão recorrer da decisão para buscar uma nova análise do caso em instâncias superiores.

A mesma insatisfação foi demonstrada por Leniel Borel, pai de Henry. Em pronunciamento após o julgamento, ele afirmou que o resultado referente à mãe da criança representou uma nova dor para a família. Segundo Leniel, a absolvição da acusação de homicídio transmite uma mensagem preocupante para casos semelhantes envolvendo violência contra crianças.

O caso Henry Borel ganhou repercussão nacional em março de 2021. Na ocasião, o menino foi levado sem vida ao Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Inicialmente, foi apresentada a versão de que a criança teria sofrido uma queda dentro do apartamento onde viviam Monique e Jairinho.

Contudo, as investigações conduzidas pela Polícia Civil e os exames periciais descartaram a hipótese de acidente doméstico. Os laudos apontaram múltiplas lesões pelo corpo da criança e concluíram que a morte foi causada por uma hemorragia interna provocada por forte impacto abdominal.

Ao longo da investigação, peritos identificaram dezenas de lesões compatíveis com agressões físicas. Os elementos reunidos pela polícia levaram à conclusão de que Henry foi vítima de violência reiterada antes de morrer. Um mês após o óbito, Jairinho e Monique foram presos preventivamente.

Mais de cinco anos depois do crime, a sentença encerra uma das etapas mais importantes do processo, mas o caso ainda deverá ter novos desdobramentos judiciais em razão dos recursos que poderão ser apresentados pelas partes envolvidas.

A repercussão nacional e o impacto na legislação

A morte de Henry Borel ultrapassou os limites de um caso criminal e se transformou em um símbolo do debate sobre violência contra crianças no Brasil. A comoção provocada pelo episódio impulsionou discussões no Congresso Nacional e resultou na criação da chamada Lei Henry Borel, sancionada em 2022. A legislação ampliou mecanismos de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e familiar, criando medidas protetivas semelhantes às previstas na Lei Maria da Penha. O caso passou a ser frequentemente citado em campanhas de conscientização e em discussões sobre a responsabilidade de familiares e responsáveis na proteção de menores.

O que pode acontecer após a sentença

Apesar da condenação de Jairinho e da decisão favorável a Monique em relação à acusação de homicídio, o processo ainda não está totalmente encerrado. O Ministério Público já manifestou a intenção de recorrer da sentença, especialmente quanto à desclassificação do homicídio atribuído à mãe da criança. A defesa dos réus também poderá utilizar instrumentos legais para contestar aspectos da decisão. Em casos julgados pelo Tribunal do Júri, recursos podem questionar pontos jurídicos específicos e até mesmo buscar a realização de um novo julgamento em determinadas circunstâncias. Dessa forma, os desdobramentos judiciais do caso Henry Borel ainda deverão continuar sendo acompanhados pela sociedade e pelas autoridades nos próximos meses.

 



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