O caso que chocou o Brasil está prestes a completar 1 ano. Foi no dia 5 de agosto de 2025 que 4 homens desapareceram em Icaraíma, no Noroeste do Paraná.
Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Affonso e Robishley Hernani de Oliveira, saíram do interior de São Paulo com destino a Icaraíma, no Paraná. Na pequena cidade, se encontraram com Alencar Gonçales de Souza, que teria contratado os 3 amigos paulistas para uma cobrança de dívida.
Segundo as investigações, os quatro homens saíram de Icaraíma e seguiram sentido ao distrito de Vila Rica, onde fica o sítio da família Buscariollo, lá teriam se encontrado com Paulo e Antônio, pai e filho. Um deles estaria armado, informação que foi repassada por uma das vítimas em um áudio para a esposa. No primeiro dia, não teve acordo. Posteriormente, os quatro retornaram à propriedade e nunca mais foram vistos.
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado; no dia 7, foi dado cumprimento a um mandado de busca e apreensão na casa de Antônio e Paulo Buscariollo… e no mesmo dia, foi feita a representação do pedido de prisão de pai e filho.
Quase um mês depois, no dia 12 de setembro, a Fiat Toro, ocupada pelas vítimas, foi encontrada enterrada. Seis dias depois, os quatro corpos foram localizados.
Desde então, a polícia tenta chegar a localização dos principais suspeitos da chacina, Antônio e Paulo Buscariollo.

DELEGADO SE MANIFESTA
Nesta terça-feira (4), o delegado de Icaírama, Dr. Thiago, divulgou uma nota sobre o caso. Confira na íntegra:
Amanhã, completa-se um ano do quádruplo homicídio qualificado, seguido da ocultação dos cadáveres das vítimas Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira, fato ocorrido na zona rural do município de Icaraíma/PR, em 05 de agosto de 2025.
A Polícia Civil do Estado do Paraná (PCPR) manifesta seu mais profundo respeito à memória das vítimas e presta sua irrestrita solidariedade aos familiares e amigos, reafirmando que a completa elucidação dos fatos e a responsabilização criminal de todos os envolvidos permanecem como prioridade institucional absoluta.
Desde o recebimento da notícia do desaparecimento das vítimas, a investigação foi tratada com máxima prioridade. Ao longo deste período, constatou-se tratar de uma apuração de excepcional complexidade, voltada ao esclarecimento da atuação de um grupo criminoso estruturado, organizado, com divisão de tarefas e significativa influência na região dos fatos.
Os elementos probatórios produzidos ao longo da investigação evidenciam elevado grau de planejamento da ação criminosa, caracterizada pela execução das vítimas mediante emboscada, com emprego de armamentos de diversos calibres, seguida da ocultação dos cadáveres e do veículo utilizado pelas vítimas em compartimentos subterrâneos clandestinos, da eliminação de vestígios e da adoção de sucessivas medidas destinadas a dificultar a identificação dos autores e a atuação dos órgãos de persecução penal.
A complexidade da empreitada criminosa exigiu uma investigação igualmente abrangente, técnica e multidisciplinar. Durante este primeiro ano de trabalhos ininterruptos, a Polícia Civil do Paraná, com apoio da Secretaria de Segurança Pública, coordenou uma ampla atuação integrada, contando com o apoio do Grupo TIGRE, equipes especializadas da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica (Instituto de Criminalística e Instituto Médico-Legal), Corpo de Bombeiros Militar, Força Nacional de Segurança Pública e órgãos de segurança pública do Estado de São Paulo, além de outros setores especializados que contribuíram para o avanço das investigações.
Nesse período, foram realizadas centenas de diligências investigativas, abrangendo buscas em extensas áreas rurais, levantamentos de inteligência policial, exames periciais de elevada complexidade, análises balísticas, extrações e exames de dispositivos eletrônicos, quebras de sigilos judicialmente autorizadas, análises telemáticas, oitivas de dezenas de testemunhas, cumprimento de medidas cautelares e reconstrução cronológica da dinâmica criminosa.
Todo esse trabalho resultou na formação de um robusto acervo probatório, composto por elementos periciais, documentais, testemunhais, telemáticos e digitais, que permanece em permanente análise e aprofundamento pelas equipes responsáveis pela investigação.
A Polícia Civil do Paraná informa que, até o presente momento, não existem fatos novos passíveis de divulgação pública que alterem as informações oficiais anteriormente divulgadas. Permanecem, portanto, válidas todas as manifestações institucionais já realizadas acerca do andamento da investigação.
A PCPR reafirma à sociedade paranaense seu compromisso permanente com a busca da verdade, com a produção de provas técnicas e juridicamente consistentes e com a responsabilização criminal de todos aqueles que tenham concorrido para a prática dos delitos investigados.
Investigações dessa natureza exigem elevado rigor técnico, atuação integrada, persistência e aprofundamento contínuo dos elementos probatórios, especialmente quando envolvem organizações criminosas estruturadas, que empregam sofisticados mecanismos para ocultação de provas e obstrução da persecução penal.
A Polícia Civil do Paraná permanecerá empregando todos os meios legais, técnicos e científicos disponíveis para a completa elucidação dos fatos, reafirmando seu dever constitucional de combater o crime organizado, independentemente do grau de estrutura, poder econômico ou influência de seus integrantes.


