O senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sergio Moro (PL), evitou responder diretamente a perguntas sobre investigações envolvendo o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o pré-candidato do partido à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, durante sabatina promovida pelo UOL e pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (7).
O jornalista da Folha de São Paulo Bruno Ribeiro questionou Moro sobre a relação do “juiz da Lava Jato” com um “condenado do Mensalão”, em referência a Valdemar Costa Neto, condenado pelo STF a 7 anos e 10 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
À época, Valdemar foi apontado como beneficiário do esquema do Mensalão ao receber recursos em troca do apoio do PL ao governo federal e por atuar na ocultação da origem desse dinheiro.
Antes de responder sobre Valdemar, Moro falou da disputa política no Paraná, criticou adversários e defendeu seu compromisso com o combate à corrupção. “Em relação ao Valdemar, presidente do PL, os erros que ele cometeu no passado ele já pagou”, limitou-se a dizer.
Na sequência, o jornalista perguntou se Moro concordava com a posição de Valdemar de que dirigentes partidários podem indicar emendas parlamentares. A pergunta fazia referência à investigação autorizada pelo STF que apura suspeitas de que Valdemar tenha atuado na indicação de cerca de R$ 119 milhões em emendas parlamentares, embora não exerça mandato eletivo. Moro voltou a dispersar o assunto. Veja o vídeo!
Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, também questionou Moro sobre o apoio a Flávio Bolsonaro e perguntou por que acreditava que um eventual governo do senador não repetiria a interferência na Polícia Federal que o próprio Moro atribuiu ao governo Jair Bolsonaro quando deixou o Ministério da Justiça.
Moro não respondeu à pergunta. Preferiu comentar sobre a CPI do INSS e afirmar que Flávio Bolsonaro é “o único candidato da oposição com condições de derrotar o governo do PT”. Após nova insistência da apresentadora Fabíola Cidral, do UOL, sobre se o senador temia uma nova interferência política na Polícia Federal, respondeu apenas que “acho que isso é fazer prognóstico sobre um futuro que ainda não se realizou.”
Mais adiante, Sakamoto voltou ao tema ao abordar a investigação envolvendo o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O caso apura o repasse de R$ 61 milhões do banqueiro para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro. Após representação da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República, o ministro do STF André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para investigar os fatos.
Questionado se havia ficado satisfeito com as explicações apresentadas por Flávio Bolsonaro, Moro respondeu que “ele (Flávio) apresentou as explicações. Foi ordenada a investigação”, e que iria aguardar os desdobramentos para se posicionar sobre o caso.
Na sequência, Sakamoto perguntou se uma eventual comprovação de irregularidades levaria ao rompimento da aliança política entre os dois. Moro voltou a evitar uma resposta objetiva. “Essa é uma pergunta especulativa. O Flávio apresentou as suas explicações. Os fatos estão aí à disposição, então vamos aguardar os desdobramentos.”


