quinta-feira, 24 setembro 2026
UMUARAMA/PR

“Diga-me com quem andas”: Moro celebra apoio de ex-prefeito condenado por corrupção

“Diga-me com quem andas”: Moro celebra apoio de ex-prefeito condenado por corrupção

Aproximação com Jocelito Canto coloca sob os holofotes o discurso anticorrupção usado por Moro e esquenta a disputa pelo Governo do Paraná

A deputada estadual e pré-candidata à reeleição Mabel Canto e o pré-candidato a deputado federal Jocelito Canto, ambos do PP, anunciaram ontem (12) apoio ao senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. O anúncio foi feito pelas redes sociais durante a passagem de Moro por Ponta Grossa.

A decisão consolida o posicionamento político dos dois candidatos para a eleição estadual e reforça, segundo eles, a defesa de um projeto que represente os interesses de Ponta Grossa, dos Campos Gerais e das demais regiões paranaenses.

“Será?”

O que chama atenção, porém, é o contraste entre a nova aliança e o discurso que Moro procura sustentar politicamente. Conhecido nacionalmente por construir sua trajetória pública em torno do combate à corrupção e da defesa da integridade na política, o senador agora aparece ao lado de Jocelito Canto, que acumula em seu histórico uma condenação judicial relacionada ao período em que administrou Ponta Grossa.

A contradição ganhou ainda mais força depois que o próprio Moro publicou um vídeo nas redes sociais celebrando a união política com Jocelito.

Prefeito condenado

Em 2010, Jocelito Canto, que foi prefeito de Ponta Grossa, foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) em um processo envolvendo uma licitação para reforma do prédio da antiga estação ferroviária do município, posteriormente transformado em centro cultural.

A Justiça também responsabilizou Erlei Boratto, então secretário municipal de Planejamento, e Luiz Flávio de Moraes Barros, representante da empresa construtora responsável pela obra. Conforme a decisão, foi estabelecida pena de dois anos, sete meses e 15 dias de detenção para cada um, além de multa equivalente a 2,5% do valor pactuado no Convênio 312/99, de R$ 440 mil.

“Diga-me com quem andas…”

É justamente esse passado que coloca uma dose extra de constrangimento na nova composição política. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Moro afirma, em tom enfático, que o PL quer “gente boa” e não aceita “bandidos ou petistas”. A declaração, colocada lado a lado com a chegada de Jocelito ao seu palanque, abre espaço para questionamentos sobre quais critérios o senador utiliza para separar adversários de aliados.

Assista:

Família “órfã” de candidato

O apoio de Jocelito e das filhas Mabel e Joce a Sergio Moro ocorre em um cenário no qual a família Canto havia ficado sem um candidato ao Governo do Estado depois que o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) abriu mão de disputar o Palácio Iguaçu para integrar, como vice, a chapa do deputado federal ponta-grossense Sandro Alex (PSD).

A aproximação com Sandro seria politicamente difícil para a família. Foi o deputado quem assinou, em 2022, a ação na Justiça Eleitoral que resultou na perda do mandato de deputado federal de Jocelito, mesmo após ele ter sido eleito nas urnas.

O episódio transformou Sandro em uma espécie de persona non grata para a família Canto. Agora, com o antigo desafeto disputando o Governo do Paraná, Jocelito e as filhas desembarcam justamente no palanque de um de seus principais adversários.

Na prática, a máxima de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo” parece encontrar espaço na política dos Campos Gerais.

“Desunião Progressista”

A adesão da família Canto à campanha de Moro também cria uma situação peculiar dentro do próprio PP.

Isso porque a federação formada pelo Progressistas e pelo União Brasil, batizada de União Progressista, decidiu integrar a coligação de Sandro Alex. A composição foi costurada sob influência do governador Ratinho Junior (PSD), principal articulador e fiador político da candidatura do deputado ponta-grossense.

Enquanto a direção partidária segue por um caminho, a família Canto decidiu tomar outro. Assim, a “União Progressista” chega à eleição mostrando que, pelo menos em Ponta Grossa, a união pode existir no nome – mas não necessariamente no palanque.

E a fotografia política produzida pela nova aliança também deixa uma pergunta incômoda para Moro: até onde vai o rigor de seu discurso contra a corrupção quando a matemática eleitoral exige ampliar o grupo de aliados?



Participe do grupo de WhatsApp e receba todas as notícias em primeira mão. Clique aqui






Mais lidas

Notícias Relacionadas