terça-feira, 22 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Em sabatina, Sandro Alex rebate críticas de Moro, que não expõe quem herdaria sua cadeira no Senado

Em sabatina, Sandro Alex rebate críticas de Moro, que não expõe quem herdaria sua cadeira no Senado

Se Moro vencer ao Governo, quem assume seu lugar é o suplente pouco conhecido Luis Felipe Cunha, dono do escritório de advocacia que recebeu R$ 1 milhão do Fundão Eleitoral.

A disputa pelo Governo do Paraná ganhou temperatura com um confronto direto entre Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL). Depois de Moro tratar o adversário como um candidato desconhecido durante entrevista a uma rádio, Sandro reagiu e colocou frente a frente duas trajetórias bastante diferentes: de um lado, a passagem do ex-juiz pela magistratura, pelo Ministério da Justiça e pelo Senado; do outro, sua própria experiência à frente da infraestrutura estadual durante a gestão Ratinho Junior.

A resposta tenta transformar justamente o ponto utilizado por Moro como fragilidade em argumento eleitoral. Sandro Alex sustenta que pode até não ter passado os últimos anos percorrendo o Estado em campanha, mas esteve diretamente envolvido na execução de algumas das principais obras do atual governo.

O ex-secretário comandou a Secretaria de Infraestrutura e Logística durante grande parte dos dois mandatos de Ratinho Junior. Em entrevistas anteriores, ele próprio adotou a expressão “tocador de obras” para definir sua participação na administração estadual e afirmou que, enquanto adversários faziam campanha, estava dedicado à execução de projetos de infraestrutura.

Entre os projetos associados à gestão da qual participou aparecem a Ponte de Guaratuba, obras rodoviárias, duplicações e intervenções logísticas. Quando Ratinho Junior escolheu Sandro para disputar sua sucessão, a experiência na Infraestrutura foi apresentada justamente como um de seus principais ativos políticos.

A provocação de Moro, portanto, abriu espaço para Sandro explorar uma narrativa que sua campanha vem tentando consolidar: “as obras chegaram antes do nome”. A ideia é simples — mesmo que parte do eleitorado ainda não identifique imediatamente quem estava à frente da secretaria, os projetos executados pelo Estado seriam conhecidos pela população.

Da burocracia às obras

Outro ponto utilizado por Sandro para marcar diferença em relação ao adversário é a experiência administrativa. Antes de assumir a secretaria, ele já acumulava mandatos como deputado federal. No governo Ratinho Junior, passou a trabalhar diretamente com licitações, projetos, contratos, desapropriações, licenças e outros obstáculos que normalmente antecedem grandes obras públicas.

Em entrevista concedida anteriormente, Sandro afirmou que chegou à administração estadual justamente em um período no qual obras estavam paralisadas e que seus conhecimentos jurídicos foram considerados importantes para ajudar a reorganizar a infraestrutura do Estado.

É nesse terreno que a resposta ao “desconhecido” ganha peso político. Sandro tenta estabelecer uma comparação entre popularidade e capacidade de gestão: Moro possui projeção nacional construída desde a Operação Lava Jato, enquanto ele procura convencer o eleitor de que experiência administrativa e entregas concretas devem pesar mais na escolha do próximo governador.

A discussão ocorre em um momento decisivo da campanha. Pesquisa RealTime Big Data divulgada ontem (terça-feira, 18) colocou Moro com 37% das intenções de voto, Sandro Alex com 22% em um dos cenários estimulados. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Suplência entra no debate

 

Assista ao vídeo:

Sandro também direciona o confronto para outro ponto sensível da trajetória eleitoral do senador: quem ficará com seu mandato caso Moro seja eleito governador e deixe o Senado.

O milhão do Fundão

O primeiro suplente é o advogado Luis Felipe Cunha, amigo de longa data de Moro e integrante de seu núcleo político. Em 2022, o escritório Vosgerau & Cunha Advogados Associados recebeu R$ 1 milhão do União Brasil, dividido em quatro parcelas de R$ 250 mil entre abril e julho daquele ano, por serviços declarados como assessoria ou consultoria jurídica.

O contrato foi posteriormente questionado no contexto das ações eleitorais movidas contra Moro. Adversários levantaram suspeitas sobre os gastos, enquanto Moro negou irregularidades. A contratação chegou a ser objeto de perguntas feitas ao senador durante depoimento à Justiça Eleitoral.

Quem conhece é quem executa

A discussão sobre a suplência permite a Sandro deslocar o debate para uma pergunta política: caso Moro deixe o Senado para assumir o Palácio Iguaçu, quem passará a representar o Paraná em Brasília?

Com isso, uma provocação aparentemente simples — chamar o adversário de “desconhecido” — acabou abrindo uma disputa muito mais ampla sobre currículo, experiência administrativa, obras, mandato e sucessão.

Sandro Alex tenta fazer da própria falta de exposição nacional uma vantagem: apresentar-se não como personagem dos grandes holofotes, mas como alguém que passou os últimos anos nos bastidores da máquina estadual, enfrentando burocracia e acompanhando obras.

Moro, por sua vez, chega à disputa carregando um patrimônio de reconhecimento nacional  construído na magistratura e na Lava Jato.

O eleitor paranaense passa, assim, a assistir a um choque entre duas narrativas. Moro aposta no peso de um nome conhecido em todo o País. Sandro responde tentando provar que, no Paraná, conhecer as obras pode ser mais importante do que conhecer quem aparecia diante das câmeras.



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