A Polícia Ambiental de Umuarama realizou o embargo da propriedade rural no Distrito de Vila Rica do Ivaí, onde foram encontrados a caminhonete e os corpos dos cobradores que estavam desaparecidos em Icaraíma e multou o proprietário em mais de R$ 7,5 milhões (sete milhões e quinhentos mil reais).

O embargo ocorreu nesta sexta-feira (26), após os militares constatarem diversos danos em Área de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal e em vegetação nativa, já em estágio médio de regeneração remanescente de Mata Atlântica, pelo cultivo de gado no local.

Durante a vistoria realizada na propriedade, foi constatada a presença de bovinos no interior das áreas de mata. No local, foram identificados corpos hídricos inseridos em vegetação nativa que, após análise remota, confirmou-se tratar de Área de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal da propriedade.

Também foi verificada a existência de extensa porção de vegetação nativa não declarada como reserva, onde se localiza uma nascente. Essa vegetação encontra-se em estágio médio de regeneração, pertencente ao bioma Mata Atlântica.
Toda a área de mata foi inspecionada pela equipe policial, sendo encontrados vestígios da presença de animais, observando que toda a vegetação apresenta sinais de degradação, com baixa capacidade de regeneração natural, devido ao pisoteio constante do gado, que compromete a cobertura vegetal e favorece a compactação do solo, além de assoreamento dos corpos hídricos.

De acordo com a Polícia Ambiental, a vegetação não possui cercamento, permitindo o livre acesso dos bovinos. Eles ainda identificaram intervenções irregulares, incluindo supressão de vegetação em diversos pontos.

Em alguns desses locais, foram encontrados bunkers utilizados por criminosos para ocultação do veículo e dos cadáveres dos cobradores, vítimas de homicídio brutal, além de serem utilizadosa, também, para ocultação de drogas.

A análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) da propriedade permitiu caracterizar os danos ambientais constatados e também confirmar que a área encontra-se dentro da Área de Preservação Ambiental das Ilhas e Várzeas do Rio Paraná resultando na majoração dos autos devidos e no embargo das áreas afetadas.

Dos danos ambientais constatados pelos militares, 65,86 hectares são de vegetação nativa em Área de Preservação Permanente, 131,71 hectares são de vegetação nativa em Área Reserva Legal e 80,98 hectares são de vegetação nativa em estágio médio de regeneração, remanescente no bioma Mata Atlântica. Ao todo foram embargados 278,55 hectares de área.

A propriedade está atualmente arrendada, sendo que no contrato foi verificado que os animais pertencem tanto ao proprietário, quanto ao arrendatário, sendo ambos igualmente responsáveis pelo dano.
Sendo assim, eles foram notificados à retirar o gado dos locais de mata, bem como realizar o cercamento dessas para cessar o dano causado pelos bovinos e caso não cumpram, acarretará na apreensão dos animais, posteriormente.
Ao todo foram realizados seis autos de Infração Ambiental (AIA), totalizando R$ 7.548.000,00 (sete milhões e quinhentos e quarenta e oito mil reais), além da comunicação ao Ministério Público.



