A disputa pelo Governo do Paraná ganhou temperatura com um confronto direto entre Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL). Depois de Moro tratar o adversário como um candidato desconhecido durante entrevista a uma rádio, Sandro reagiu e colocou frente a frente duas trajetórias bastante diferentes: de um lado, a passagem do ex-juiz pela magistratura, pelo Ministério da Justiça e pelo Senado; do outro, sua própria experiência à frente da infraestrutura estadual durante a gestão Ratinho Junior.
A resposta tenta transformar justamente o ponto utilizado por Moro como fragilidade em argumento eleitoral. Sandro Alex sustenta que pode até não ter passado os últimos anos percorrendo o Estado em campanha, mas esteve diretamente envolvido na execução de algumas das principais obras do atual governo.
O ex-secretário comandou a Secretaria de Infraestrutura e Logística durante grande parte dos dois mandatos de Ratinho Junior. Em entrevistas anteriores, ele próprio adotou a expressão “tocador de obras” para definir sua participação na administração estadual e afirmou que, enquanto adversários faziam campanha, estava dedicado à execução de projetos de infraestrutura.
Entre os projetos associados à gestão da qual participou aparecem a Ponte de Guaratuba, obras rodoviárias, duplicações e intervenções logísticas. Quando Ratinho Junior escolheu Sandro para disputar sua sucessão, a experiência na Infraestrutura foi apresentada justamente como um de seus principais ativos políticos.
A provocação de Moro, portanto, abriu espaço para Sandro explorar uma narrativa que sua campanha vem tentando consolidar: “as obras chegaram antes do nome”. A ideia é simples — mesmo que parte do eleitorado ainda não identifique imediatamente quem estava à frente da secretaria, os projetos executados pelo Estado seriam conhecidos pela população.
Da burocracia às obras
Outro ponto utilizado por Sandro para marcar diferença em relação ao adversário é a experiência administrativa. Antes de assumir a secretaria, ele já acumulava mandatos como deputado federal. No governo Ratinho Junior, passou a trabalhar diretamente com licitações, projetos, contratos, desapropriações, licenças e outros obstáculos que normalmente antecedem grandes obras públicas.
Em entrevista concedida anteriormente, Sandro afirmou que chegou à administração estadual justamente em um período no qual obras estavam paralisadas e que seus conhecimentos jurídicos foram considerados importantes para ajudar a reorganizar a infraestrutura do Estado.
É nesse terreno que a resposta ao “desconhecido” ganha peso político. Sandro tenta estabelecer uma comparação entre popularidade e capacidade de gestão: Moro possui projeção nacional construída desde a Operação Lava Jato, enquanto ele procura convencer o eleitor de que experiência administrativa e entregas concretas devem pesar mais na escolha do próximo governador.
A discussão ocorre em um momento decisivo da campanha. Pesquisa RealTime Big Data divulgada ontem (terça-feira, 18) colocou Moro com 37% das intenções de voto, Sandro Alex com 22% em um dos cenários estimulados. O levantamento ouviu 1.600 eleitores entre 13 e 17 de agosto e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
Suplência entra no debate
Assista ao vídeo:
Sandro também direciona o confronto para outro ponto sensível da trajetória eleitoral do senador: quem ficará com seu mandato caso Moro seja eleito governador e deixe o Senado.
O milhão do Fundão
O primeiro suplente é o advogado Luis Felipe Cunha, amigo de longa data de Moro e integrante de seu núcleo político. Em 2022, o escritório Vosgerau & Cunha Advogados Associados recebeu R$ 1 milhão do União Brasil, dividido em quatro parcelas de R$ 250 mil entre abril e julho daquele ano, por serviços declarados como assessoria ou consultoria jurídica.
O contrato foi posteriormente questionado no contexto das ações eleitorais movidas contra Moro. Adversários levantaram suspeitas sobre os gastos, enquanto Moro negou irregularidades. A contratação chegou a ser objeto de perguntas feitas ao senador durante depoimento à Justiça Eleitoral.
Quem conhece é quem executa
A discussão sobre a suplência permite a Sandro deslocar o debate para uma pergunta política: caso Moro deixe o Senado para assumir o Palácio Iguaçu, quem passará a representar o Paraná em Brasília?
Com isso, uma provocação aparentemente simples — chamar o adversário de “desconhecido” — acabou abrindo uma disputa muito mais ampla sobre currículo, experiência administrativa, obras, mandato e sucessão.
Sandro Alex tenta fazer da própria falta de exposição nacional uma vantagem: apresentar-se não como personagem dos grandes holofotes, mas como alguém que passou os últimos anos nos bastidores da máquina estadual, enfrentando burocracia e acompanhando obras.
Moro, por sua vez, chega à disputa carregando um patrimônio de reconhecimento nacional construído na magistratura e na Lava Jato.
O eleitor paranaense passa, assim, a assistir a um choque entre duas narrativas. Moro aposta no peso de um nome conhecido em todo o País. Sandro responde tentando provar que, no Paraná, conhecer as obras pode ser mais importante do que conhecer quem aparecia diante das câmeras.


