Quatro meses de silêncio, buscas, angústia e perguntas sem resposta terminaram da maneira mais dolorosa possível. Os corpos das primas Stela e Letycia, desaparecidas havia exatamente quatro meses, foram encontrados nesta sexta-feira (21) em uma área rural entre os municípios de Rondon e Paraíso do Norte, no Noroeste do Paraná. O desfecho, que encerra uma longa procura, abre agora uma nova e dramática etapa para esclarecer todos os detalhes das mortes.
A localização ocorreu depois de uma megaoperação policial realizada em diferentes cidades do interior do Estado. A informação decisiva teria partido de Michel dos Reis Costa, conhecido como “Magrão”, preso em Umuarama. Conforme as informações apuradas, ele teria participado da abertura da cova onde as duas jovens foram enterradas e, depois de capturado, indicou aos investigadores o ponto onde os corpos poderiam ser encontrados.
A área fica em uma estrada rural conhecida como Estrada do Porto, entre Rondon e Paraíso do Norte. Foi para esse local que as equipes policiais seguiram depois das informações fornecidas pelo preso. Ali, em meio à paisagem rural e longe dos olhos de quem durante quatro meses procurava desesperadamente pelas primas, estava escondida a resposta que familiares e amigos tanto temiam encontrar.
O momento da descoberta tornou o caso ainda mais impactante. Os corpos foram encontrados justamente no dia em que o desaparecimento de Stela e Letycia completava quatro meses. Foram meses atravessados pela incerteza sobre o destino das jovens e pela esperança de que alguma pista pudesse levá-las de volta para casa.
Briga motivou as mortes
As investigações apontam que uma discussão seguida de uma briga após a saída da uma boate de Paranavaí, teria sido o estopim para o crime. As mortes aconteceram dentro da caminhonete na madrugada.
O episódio, que inicialmente poderia parecer apenas mais um desentendimento, teria avançado para a sequência de violência que terminou com a morte das duas primas e, posteriormente, com a ocultação dos corpos.
As circunstâncias exatas das mortes, a participação individual de cada investigado e a sequência completa dos acontecimentos ainda são objeto da investigação policial. A descoberta dos corpos, porém, representa uma peça fundamental para que os investigadores consigam reconstruir os últimos momentos das jovens e determinar como o crime teria sido executado.
Antes das buscas pelos corpos avançavam no Noroeste, outra parte da operação já acontecia a quilômetros dali. Clayton Antonio da Silva Cruz, conhecido como “Dog Dog” e apontado como principal suspeito das mortes, foi localizado em Mandaguari, no Norte do Paraná.
Clayton estava havia aproximadamente 15 dias em uma residência na cidade. A chegada das equipes desencadeou momentos de tensão. Ao perceber a presença policial, ele teria tentado escapar pelo telhado de uma das casas.
Um drone equipado com câmera térmica foi empregado na operação e registrou parte da movimentação durante a tentativa de fuga. A tecnologia auxiliou os policiais no acompanhamento do suspeito enquanto as equipes fechavam o cerco.
Refém
Durante a tentativa de escapar, a situação ganhou contornos ainda mais dramáticos. Clayton invadiu a residência de um vizinho e o fez refém, utilizando um garfo de churrasco. O episódio mobilizou intensamente as equipes e provocou momentos de medo entre moradores próximos ao imóvel.
Envolvido em assaltos
A localização de Clayton ocorreu após outro crime ajudar a polícia a chegar ao esconderijo. Conforme as informações da investigação, ele teria participado de um assalto registrado por câmeras de segurança. As imagens permitiram identificar o veículo utilizado na fuga e, a partir desse automóvel, os investigadores conseguiram avançar no rastreamento até chegar ao endereço onde ele estaria escondido.
No imóvel, localizado em outra cidade situada na região de Cianorte, os policiais encontraram um cenário que reforçou a gravidade da investigação. Foram apreendidas munições, coletes e até uma bomba de fabricação caseira, materiais que passaram a integrar o conjunto de evidências reunidas durante a operação.
Preso em Umuarama rompe o silêncio
Foi a prisão realizada em Umuarama que teria rompido uma das principais barreiras do caso: descobrir onde Stela e Letycia estavam.
Michel dos Reis Costa, o “Magrão”, foi capturado durante a megaoperação e teria revelado aos policiais a localização da cova. Segundo as informações disponíveis, ele teria ajudado a cavar o local utilizado para esconder os corpos.
A revelação conduziu as equipes até a Estrada do Porto. Depois de quatro meses de procura, o desaparecimento que mobilizou familiares, amigos e investigadores passou a ser tratado definitivamente como uma investigação de mortes e ocultação de cadáveres.
Para quem esperava pela volta das duas jovens, a sexta-feira que poderia trazer a notícia de uma localização com vida transformou-se no dia da confirmação mais cruel.
A descoberta também deverá permitir novos avanços periciais. A análise dos corpos e dos elementos recolhidos no local poderá ajudar a esclarecer a causa das mortes, a dinâmica do crime e eventualmente confrontar as versões apresentadas pelos investigados.
Após os quatro meses do desaparecimento, a terra onde Stela e Letycia foram escondidas finalmente revelou o segredo que alguém tentou sepultar junto com elas. Para a investigação, é o começo da reconstrução definitiva do crime. Para familiares e amigos, termina a espera por uma resposta, mas começa a dolorosa busca por justiça.
Meses de angústia
O encontro dos corpos ocorreu justamente nesta sexta-feira (21), quando o desaparecimento de Stela e Letycia completou quatro meses. Durante todo esse período, familiares e pessoas próximas conviveram com a ausência e com a esperança de uma resposta. A indicação dada por um dos presos levou a polícia até a Estrada do Porto, entre Rondon e Paraíso do Norte, onde a procura terminou de forma trágica.
Pista Decisiva
Preso em Umuarama, Michel dos Reis Costa, o “Magrão”, teria fornecido a informação que mudou o rumo das buscas. Ele teria ajudado a abrir a cova utilizada para enterrar as primas e revelou aos policiais onde ficava o local. A declaração levou as equipes à área rural. Agora, perícias e depoimentos serão fundamentais para definir a participação atribuída a cada investigado e reconstruir a dinâmica das mortes


