segunda-feira, 21 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Pesquisa de R$ 40 mil põe Moro na liderança e é bancada por jornal que já o chamou de “herói”

Pesquisa de R$ 40 mil põe Moro na liderança e é bancada por jornal que já o chamou de “herói”

Levantamento dá 45% ao candidato e custou cerca de 70% menos que pesquisas anteriores do instituto bancadas pelo PL

A nova pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas divulgada hoje (quinta-feira, 3), mantém Sergio Moro na liderança da corrida pelo Governo do Paraná. O resultado, porém, vem acompanhado de circunstâncias que colocam sob atenção não apenas os percentuais apresentados, mas também o contratante do levantamento, seu histórico editorial envolvendo Moro e a expressiva diferença entre o preço desta pesquisa e o de trabalhos anteriores realizados pelo mesmo instituto.

Segundo o levantamento, Moro aparece com 45% das intenções de voto. Requião Filho registra 24% e Sandro Alex, 17,5%. Na sequência estão Adriano Funileiro e Tayná Miessa, ambos com 0,9%; Doutor Alexandre Salomão e Luiz França, com 0,5% cada; e Samuel de Mattos, com 0,4%. Brancos e nulos representam 5,4%, enquanto 4,9% não souberam responder.

A pesquisa foi realizada entre 31 de agosto e 2 de setembro, com 1.280 eleitores de 56 municípios. A margem de erro informada é de aproximadamente 2,8 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-03399/2026.

Ligação Suspeita

O contratante é a Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., empresa ligada ao Diário do Poder, de Brasília. A Sedek é administrada por Tiago de Vasconcelos Rosa e Silva, diretor e fundador do veículo e filho de Cláudio Humberto, editor-chefe e principal colunista do jornal.

É justamente nesse ponto que o contexto merece atenção. O Diário do Poder possui um histórico editorial de manifestações elogiosas a Moro. Em 2019, Cláudio Humberto chegou a classificar o então ministro como “celebridade do bem, herói nacional”. Em outra publicação daquele período, Moro foi tratado como “herói da Lava-Jato”.

A proximidade editorial também apareceu posteriormente. Em abril de 2024, Moro foi entrevistado no podcast do Diário do Poder pelo próprio Cláudio Humberto. Na ocasião, teve espaço para apresentar sua versão sobre o processo que discutia a cassação de seu mandato de senador.

Nenhum desses episódios comprova interferência na elaboração da pesquisa ou nos resultados apresentados pelo Paraná Pesquisas. Entretanto, o histórico é relevante para que o leitor conheça quem está por trás da contratação do levantamento que agora coloca Moro com ampla vantagem na corrida pelo Palácio Iguaçu.

O Preço da Informação

Outro ponto que alimenta questionamentos é o custo. A pesquisa encomendada pela Sedek foi registrada por R$ 40 mil. O valor representa menos de um terço do preço informado em três levantamentos anteriores do Paraná Pesquisas sobre a eleição estadual, todos contratados pelo PL, partido de Moro.

Essas pesquisas custaram aproximadamente R$ 135 mil cada. A diferença chega, portanto, a cerca de R$ 95 mil por levantamento. Na prática, a nova pesquisa saiu aproximadamente 70% mais barata.

A disparidade chama ainda mais atenção porque não aparece, nas informações apresentadas, redução proporcional na dimensão do levantamento capaz de explicar sozinha tamanha diferença. A pesquisa atual ouviu 1.280 pessoas e manteve características gerais de levantamento presencial e domiciliar.

Preço menor, por si só, não representa irregularidade e pode decorrer de negociação comercial, logística, estrutura do trabalho ou outros fatores. Mas uma redução de aproximadamente R$ 95 mil em pesquisas do mesmo instituto e sobre a mesma eleição é um dado que merece explicação e transparência.

Números Estáticos

Nos números divulgados nesta quinta-feira, praticamente não houve alteração estatisticamente significativa entre os principais candidatos.

Moro tinha 46,1% no levantamento anterior e agora aparece com 45%, queda de 1,1 ponto. Requião Filho passou de 23,4% para 24%, enquanto Sandro Alex avançou de 16,5% para 17,5%.

Todas essas oscilações estão dentro da margem de erro de 2,8 pontos. Portanto, os próprios números não permitem concluir que houve uma mudança efetiva no desempenho eleitoral dos três principais concorrentes.

Na rejeição, Requião Filho registra 36,6%, seguido por Moro, com 24,8%, e Sandro Alex, com 10,9%. Em relação à rodada anterior, a rejeição de Moro passou de 23,8% para 24,8%.



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