O candidato ao Governo do Paraná Sergio Moro (PL) segue dando ‘bolas foras’ em suas estratégias de campanha, mostrando novamente que desconhece o Estado e seu funcionamento.
Ontem (quarta-feira, 2), em entrevista à CNN, o uso de câmeras com inteligência artificial como uma proposta para a segurança pública foi citado pelo candidato. O Smart Sampa, da cidade de São Paulo, foi apresentado como referência. A iniciativa, porém, já existe no Paraná.
Olho Vivo
O Programa Olho Vivo, que utiliza inteligência artificial integrada ao trabalho das polícias Civil e Militar, auxiliou na resolução de 1.885 casos, contribuiu para 1.300 prisões e ajudou a recuperar 557 veículos em apenas nove meses.
Em entrevista à CNN, Moro reconheceu a existência de “algumas iniciativas” semelhantes no Paraná, mas afirmou que elas não teriam “profundidade”, defendendo uma ampliação do modelo. O problema é que a afirmação desconsidera tanto os resultados já obtidos pelo Olho Vivo quanto o plano de expansão do programa paranaense.
Visão Mais Abrangente
Um levantamento da LCA Consultoria publicado nesta semana pela revista Veja mostra que o Olho Vivo Paraná apresenta resultados proporcionalmente superiores ao Smart Sampa. Considerando o número de câmeras, o sistema paranaense foi 21 vezes mais eficiente na localização de foragidos, 43 vezes nas prisões em flagrante e 108 vezes na recuperação de veículos. A comparação foi feita com 972 câmeras próprias do Paraná contra 20 mil do programa paulistano.
Os números ajudam a mostrar que a política não se resume à quantidade de câmeras, mas ao uso eficaz dos equipamentos associados à tecnologia e à inteligência policial. O Olho Vivo utiliza inteligência artificial para ler placas, identificar características de veículos e pessoas, cruzar imagens com bases policiais e gerar alertas para as equipes em campo. Em um dos casos recentes, o sistema acompanhou por cerca de 120 quilômetros um veículo que saiu de Guaíra, na fronteira com o Paraguai, até a região de Umuarama. A abordagem terminou com a apreensão de 269 quilos de maconha.
Rede de Monitoramento
E diferentemente do que propõe Moro ao tentar importar o Smart Sampa, o programa do Governo do Paraná vai muito além do videomonitoramento urbano. O programa foi concebido para formar uma rede estadual, com câmeras nas grandes cidades, mas também no interior, litoral, regiões de fronteira e em pontos estratégicos de circulação rodoviária, com integração entre as diferentes forças de segurança pública.
A escala também está em expansão. O Paraná prevê chegar a 26,5 mil câmeras integradas, somando os 5 mil equipamentos já existentes, 1,5 mil novos equipamentos instalados pelo Estado e outras 20 mil câmeras que serão adquiridas pelos municípios com R$ 400 milhões repassados a fundo perdido pelo Governo do Estado. O objetivo é levar a estrutura às 399 cidades paranaenses.
O Smart Sampa é uma experiência relevante, mas está restrito à capital paulista, enquanto o Paraná estrutura uma rede de abrangência estadual, capaz de acompanhar deslocamentos entre municípios, atuar em rodovias e reforçar a segurança em regiões de fronteira. A solução foi pensada a partir da realidade do Paraná e dos desafios específicos enfrentados pelo Estado, que possui fronteira com a Argentina e o Paraguai, além de fazer divisa com estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, condições bem distintas da realidade paulistana.
Quer Estragar o Estado
Assim como na segurança, Moro repete uma estratégia que já havia utilizado na saúde, ao propor importar uma “Tabela SUS Paulista” quando o Paraná já possui um sistema próprio de complementação financeira para procedimentos hospitalares.


