terça-feira, 22 setembro 2026
UMUARAMA/PR

12 pessoas são presas em operação contra “delivery” de drogas e lavagem de dinheiro no Paraná

12 pessoas são presas em operação contra “delivery” de drogas e lavagem de dinheiro no Paraná

Ação da Polícia Civil cumpriu 37 mandados e apreendeu drogas, armas, munições, dinheiro em espécie e veículos ligados ao grupo.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu 12 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa estruturada e armada, envolvida com tráfico de drogas, associação para o tráfico, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro. As prisões aconteceram na manhã desta terça-feira (22), durante uma operação deflagrada em Curitiba, Colombo e Guaratuba, no Paraná, e em Itapema e Itapoá, em Santa Catarina.

Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão domiciliar. A Justiça também determinou o bloqueio de 15 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados, até o limite de R$ 1 milhão, além de medidas para assegurar 10 veículos utilizados pelo grupo.

Durante as buscas, os policiais apreenderam mais de R$ 37 mil em dinheiro, 15 quilos de maconha, 24 quilos de cocaína, além de ecstasy, capulho, haxixe e 158 porções de cogumelos desidratados e embalados para comercialização.

Também foram localizadas duas pistolas, um kit tático para adaptação de arma curta, quatro carregadores de pistola, um carregador de fuzil e 189 munições de diferentes calibres, incluindo munições 5,56 mm, utilizadas em fuzis. Três veículos, 21 celulares e diversos documentos também foram apreendidos.

Investigação começou em 2025

As investigações tiveram início após a prisão em flagrante de um integrante do grupo, em novembro de 2025, no bairro Vila Izabel, em Curitiba. Na ocasião, o suspeito foi abordado pela Polícia Militar do Paraná (PMPR) enquanto conduzia um veículo equipado com um fundo falso utilizado para esconder drogas e dinheiro.

Durante as diligências, os policiais também realizaram buscas na residência do investigado, no bairro Mercês. No local, foram apreendidos 36 quilos de maconha, 72 quilos de cocaína, além de crack, metanfetamina, óleo de THC, comprimidos de ecstasy e LSD. Um fuzil calibre 5,56, munições de diferentes calibres, 16 carregadores, balanças de precisão e cadernos com a contabilidade do tráfico também foram encontrados.

A análise do material apreendido revelou, segundo a PCPR, uma estrutura hierarquizada que funcionava de maneira semelhante a uma empresa, com escalas de trabalho, dias de folga e pagamento de salários fixos aos integrantes.

De acordo com as investigações, o líder da organização definia diariamente, por meio de um grupo de mensagens, as rotas de entrega, os clientes, os tipos de drogas e os valores cobrados. Ele também fornecia os veículos utilizados na distribuição dos entorpecentes.

Ainda conforme a polícia, a esposa do suspeito auxiliava na gestão dos motoristas e no recebimento dos valores. O grupo contava também com um gerente responsável pelo armazenamento das drogas, motoristas-entregadores, pessoas encarregadas do fracionamento e pesagem dos entorpecentes e uma rede de revendedores.

As conversas analisadas pelos investigadores também indicaram negociações envolvendo fuzis e pistolas, além da intenção de instalar compartimentos ocultos em veículos para transportar drogas e armas de grosso calibre.

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Drogas e armas eram comercializadas

A investigação apontou que a organização atuava tanto na venda de drogas no varejo quanto no comércio em maiores quantidades para outros traficantes. O grupo também estaria envolvido na comercialização ilegal de armas para outros criminosos.

Segundo a PCPR, uma das estratégias utilizadas para esconder drogas e armas era a manutenção de “casas-cofre” em regiões residenciais de Curitiba.

No setor financeiro, os investigadores identificaram um esquema de lavagem de dinheiro que utilizava empresas de fachada, contas bancárias de familiares e terceiros e linhas telefônicas cadastradas em nome de outras pessoas.

“Diligências de campo constataram que diversas dessas empresas não existem fisicamente e não possuem funcionários registrados. Uma delas, formalmente dedicada à revenda de veículos, recebia de forma sistemática os pagamentos via Pix decorrentes da venda de drogas, enquanto outra movimentou mais de R$ 2 milhões com o operador financeiro da organização”, detalhou o delegado da PCPR Victor Loureiro Mattar Assad.

A investigação também identificou a aquisição de um imóvel registrado em nome de uma terceira pessoa, acompanhada de um contrato de locação simulado, que teria sido utilizado para dar aparência de legalidade ao patrimônio.

Mesmo após a prisão do gerente do grupo, a organização teria mantido as atividades, segundo a PCPR. Para a polícia, a continuidade das ações criminosas demonstrou a capacidade de reorganização do grupo.

Com a operação, a PCPR busca interromper as atividades da organização e descapitalizar o grupo. Os valores, documentos, veículos e aparelhos eletrônicos apreendidos serão periciados e analisados pelos investigadores. O trabalho poderá auxiliar na identificação de outros integrantes, colaboradores e bens que tenham sido ocultados pela organização.



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