O ex-governador e deputado federal Beto Richa (PSDB) afirmou, em entrevista ao Portal XV Curitiba na última quinta-feira (24), que uma eventual eleição de Sergio Moro (PL) ao Governo do Paraná seria uma “tragédia” para o Estado. Questionado se teria “medo” de uma vitória do senador, Richa disse não temer pessoalmente o resultado, mas afirmou estar preocupado com os rumos do Paraná.
“Medo pessoal eu não tenho, mas tenho medo pelo meu Estado, que eu ajudei a construir e que meu pai foi um grande governador reconhecido pelos paranaenses”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à decisão de Moro de se manter distante dos principais espaços de confronto da campanha. O candidato faltou ao debate da Band, em 9 de agosto, ao debate da TMC, em 26 de agosto, e ao debate promovido pela Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (Aerp) e pela Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), em 23 de setembro. Moro também não compareceu a sabatinas importantes, como as promovidas pela BandNews Curitiba e pelo Grupo Massa, das quais outros candidatos participaram.
A ausência nos debates e a falta de aprofundamento das propostas têm sido alvo de críticas durante a campanha. Em vez de apresentar detalhadamente suas posições para áreas como saúde, educação, infraestrutura e geração de empregos, Moro tem concentrado boa parte de seu discurso em poucos motes, como a promessa de transformar o Paraná em uma “fortaleza” e o enfrentamento político ao atual governo federal.
É justamente essa falta de clareza sobre o que pretende fazer no Estado que Richa questionou. “Tem que ir, mostrar a que veio, o que pensa do Estado, quais são suas propostas para a educação, saúde, geração de emprego, para infraestrutura do Estado. Mas o tempo todo ele só fica falando: ‘Vou fazer do Paraná a nossa Fortaleza’, ‘Prendi o Lula’. Como se isso fosse atributo suficiente para governar um estado do porte do Paraná”, disse.
Ex-governador por dois mandatos, Richa afirmou ainda que governar o Paraná exige “discernimento, sabedoria, coragem e pulso firme”, além da formação de uma equipe qualificada. “Eu não vejo nele essa capacidade”, declarou.
“Se ele for eleito, e eu acredito e espero que não seja, será uma tragédia para o Estado do Paraná”, concluiu.


