Umuarama amanheceu nesta quarta-feira (30) diante de um cenário de destruição e de uma perda irreparável. O temporal que atingiu a cidade no fim da tarde de ontem (terça-feira, 29), com rajadas superiores a 100 quilômetros por hora, segundo o Simepar, derrubou árvores, atingiu a rede elétrica e bloqueou ruas e avenidas. Entre os estragos ainda em levantamento, a tragédia no Harmonia Clube de Campo deixou uma família em luto e outro homem hospitalizado.
O advogado da Prefeitura de Perobal, Rafael Paião, morreu após a queda da estrutura que cobria a quadra de tênis do complexo esportivo do clube. No mesmo episódio, João Paulo Siqueira ficou gravemente ferido e foi internado no Hospital Nossa Senhora Aparecida. Conforme as informações disponíveis até a elaboração desta reportagem, seu estado era grave, mas estável. A violência do vendaval deixou, naquele espaço, consequências que vão muito além dos danos materiais.
A morte de Rafael é a face mais dolorosa de uma noite que mudou a rotina de Umuarama. Enquanto a cidade começa a dimensionar os prejuízos, a perda de uma vida transforma o balanço do temporal em uma notícia marcada pela tristeza. Até aquele momento, não havia informação sobre outras pessoas feridas em decorrência da tempestade.
Na região da Praça Anchieta, uma das mais atingidas, grandes árvores caíram sobre a estrutura de distribuição de energia da Copel. Troncos e galhos passaram a ocupar espaços por onde, diariamente, circulam moradores e veículos. O cenário revelou a força de um vento capaz de derrubar árvores de grande porte e interromper caminhos conhecidos da população.
Na Avenida Ângelo Moreira da Fonseca, no trecho conhecido pela realização da feira às quartas-feiras, a passagem foi interditada. Nas proximidades, a Avenida Pirapó também sofreu bloqueios: no sentido da Praça Portugal, dois trechos de uma das pistas foram fechados por causa de árvores caídas. A paisagem habitual deu lugar a obstáculos que exigiram mudanças de percurso logo nas primeiras horas do dia.
Todos os secetários municipais se mobilizaram logo pela manhã para avaliar os estragos na cidade. O secretário de Agricultura, Claudio Marconi esteve neste ponto da cidade.
Pela distribuição dos danos relatados, a impressão era de que o vento avançou do noroeste, da região do Parque das Jaboticabeiras em direção ao Centro. Essa percepção sobre o trajeto do vendaval, entretanto, não equivale a uma confirmação técnica da direção das rajadas. O dado atribuído ao Simepar aponta a intensidade dos ventos, que ultrapassaram os 100 quilômetros por hora.
Ainda pela desta desta quarta-feira, o horário de saída para o trabalho encontrou uma cidade com sua circulação comprometida. O trânsito se concentrou nas vias que permaneciam livres, enquanto outros caminhos estavam interditados pelas equipes ou obstruídos por árvores, galhos e estruturas derrubadas. Com menos alternativas, os veículos se acumularam e os deslocamentos ficaram mais demorados.

As vias rápidas estiveram entre as opções mais procuradas pelos motoristas, ampliando a concentração de tráfego. Para quem precisava chegar ao trabalho, o percurso habitual passou a exigir desvios e paciência. Os atrasos refletiam uma dificuldade coletiva: atravessar uma cidade que ainda carregava, nas ruas, as marcas do temporal da véspera.
A Defesa Civil municipal seguia contabilizando os estragos. Até o momento das informações repassadas, não havia notícia de famílias desabrigadas em razão de destelhamentos ou de problemas estruturais em residências. O levantamento permanecia em andamento, e a dimensão dos prejuízos ainda não estava fechada.
A cidade enfrenta os estragos enquanto lamenta uma vida perdida.



