A campanha eleitoral chega ao fim com candidatos a deputado do PL endividados e cobrando do presidente estadual do partido, o deputado federal e candidato a senador Filipe Barros pelos compromissos assumidos e não honrados. A cobrança, que era interna, no entanto, veio a público nesta semana, quando o ex-prefeito de Assaí e candidato a deputado estadual Luiz Mestiço publicou um vídeo acusando Filipe Barros de não cumprir as promessas de financiamento de campanha.
Mestiço, que recebeu R$ 180 mil do fundo eleitoral do PL, revelou que os candidatos entraram na disputa contando com valores previamente acertados pelo partido e assumiram compromissos financeiros com fornecedores e trabalhadores a partir dessa previsão.
No caso dos deputados estaduais que já possuem mandato, Mestiço afirma (e vários deputados, na condição de não revelarem seus nomes, confirmaram) que o compromisso era de R$ 1 milhão para cada candidatura, com o pagamento integral até 30 de setembro.
Os números declarados à Justiça Eleitoral ajudam a dimensionar a reclamação.
Entre candidatos do PL que já exercem mandato, Jacovós recebeu R$ 410 mil; Denian Couto, R$ 410 mil; Gilberto Ribeiro, R$ 410 mil; Jairo Tamura, R$ 410 mil; Mauro Moraes, R$ 274 mil; Paulo Gomes, R$ 471 mil; e Samuel Dantas, R$ 410 mil.
Se o acordo relatado por Mestiço era efetivamente de R$ 1 milhão para cada parlamentar, todos esses candidatos chegaram à reta final da campanha com menos da metade do valor que lhes teria sido prometido.
Há ainda um caso que chama especialmente a atenção: Flávia Francischini.
Deputada estadual e candidata à reeleição, Flávia recebeu “apenas” R$ 200 mil do Fundo Eleitoral da direção nacional do PL.
A diferença ganha relevância porque, durante a própria campanha, Filipe Barros explicou publicamente os critérios adotados pelo partido para a distribuição do dinheiro. Ao ser questionado sobre reclamações internas, afirmou que as mulheres haviam recebido primeiro os recursos do Fundo Eleitoral e que candidaturas com mandato teriam direito a valores maiores, conforme o histórico eleitoral e o potencial de eleição.
Flávia Francischini reúne as duas características: é mulher e é deputada com mandato. Ainda assim, recebeu R$ 200 mil do Fundo Eleitoral.
Outras candidatas mulheres do PL, sem mandato de deputada estadual, receberam valores muito superiores. Delegada Tathiana Guzella recebeu R$ 900 mil. Jessicão também recebeu R$ 900 mil. A campeão da cota feminina do PL do Paraná é a deputada federal por São Paulo Rosângela Moro, com R$ 2,6 milhões do fundo eleitoral em sua campanha.
A legislação eleitoral determina uma destinação mínima de recursos públicos para o financiamento das candidaturas femininas, mas não obriga o partido a distribuir igualmente o dinheiro entre todas as mulheres. Portanto, a diferença entre os valores não representa, por si só, uma irregularidade.
Mestiço foi além da reclamação sobre atraso ou redução dos repasses. Durante a entrevista, acusou Filipe Barros de utilizar em sua própria candidatura recursos que, segundo ele, deveriam financiar outros candidatos do partido. Cadê o dinheiro, Filipe Barros?


