domingo, 4 outubro 2026
UMUARAMA/PR

Da Lava Jato ao Palácio Iguaçu, Sergio Moro é eleito governador do Paraná pelo PL

Da Lava Jato ao Palácio Iguaçu, Sergio Moro é eleito governador do Paraná pelo PL

Ex-juiz deixou a magistratura para ser ministro de Bolsonaro, rompeu com o presidente, chegou ao Senado e agora conquista o comando do Paraná

Da cadeira de juiz federal que comandou os principais processos da Operação Lava Jato ao Palácio Iguaçu. A eleição de Sergio Moro (PL) para governador do Paraná encerra, pelo menos eleitoralmente, uma das mais turbulentas trajetórias da política brasileira recente: marcada pela ascensão meteórica, pelo ingresso no governo Jair Bolsonaro, por um rompimento ruidoso e, anos depois, por uma surpreendente reaproximação com o grupo político do ex-presidente.

Às 20h, com 99,17% das urnas apuradas, Moro vencia numericamente no primeiro turno, com 50,18% (3.106.644) dos votos.

O candidato do Governador Ratinho Junior, Sandro Alex, obteve 25,29% (1.565.324) dos votos e o terceiro colocado, Requião Filho, obteve 23,46% (1.452.503) dos votos.

Moro ganhou projeção nacional como juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e tornou-se o principal rosto da Lava Jato. Em 2018, deixou a magistratura para aceitar o convite de Jair Bolsonaro e assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A entrada no governo transformou definitivamente o juiz em personagem político.

A parceria, entretanto, durou pouco. Em abril de 2020, Moro deixou o ministério acusando Bolsonaro de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. O rompimento foi público, duro e abriu uma guerra de declarações entre antigos aliados.

Longe do governo, Moro entrou definitivamente na política partidária. Filiou-se ao Podemos em 2021 com pretensões presidenciais, deixou a legenda no ano seguinte e ingressou no União Brasil. Em 2022, abandonou o projeto presidencial e conquistou uma cadeira no Senado pelo Paraná.

Os caminhos de Moro e do bolsonarismo, porém, voltariam a se cruzar.

Depois de anos de divergências, o senador iniciou uma aproximação com Jair Bolsonaro e seus aliados. O movimento ganhou dimensão ainda maior com sua chegada ao PL, partido que abriga o ex-presidente e boa parte de seu grupo político. A composição teve sua dose de ironia: Moro passou a dividir legenda justamente com personagens com quem travara duros embates políticos.

Até mesmo a relação com Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, carregava cicatrizes desse passado. As divergências não desapareceram da memória política, mas deram lugar ao pragmatismo eleitoral. Em 2026, Moro chegou à disputa paranaense já apresentado como candidato preferido de Flávio Bolsonaro no Estado, numa demonstração de que antigas trincheiras haviam sido desmontadas em nome de uma nova aliança.

No Paraná, o PL montou em torno de Moro uma frente que reuniu também Novo e Podemos — curiosamente, o partido pelo qual ele havia iniciado sua trajetória eleitoral anos antes. A coligação ainda colocou ao seu lado dois personagens ligados à Lava Jato na disputa pelo Senado: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).

Para completar a chapa ao governo, Moro escolheu como candidato a vice o empresário e engenheiro civil Edson Vasconcelos (PL). Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Vasconcelos acrescentou à candidatura uma ligação direta com o setor produtivo paranaense.

Moro iniciou a campanha como favorito e permaneceu na liderança das principais pesquisas. Em agosto, levantamento IRG apontava a chapa Moro/Vasconcelos com 40,2%. Em setembro, o Paraná Pesquisas registrou 44,7%, enquanto a AtlasIntel chegou a apontar 49,1%, colocando no horizonte até mesmo a possibilidade de definição no primeiro turno.

Neste domingo, a caminhada iniciada nos gabinetes da Justiça Federal ganhou seu capítulo mais importante nas urnas. Sergio Moro deixa a condição de senador para ser eleito governador do Paraná, tendo Edson Vasconcelos como vice.

É uma chegada ao Palácio Iguaçu construída por caminhos que, poucos anos atrás, pareceriam improváveis. Moro foi juiz da Lava Jato, ministro de Bolsonaro, adversário do bolsonarismo, presidenciável pelo Podemos, senador pelo União Brasil e, finalmente, candidato ao governo pelo PL.

Depois de romper com Bolsonaro e posteriormente reconstruir pontes com seu grupo político, Moro chega ao comando do Estado justamente carregando o número 22 — a mesma legenda que um dia esteve do outro lado de sua mais barulhenta ruptura política.

 



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