Depois de um setembro marcado por temporais violentos e graves prejuízos, Umuarama deu um passo para fortalecer a prevenção e a resposta aos eventos climáticos extremos. A Câmara Municipal aprovou, por unanimidade e em dois turnos consecutivos de discussão e votação, na sessão extraordinária realizada na tarde de ontem (5), o projeto que ratifica a participação do município no Consórcio Nacional para Gestão Climática e Prevenção de Desastres (Conclima).
A proposta, encaminhada pelo prefeito Fernando Scanavaca em regime de urgência, ratifica o protocolo de intenções já subscrito pelo município. Com a aprovação, Umuarama poderá participar formalmente da constituição e da governança do consórcio, criado para reunir municípios em ações de gestão climática, prevenção e enfrentamento de desastres.
A decisão acontece poucos dias depois de a cidade sentir dramaticamente a força da natureza. No fim de setembro, rajadas superiores a 100 km/h derrubaram árvores e postes, atingiram imóveis, bloquearam ruas e avenidas e deixaram diferentes regiões sem energia elétrica. Os estragos mobilizaram equipes públicas e concessionárias em uma extensa operação de recuperação.
A justificativa apresentada pelo Executivo destaca que a intensificação dos eventos extremos impõe responsabilidades cada vez maiores aos municípios, muitos deles sem recursos financeiros, equipamentos ou equipes técnicas suficientes para enfrentar sozinhos ocorrências de grande proporção.
Dados da Confederação Nacional de Municípios (CNM), citados no projeto, apontam que os desastres naturais provocaram R$ 785,4 bilhões em prejuízos no Brasil entre 2013 e 2025. As secas responderam por R$ 458,3 bilhões, enquanto as chuvas causaram perdas de R$ 222,9 bilhões. Outros tipos de desastre somaram R$ 104,2 bilhões.
O diagnóstico revela ainda que apenas 29% dos municípios consultados afirmaram possuir condições para enfrentar os desafios climáticos. Outros 93% apontaram necessidade de recursos financeiros e 70% indicaram carência de capacitação técnica. Na Defesa Civil, somente 12% teriam equipes exclusivas com infraestrutura, veículos e equipamentos considerados adequados.
Prevenção reforçada
O Conclima pretende atuar justamente nessas fragilidades. Entre as ações previstas estão capacitação e estruturação das Defesas Civis municipais, elaboração de planos de adaptação climática, mapeamento de áreas de risco, implantação de sistemas de alerta e estações meteorológicas e apoio na captação de recursos.
A entidade terá personalidade jurídica de direito público e integrará a administração indireta dos municípios participantes, com autonomia administrativa e financeira. Embora estimulada pela CNM, será independente da confederação.
Custos futuros
O projeto aprovado ainda não estabelece quanto Umuarama deverá desembolsar para participar do consórcio. Orçamento, despesas, contribuições municipais e critérios de rateio serão definidos após a constituição formal da entidade, considerando o número de participantes e sua estrutura administrativa.
Conclima
Segundo a Prefeitura, a ratificação permite que Umuarama participe desde o início da construção e da governança do Conclima, preservando a autonomia para analisar posteriormente os compromissos financeiros. A aprovação chega em um momento simbólico. Depois de uma tempestade que deixou um rastro de destruição, a cidade começa a deslocar parte do esforço da reconstrução dos estragos para um desafio ainda maior: estar preparada antes que o próximo evento extremo aconteça.


