O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou três policiais civis por suspeita de abuso de autoridade após a realização de uma operação sem autorização oficial, em Curitiba. Segundo a investigação, a diligência teria sido usada para promover a imagem pública dos envolvidos com possíveis objetivos eleitorais. O caso ocorreu em 21 de março de 2024, no bairro Bacacheri, e envolveu o deputado estadual e delegado Tito Barichello (PL) e a vereadora de Curitiba Tathiana Guzella (PL) por terem anunciado e divulgado uma operação policial fake sem autorização em março de 2024. Na data, Barrichello exercia mandato de deputado estadual Thatiana estava cedida a gabinete do deputado federal Felipe Francischini. Os dois estavam afastados da Polícia Civil.

A denúncia foi apresentada em 11 de outubro de 2026 pela 2ª Promotoria de Justiça de Prevenção e Persecução Criminal de Curitiba. Conforme o Ministério Público, na época dos fatos, um dos delegados exercia mandato de deputado estadual, enquanto os outros dois policiais estavam cedidos a gabinetes parlamentares na Assembleia Legislativa do Paraná e na Câmara dos Deputados.
As apurações realizadas pela Corregedoria da Polícia Civil apontaram que os três teriam usado a condição de agentes públicos para realizar uma diligência em uma residência sem comunicar formalmente a operação aos órgãos responsáveis da instituição. A ação também não teria contado com uma equipe oficial da Polícia Civil nem com apoio operacional institucional.
De acordo com a investigação, os policiais utilizaram um veículo particular equipado com sinalizador luminoso no painel e vestiram coletes balísticos com insígnias oficiais e distintivos da Polícia Civil do Paraná. A movimentação foi acompanhada ao vivo por uma equipe de televisão e divulgada nos perfis pessoais dos denunciados nas redes sociais.
DILIGÊNCIA ASSOCIADA A OUTRO CASO
Um dos pontos destacados pelo Ministério Público é a forma como a operação foi apresentada ao público. Segundo a denúncia, as publicações relacionaram a diligência à procura de um suspeito de mandar matar um advogado. No entanto, a ordem judicial que fundamentava a entrada na residência tinha outra finalidade: apurar o descumprimento de uma medida protetiva de urgência.
Para a Promotoria, a divulgação da ação, com uso de símbolos e da condição funcional dos policiais, teria servido para gerar visibilidade pessoal e impulsionar interesses eleitorais. O órgão sustenta que os denunciados buscaram obter vantagem indevida por meio da exposição na televisão e nas redes sociais.
Na denúncia, o Ministério Público argumenta que os investigados teriam se valido dos cargos públicos e da imagem institucional da Polícia Civil para promover a própria imagem. A acusação, porém, ainda precisa passar pela análise da Justiça, e os denunciados terão oportunidade de apresentar suas versões e argumentos de defesa.
PORTE ILEGAL DE ARMA
Além do suposto abuso de autoridade, o deputado estadual e o agente de polícia judiciária também foram denunciados por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. A acusação adicional se refere a esses dois denunciados, não havendo a mesma imputação mencionada para o segundo delegado.
O processo ainda está em fase inicial. A denúncia não havia sido recebida pela Justiça até a divulgação das informações. A 4ª Vara Criminal de Curitiba determinou que os três fossem notificados para apresentar resposta preliminar, procedimento previsto no Código de Processo Penal antes da análise sobre o recebimento da acusação.
Essa etapa permite que os denunciados se manifestem sobre os fatos e apresentem argumentos antes de uma decisão judicial sobre o prosseguimento da ação penal. Portanto, a apresentação da denúncia não significa condenação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos dependerá da análise judicial e das provas produzidas no processo.


