terça-feira, 27 outubro 2026
UMUARAMA/PR

Emboscada, execução e corpos enterrados: Polícia conclui investigação da chacina de Icaraíma

Emboscada, execução e corpos enterrados: Polícia conclui investigação da chacina de Icaraíma

Quatro integrantes da família Buscariollo são indiciados pela morte dos cobradores de uma dívida de R$ 255 mil; todos estão presos

O que começou como uma viagem para cobrar uma dívida de R$ 255 mil terminou em uma emboscada mortal, quatro homens executados a tiros, uma caminhonete enterrada e corpos escondidos em uma vala clandestina. Mais de um ano depois do crime que chocou Icaraíma, abalou o Noroeste do Paraná e ganhou repercussão nacional, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o quádruplo homicídio ocorrido em 5 de agosto de 2025. Quatro investigados foram indiciados e estão presos preventivamente.

As vítimas, Alencar Gonçalves de Souza Giron, Diego Henrique Afonso, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira, desapareceram após seguirem até uma propriedade rural para tentar resolver uma pendência financeira relacionada à venda de um imóvel.

Segundo a investigação, a dívida estava representada por dez notas promissórias, que totalizavam R$ 255 mil. Alencar havia recorrido aos serviços dos três cobradores, que saíram de São José do Rio Preto, no interior paulista, em 4 de agosto de 2025. No dia seguinte, os quatro foram vistos juntos pela última vez.

O que eles não sabiam, conforme a conclusão da Polícia Civil, era que a tentativa de cobrança terminaria em uma ação criminosa previamente planejada.

Viagem sem volta

De acordo com o inquérito, os quatro homens foram atraídos até uma propriedade rural, onde acabaram surpreendidos por uma emboscada. Os investigadores concluíram que as vítimas foram executadas com disparos de armas de fogo de diferentes calibres.

Depois dos assassinatos, os responsáveis teriam organizado a ocultação dos corpos e do veículo utilizado pelas vítimas, além de adotar medidas para eliminar vestígios e dificultar o trabalho policial.

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Arquivo – Portal Umuarama News

O desaparecimento mobilizou familiares, investigadores e equipes de segurança durante semanas. A esperança de encontrar os homens vivos deu lugar a uma investigação de homicídio, enquanto as buscas se concentravam em extensas áreas rurais de Icaraíma.

Em 12 de setembro de 2025, uma descoberta mudou os rumos do caso: a caminhonete Fiat Toro utilizada pelas vítimas foi encontrada enterrada em uma estrutura clandestina, semelhante a um bunker, em uma região de mata.

O veículo apresentava perfurações provocadas por disparos de arma de fogo e vestígios de sangue, reforçando a suspeita de que os quatro haviam sido vítimas de uma execução.

Sete dias depois, em 19 de setembro, veio a confirmação mais dolorosa para as famílias. Após 45 dias de desaparecimento, os quatro corpos foram encontrados enterrados em uma vala na zona rural, nas proximidades do local onde a caminhonete havia sido localizada.

Investigação aberta

A conclusão do Inquérito Policial nº 245293/2025 aponta Antônio Buscariollo, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, Carlos Henrique Buscariollo e Carlos Eduardo Cândido Buscariollo como envolvidos na ação criminosa.

Os quatro foram indiciados por homicídio qualificado, quatro vezes, ocultação de cadáver, também quatro vezes, associação criminosa e fraude processual.

Antônio, Paulo Ricardo e Carlos Henrique foram presos em agosto de 2026, após uma operação policial no interior paulista. Carlos Eduardo também passou a integrar o grupo de investigados sob custódia.

A investigação exigiu centenas de diligências, análises balísticas, perícias em dispositivos eletrônicos, exames de dados financeiros e telemáticos, além da coleta de depoimentos de dezenas de testemunhas.

Participaram dos trabalhos equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal e Força Nacional, além de unidades especializadas, como o Grupo Tigre.

Mesmo com a conclusão do inquérito principal, a história ainda não chegou ao seu capítulo definitivo.

Os autos foram encaminhados ao Ministério Público, que deverá avaliar as provas e decidir sobre o oferecimento de denúncia. Paralelamente, a Polícia Civil continuará investigando a possível participação de outras pessoas na execução, no apoio logístico e na ocultação dos vestígios.

A defesa dos investigados já havia negado o envolvimento deles no crime e ressaltado a necessidade de respeito à presunção de inocência.

Para as famílias de Alencar, Diego, Rafael e Robishley, o encerramento dessa etapa representa um avanço na busca por respostas sobre uma viagem que terminou em tragédia.

Quatro vidas foram interrompidas. Uma dívida de R$ 255 mil deu origem a uma investigação sobre assassinatos planejados. E, depois de mais de um ano de buscas, prisões e perícias, a Justiça terá a tarefa de avaliar as responsabilidades apontadas pela Polícia Civil.



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