Uma tragédia marcada por tiros, duas vidas interrompidas e a suspeita de uma vingança que teria ultrapassado qualquer limite ganhou um novo capítulo em Umuarama. O homem investigado pelos assassinatos de Marcelo Hypólito, de 41 anos, e Marcos Romero Hypólito, de 26, tio e sobrinho, apresentou-se à Polícia Civil na tarde de hoje (6) e confessou ter efetuado os disparos que mataram os dois familiares.
Acompanhado de um advogado, o suspeito compareceu à delegacia dois dias depois do crime, ocorrido na noite de quarta-feira (4), no Parque Tarumã. Durante o depoimento, afirmou ter agido sozinho. Entretanto, uma pergunta fundamental permanece sem resposta: onde está a arma utilizada para tirar a vida das vítimas?
O investigado não revelou aos policiais o paradeiro do armamento, que poderá ser importante para os exames periciais e para a reconstrução dos acontecimentos.
NOITE DE TERROR
O cenário da tragédia foi um estabelecimento comercial na Rua Ayrton Senna, onde Marcelo e Marcos estavam sentados a uma mesa, por volta das 20h.
Segundo testemunhas, um automóvel prata parou nas proximidades. O motorista teria aberto a porta, feito provocações e, momentos depois, disparado diversas vezes contra os dois homens.
A violência do ataque não deixou chances de sobrevivência. Quando as equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegaram, tio e sobrinho já estavam mortos.
A Polícia Militar isolou a área para o trabalho dos investigadores e da Polícia Científica. Estojos, projéteis e munições foram recolhidos para análise.
SUSPEITA DE VINGANÇA
Por trás do duplo assassinato pode existir uma história ainda mais dolorosa, iniciada no fim de 2025, quando uma criança de apenas quatro anos morreu atropelada.
Conforme relato de um familiar das vítimas ao Jornal Ilustrado, Marcelo e Marcos seriam parentes do homem envolvido naquele atropelamento, mas não teriam qualquer participação na morte da criança.
A hipótese apresentada é de que o autor dos disparos estivesse procurando o responsável pelo acidente e tenha encontrado os dois familiares no estabelecimento comercial.
O mesmo relato menciona desentendimentos anteriores entre pessoas ligadas às duas famílias.
A possível vingança, entretanto, ainda não foi comprovada oficialmente. Cabe à Polícia Civil esclarecer se os assassinatos realmente possuem ligação com a morte da criança.
DESPEDIDA E INVESTIGAÇÃO
Enquanto a investigação avançava, familiares e amigos enfrentavam a despedida de Marcelo e Marcos.
Os dois foram velados na Capela 3 da Acesf e tiveram sepultamento marcado para sexta-feira (6), às 16h, no Cemitério Municipal de Umuarama. Segundo informações divulgadas pela administração funerária, tio e sobrinho seriam sepultados no mesmo túmulo.
Agora, os investigadores trabalham para esclarecer completamente a dinâmica do ataque, localizar a arma e determinar a motivação dos homicídios.
A confissão representa um avanço importante, mas não encerra o caso. A investigação ainda deverá confrontar o depoimento do suspeito com os elementos periciais e demais provas.
Duas mortes, uma família atingida pela violência e a suspeita de uma tragédia alimentando outra: o caso deixa perguntas que somente a investigação poderá responder.


