Todo o Paraná sofre com viaturas paradas, aguardando manutenção. Quando um serviço como este é prestado com má qualidade, o Estado desprestigia seus órgãos de segurança. A constatação é do deputado estadual Delegado Fernando (PSL), membro da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga o contrato de revisão e consertos da frota pública paranaense com a empresa JMK.
A CPI foi instituída oficialmente na última segunda-feira (20), com a publicação no Diário Oficial e tem o parlamentar do noroeste como um de seus membros titulares. “A JMK terá a oportunidade para esclarecer o que levou a esta situação que corriqueiramente temos enfrentado. É algo absurdo, que precisa de solução imediata. Tenho recebido reclamações constantes principalmente das forças policiais e vou fundo para resolvermos esta situação”, afirmou.
Em fevereiro passado, dados do governo levantados pelo site Plural apontam que 4 mil veículos de toda a frota estavam fora de operação com algum tipo de ordem de serviço, sendo que, destes, 685 encontravam-se nas oficinas, em execução.
O governo critica duramente a qualidade dos serviços prestados. Segundo a Seap (Secretaria de Administração e Previdência), a JMK vem apresentando dificuldades na satisfação de todas as demandas dos órgãos usuários. “Há registro de reclamações generalizadas, tanto dos órgãos que utilizam o serviço da empresa – em função da demora no atendimento – quanto das oficinas, que denunciam não serem pagas pela JMK”.
A empresa licitada, por sua vez, diz, em nota, que considera a CPI uma oportunidade para esclarecer “os frequentes atrasos de pagamentos por parte do governo do Paraná”, que vêm ocorrendo desde o início do contrato, em 2015, e aponta que tem mais de R$ 8,6 milhões para receber, em valores corrigidos.
O governo contesta: “O máximo de atraso à empresa corresponde a um mês de pagamento. E isso se dá pela ausência de mecanismo eletrônico para o ateste de notas fiscais, o que acontece desde o início do contrato e deixa o processo mais demorado”.
A dotação orçamentária para 2019 com gastos para manutenção de 17,2 mil veículos que integram a frota do governo é de R$ 76 milhões. A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) responde por cerca de 60% da frota, e R$ 56 milhões deste orçamento.
Nota da JMK
“A JMK assumiu a gestão da frota para solucionar uma situação bastante grave, que, entre outras dificuldades, ficou marcado pelo caso conhecido como Máfia das Oficinas. Em resposta a isso, nosso sistema oferece um grande controle, transparência e economia para o estado do Paraná.
Em 2013, na época que foi denunciado o caso das Máfia das Oficinas, anterior à entrada da JMK, foram gastos mais de R$ 71 milhões na manutenção da frota do Paraná. Em 2018, já com o sistema da JMK, foram gastos apenas R$ 43 milhões. Isto representa uma economia de R$ 28 milhões, e com 5 mil carros a mais na frota atualmente.
Antes de a JMK assumir, 60% da frota do Paraná estava parada para reparos, em média. Atualmente, este índice caiu para apenas 26%, o que é considerado como aceitável pelo uso severo dos carros.
No período anterior à entrada da JMK, apenas 37 oficinas atendiam toda frota do estado. Atualmente, contamos com 1088 oficinas credenciadas em todo o Paraná para atender o governo. Todas trabalham por meio de um sistema informatizado que guarda dados completos e notas fiscais dos reparos de cada um dos 20.229 veículos do governo cadastrados. Isto gera um grande controle e transparência.
Salientamos que estes avanços poderiam ser ainda maiores, não fossem os frequentes atrasos de pagamento que se repetem nos últimos quatro anos. De todos os pagamentos recebidos pela JMK desde o começo do contrato, mais de 50% foram feitos pelo governo com atraso.
(Com informações do Plural.jor.br)


