Odair José da Silva, 39 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Militar por volta das 19h40min de ontem em Umuarama quando tentava estuprar uma mulher de 31 anos dentro de um veículo Fiat Uno.
O fato aconteceu no cruzamento da Avenida José Germano Neto Junior e Avenida Ângelo Moreira da Fonseca, transeuntes alertaram uma viatura da PM que passava pelo local de que um casal dentro do veículo estacionada estavam em atitude suspeita. Durante a abordagem foi constatado a tentativa de estupro.
Segundo a vítima, ela foi abordada pelo criminoso quando estava entrando no carro do tio que estava na feira, ela relatou ainda ameaçada a todo o momento por Odair que dizia estar armado com uma faca.
O homem foi encaminhado à 7° SDP.
Uma adolescente que foi estuprada no último dia 19 nas proximidades do Bosque Uirapuru, em Umuarama, relatou à polícia civil as mesmas características de Odair como sendo o homem que a estuprou.
Durante o interrogatório, Delegada da Delegacia da Mulher de Umuarama, Isabelle Freitas Rodrigues, percebeu que o indivíduo autuado em flagrante possuía as mesmas características mencionadas pela primeira vítima, a adolescente que posteriormente foi levada à 7° SDP e reconheceu Odair como o autor do estupro, ou seja, em menos de uma semana, o mesmo indivíduo praticou dois estupros na cidade de Umuarama. Também foi verificado que os documentos do autuado apresentou não eram seus, as fotografias demonstraram nitidamente que não era Odair José da Silva, ou seja, a polícia não sabe ainda se o autuado possui antecedentes criminais, algum mandado de prisão ou condenado por outros crimes sexuais, já que o documento que portava não era dele.
DADOS
Segundo os dados da Delegacia da Mulher de Umuarama, nos últimos 20 dias foram registrados seis casos de estupro contra mulheres só na cidade de Umuarama, isso significa aproximadamente um estupro a cada três dias. Contudo, segundo estudos realizados sobre os crimes sexuais, somente um terço das vítimas procuram as autoridades para relatarem os fatos, ou seja, há uma subnotificação desses crimes. Isso significa que a incidência de tais crimes pode ser muito maior do que demonstra os registros policias.
CAMPANHA

Na noite da última quinta-feira (25), a equipe da Delegacia da Mulher de Umuarama, professores e alunos do Curso de Psicologia da UNIPAR, realizaram uma campanha educativa com o objetivo de chamar a atenção para a violência praticada contra mulheres. Os panfletos foram distribuídos nos bares da cidade, nas proximidades da Universidade Paranaense.
Algumas críticas foram veiculadas sobre a campanha, algumas afirmaram que não necessária ou irrelevante. Contudo é necessário salientar vale ressaltar que uma campanha que chama a atenção aos abusos e discriminações praticados contra mulheres nunca poderá ser irrelevante ou desnecessária numa sociedade onde objetifica a mulher e transmite a ideia de que as mulheres estão à disposição dos homens , com fundamento numa cultura machista e misógina que sem uma profunda reflexão de toda a sociedade, em enfrentamento cultural e educacional, jamais o preconceito contra as mulheres desparecerá.
Outro fato relevante deve ser ressaltado, ao final da campanha, as estagiárias da Delegacia e a maioria das alunas de psicologia relataram que foram molestadas sexualmente por grande parte dos homens que estavam recebendo os panfletos e, muito deles, inclusive, fizeram comentários machistas, fazendo referência à sexualidade das meninas e, com isso, desmerecendo e desprezando tanto o recado transmitido pela campanha, quanto a autoridade da polícia que estava acompanhando de perto a distribuição do material educativo. Isso só demonstra o quanto é preciso avançar no que diz respeito a alteração da visão de que a mulher deve estar disponível para ser “consumida” pelos homens, pois as mulheres sofrem assédios cotidianos e os agressores estão muito próximos, são muitas vezes os amigos, filhos, pais, maridos, namorados, irmãos, colegas de trabalho, ou ainda, desconhecidos que, devido a uma cultura de sobreposição do homem em relação as mulheres, em reflexo a uma cultura patriarcal e machista, transmitem valores que transforma as mulheres em vítimas de comentários desagradáveis e atitudes agressivas, práticas que ocorrem tanto nos espaços públicos quanto nos espaços privados.
A violência sexual é aquela que traz de maneira mais clara a reiteração de estereótipos de gênero por parte dos indivíduos do sexo masculino e a misoginia é a forma mais antiga, mais estruturada, mais sólida e mais presentes de todos os preconceitos. A violência sexual sofrida pelas mulheres que foram vítimas na cidade de Umuarama só demostra a importância da transmissão de valores que combatem os estereótipos de gênero, que por sua vez, culminam em diversas formas de violência, como o da natureza sexual. Vale ressaltar que todos os indivíduos são responsáveis pela transmissão de novos valores para que as mulheres não sejam vítimas de qualquer forma de violência porque preconceito e discriminação são construções sociais e, do mesmo jeito que foram erguidos, poderão ser dissipados.
Se você foi vítima de estupro em Umuarama, pelo homem da foto, procure a Delegacia da Mulher ou na 7° SDP (Subdivisão Policial) e registre sua denúncia.








