
A defesa da policial civil Kátia das Graças Belo colocou em dúvida, nesta terça-feira (3), que o tiro que matou a copeira Rosária Miranda da Silva, de 44 anos, tenha partido da arma da investigadora. Em entrevista à Banda B, o advogado Peter Amaro disse que esteve no local do crime, no Centro Cívico de Curitiba, e percebeu muitas circunstâncias que não bateriam com os depoimentos prestados à Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Kátia realizou um disparo de arma de fogo da janela de sua casa após se irritar com o barulho da festa de confraternização em que Rosária estava.
“O local do crime é um estacionamento, onde são feitas festas a noite. Eu vi que não tem ângulo a janela onde a Kátia estava e a janela da vítima. Na pior das hipóteses foi uma fatalidade, mas a segunda hipótese diz que as pessoas ouviram tiros. Não sei se outra pessoa também incomodada com o barulho não tenha feito alguma coisa e estamos cometendo uma baita de uma injustiça. Um perito esteve no local e a barulheira pode ter incomodado mais pessoas”, disse o advogado.
Rosária estava internada desde o dia 23 de dezembro, data do crime, mas não resistiu aos graves ferimentos e morreu no último domingo (1). Kátia se apresentou à DHPP logo após o crime e assumiu que efetuou um disparo.
Segundo Amaro, Kátia está muito abalada com a situação e se martirizando pela morte de Rosária. “O receio dela não é pela punição, é pelo que aconteceu com a Rosária. A Kátia é uma pessoa de bem e sempre realizou excelentes trabalhos no Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes), protegendo crianças vítimas de violência e desvendando crimes. Peço a todos que aguardem, que daí sim a Justiça será feita”, comentou.
O advogado ainda elogiou a decisão da juíza Ana Carolina Ramos, que negou o pedido de prisão contra Kátia feito pela DHPP. Segundo ele, a juíza tomou uma decisão técnica baseada na colaboração de Kátia.
O crime
Atingida na cabeça por uma bala, a copeira Rosária morreu no começo da tarde deste domingo (1), em Curitiba. Ela participava de uma confraternização quando foi atingida. Na DHPP, a investigadora disse que se irritou com o barulho da festa de confraternização, que ocorria ao lado de casa. O disparo foi feito da janela do apartamento dela. A policial é lotada no Nucria e vai responder por tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o autor não tem intenção de matar, mas assume o risco. A arma utilizada no crime foi apreendida e deve passar por uma perícia. A corregedoria da Polícia Civil foi comunicada e deve abrir uma investigação interna para apurar a conduta da policial.
Fonte: Banda B


