quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Pacientes da região de Maringá vão participar de estudo sobre uso medicinal da maconha

Pacientes da região de Maringá vão participar de estudo sobre uso medicinal da maconha

canabidiol medicamento pode causar dependencia
Imagem Ilustrativa

O médico e pesquisador Paulo Fleury Teixeira visita pacientes da região de Maringá, no norte do Paraná, previamente selecionados para participar de um estudo sobre o uso medicinal da maconha.

Fleury é especialista em medicina preventiva e começou a usar o óleo de canabidiol – uma substância produzida a partir da Cannabis sativa, o nome científico da maconha – para o tratamento experimental de 18 crianças autistas.

Segundo o médico, os pacientes foram tratados com doses terapêuticas da substância e apresentaram melhora significativa. O canabidiol ajuda a controlar a atividade elétrica cerebral em pacientes que têm reações intensas com pequenos estímulos, ainda conforme o especialista.

“Isso resulta no controle das crises de convulsão para quem tem convulsão, e no controle dos sinais e sintomas mais graves no autismo”, declarou.

Foram 26 pacientes selecionados na região de Maringá, a maioria com autismo, que é o foco principal do pesquisador. No entanto, o médico também vai atender pacientes com esclerose múltipla.

No momento, não há mais vagas. De acordo com o médico, o número de pacientes é restrito porque é preciso acompanhar a evolução do tratamento de cada um deles.

Participante do estudo

Fernando, de cinco anos, começou a apresentar comportamentos repetitivos, hiperatividade e dificuldade na fala aos três anos. Foi quando a família descobriu que o menino é autista. Ele será um dos integrantes do grupo de estudos conduzido por Fleury.

A mãe da criança, a pedagoga Fernanda Monteiro diz que existe uma visão romântica do autismo, que afirma que são pessoas que vivem no mundo deles.

“Mas não é assim, eles têm uma interação com a família e os comportamentos deles limitam a vida da família, no sentido de atividades simples, por exemplo, de ir num supermercado, de ir num banco, de fazer um passeio. Um pai e uma mãe não deixam de sair de casa porque o filho vai incomodar os outros, ele deixa de sair de casa porque o filho vai ficar nervoso, e ele vai saber que o filho vai sofrer”, explicou.

No caso específico de Fernando, a mãe conta que os medicamentos para controlar o comportamento do menino tiveram efeito contrário, e ele teve que parar de tomar os remédios.

“Aumentou a hiperatividade e a agressividade na escola, com os amigos, e nós interrompemos o tratamento”, disse a mãe.

Estudos

O médico já percorreu várias cidades do país para dar palestras e consultas a pessoas diagnosticadas com autismo. Maringá é a primeira cidade do Paraná a receber a visita dele. Nas palestras, ele fala sobre o tratamento e conversa com famílias interessadas em participar do grupo de estudos.

Segundo ele, atualmente 100 pacientes de todo o país estão participando do tratamento experimental e usando o óleo de maconha.

“Num percentual em torno dos 75% dos casos a gente consegue os três objetivos terapêuticos, que são muito nobres: controlar os aspectos graves, promover o desenvolvimento – e isso quer dizer fala, quer dizer a cognição, aprendizado, quer dizer interação – e desenvolvimento motor, quando há déficit motor”, pontuou.

Nas viagens, Fleury também visita universidades e centros de pesquisa, para trocar informações e ampliar conhecimentos. Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), pesquisadores estudam os efeitos dos derivados da maconha no tratamento de sequelas da isquemia cerebral, que é a redução brusca do fluxo sanguíneo no cérebro.

A pesquisadora da UEM Rúbia Weffort contou que a instituição faz parte de um grupo de pesquisa que tem origem na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, que investiga outras condições do sistema nervoso central.

“É extremamente promissor, é uma substância muito rica, com inúmeras propriedades farmacológicas, e a gente não tem a menor dúvida da importância dela dentro da clínica médica, da neurologia, da psiquiatria”, declarou.

Enquanto as pesquisas avançam Fernanda sonha com o desenvolvimento do filho.

“Eu quero andar com ele na rua, de mãos dadas, que ele goste de andar na rua de mãos dadas comigo, que ele goste de passear, de caminhar”, finalizou.

Fonte: G1



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