quarta-feira, 16 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Brasil na Copa em pleno dia de trabalho. Posso ser demitido se for pego assistindo?

Brasil na Copa em pleno dia de trabalho. Posso ser demitido se for pego assistindo?

Especialista em Direito Trabalhista alerta sobre as possibilidades de demissão por causa de jogos da Copa do Mundo

Copa do Mundo é Copa do Mundo. Até mesmo aqueles mais afastados do futebol se sentem encorajados a vestir a camisa e torcer para a Seleção Brasileira. Em pleno mês de junho, os jogos tirarão o foco de muitos trabalhadores compenetrados – tem jogo no Brasil em horários de expediente normal. Depois da estreia nesse domingo (17) contra a Suiça, a Seleção Brasileira tem dois jogos em dias de semana. A equipe enfrenta a Costa Rica às 9 horas da próxima sexta-feira (22) e pega a Sérvia na outra quarta-feira (27) às 15 horas. Mas, e agora? Como acompanhar os jogos da Seleção Brasileira sem encrenca no trabalho?

O professor de Direito, Marcelo Melek, especialista em Direito Trabalhista, diz que, se o trabalhador por pego assistindo a um jogo de futebol em horário de trabalho, ele pode ser punido. “Mandar embora por justa causa é uma medida extrema, é um último recurso quando não se tem outra alternativa ou outra punição. Se a empresa já alerta que veda essa prática, o empregado não pode fazer, se ele for pego, pode até sofrer demissão, advertência. Se o prejuízo ao trabalho for grande, pode até ser demitido por justa causa”,

O temor de todo assalariado, a demissão de justa causa pode acontecer, segundo o especialista, mesmo que o trabalhador não tenha advertências passadas. “Comparando ao futebol, o juiz pode aplicar a uma falta que ele considere grave diretamente o cartão vermelho. O trabalhador não precisa ter duas ou três advertências para sofrer uma demissão com justa causa. Agora o que tem que observar é a proporcionalidade e a razoabilidade da conduta do trabalhador com a penalidade”, explicou Melek.

Flexibilidade

Diferente de Copas passadas onde a televisão e o rádio reinavam, aplicativos de celular, placar em tempo reais na internet e até transmissões ao vivo são facilmente acessados pelos trabalhadores. Assistir escondido ou ‘bater a real’?

“Cada relação de emprego tem suas características, conversar sempre é importante. Perguntar se a empresa vai disponilizar uma televisão, se poderá ver o jogo na empresa ou não, se haverá regime de escala ou não?”, defende o advogado.

Na linha do bom senso há três décadas, o gerente de um empresa de software de Curitiba, Renato Fidalgo, 51 anos, disse à Banda B que a empresa é flexível em dias de jogos do Brasil, na Copa do Mundo. “A empresa dispensa os funcionários para ver em casa e disponiliza uma televisão para quem quer ver aqui, para quem quiser ficar na empresa, acredito que essa questão é tratada bem aqui”, defende.

Em Copas passadas, Fidalgo diz que chegava a tirar férias em dias de jogos para acompanhar todas as chaves. “Agora, não me tira o sono, se pudesse até tinha tirado férias para ver mais jogos, mas estou tranquilo e vou para a casa para poder ver o jogo do Brasil mais tranquilo, para não extrapolar na empresa com a torcida”, brinca o gerente.

Para finalizar, o advogado trabalhista acredita que a conversa entre funcionários e gestores é fundamental. “Cada empresa vai adotar sua política e a comunicação é sempre a chave da questão”.

(Banda B)



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