O presidente da Câmara de Vereadores de Nova Olímpia, Julio Cezar Pradella, precisa fazer alguns esclarecimentos importantes à população do município. O primeiro deles é o motivo do pedido de impugnação de sua candidatura à reeleição, feito pelo Ministério Público Eleitoral.
O segundo trata-se dos polpudos aumentos dados a pessoas contratadas pelo Legislativo, em sua gestão. Os números, obtidos no Portal da Transparências, deixam claro que Pradella é adepto de bater continência com o chapéu alheio, no caso, do contribuinte de Nova Olímpia.
Em 2016, a funcionária contratada para serviços gerais recebeu, na soma dos 12 meses, R$ 25.690,25. Foi Pradella entrar na presidência e os salários entraram na curva de crescimento. A mesma funcionária recebeu R$ 52.717,18 em 2017, R$ 66.039,17 em 2018 e R$ 69.462,53 em 2019. Nenhum servidor do município teve um aumento salarial tão grande.
O que mais espanta são os pagamentos a dois outros profissionais. Em 2016, o contador da Câmara obteve rendimentos totais de R$ 50.613,49. Pradella assumiu o Legislativo em 2017 e mais que dobrou o valor, R$ 127.424,99. Aumentos também em 2018 (R$ 134.583,40) e 2019 (R$ 144.369,89).
Um detalhe importante: embora tenha conseguido um vultuoso aumento, o contador seguiu e segue cumprindo uma carga horária de 20 horas semanais.
O mesmo acontece com o advogado. Em 2016 ele recebeu, no ano, R$ 28.077,51. Pradella assumiu a presidência da Câmara e a seta salarial só fez avançar. De pouco mais de R$ 28.000, o advogado passou a receber, com a assinatura do vereador Pradella, R$ 58.936,80 em 2017, R$ 73.217,60 em 2018 e R$ 110.177,72 em 2019.
A pergunta que se faz é: como os salários desses três funcionários chegaram a esses valores de um ano para o outro? Diante de questionamento sobre os super salários, Pradella optou por convalidá-los através de lei municipal. É fato que a Câmara, sob Pradella, tem outros funcionários que complementam salários através de diárias.
Pradella está com problemas para seguir com sua campanha. O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura dele por “aparente restrição ao seu direito de elegibilidade”. Em síntese, Pradella teve suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Paraná, referentes ao exercício de 2017, enquanto presidente da Câmara de Nova Olímpia. A decisão pela desaprovação tomada pelo TC transitou em julgado (não cabe mais recurso) no dia 30 de junho último.
Curiosamente, nem o contador nem o advogado do Legislativo, detentores de super salários, conseguiram ajudar o presidente da Câmara a ter suas contas apresentadas de forma plausível, como preceitua a lei em vigor.
O Umuarama News tentou contato com o vereador Pradella, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta matéria.



