O Opala foi apresentado ao público brasileiro pela primeira vez em 19 de novembro de 1968. Cinquenta e três anos depois desse marco, Opaleiro de carteirinha, o engenheiro mecânico Julio Cézar Uniga, de 40 anos.
O Chevrolet Opala, um automóvel fabricado entre 1968 e 1992 pela General Motors (GM) no Brasil, foi o primeiro automóvel de passeio da montadora no país. A montadora escolheu um nome que remetia a uma pedra preciosa para o veículo, a opala.
Há pouco mais de 50 anos, em 1968, o primeiro Opala produzido no Brasil foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo. O modelo contava com uma carroceria sedã de quatro portas que poderia ser adaptada em duas versões: a standard e a luxo. A carroceria foi inspirada no alemão Opel Rekord.
Destinado a vários usos, como viatura policial, táxi e até mesmo ambulância, o Opala ainda faz parte do gosto brasileiro. Julio Cézar Uniga, morador de Curitiba, é um daqueles Opaleiros fascinado pelo antigomobilismo.Classic Cars, o engenheiro mecânico explicou a sua relação com carros antigos e expôs uma trajetória com os cerca de 30 Opalas que já passaram por sua vida.
Uniga teve seu primeiro Opala em 1997, cinco anos depois de o veículo sair de linha no Brasil. A época, segundo ele, marcou sua adolescência e desenvolveu nele a paixão pelo modelo.

“Em 1997, eu tive o meu primeiro Opala, um Comodoro 1977. Eu tive que vendê-lo em 1999 porque fui fazer a faculdade em Joinville (SC). Na época, eu paguei R$ 3.500 por ele. Hoje, vale entre R$ 150 mil e R$ 200 mil”, disse.
O xodó do engenheiro contava com um toca CD da Pioneer e um par de autofalantes 6985. “O som que tinha nele devia valer mais que o carro”, brincou.
O segundo Opala chegou em 2004, quando Julio concluiu o curso de engenharia mecânica. O modelo lhe custou quase o dobro do que havia pago no primeiro: R$ 6 mil.

“Esse segundo que eu comprei tinha um motor quatro cilindros. Nele, fiz pintura, troquei motor e o carro chegou a ter três carburações”, explicou.
Hoje, o curitibano, que já chegou a ter aproximadamente dez Opalas ao mesmo tempo, possui 4 exemplares. Segundo ele, há alguns anos era bastante comum os apaixonados por antingomobilismo terem somente um modelo de carro. Apesar disso, Julio tem atualmente onze carros em sua garagem.
Questionado sobre como surgiu a ideia de colecionar Opalas, o engenheiro destacou que nunca teve essa pretensão e afirmou que o gosto por carros antigos surgiu por meio do pai dele, que teve um Opala.
“Depois que tivemos o primeiro Opala na família, um 1977, compramos outro por causa do meu pai, um Diplomata Coupe 1988, que foi o último que teve carroceria de duas portas”, continuou.
Uniga acentuou, em entrevista, que o que mais lhe chama atenção em um Opala é o design, a carroceria e o motor: “Quando você coloca o escapamento dimensionado 6×2, você escuta e já sabe que é um Opala”.
Apaixonado também por campeonatos de Arrancada, Julio contou que nunca chegou a participar de torneios, mas já teve um carro com preparação semelhante aos dos veículos usados nesse tipo de evento. A ideia, de acordo com ele, era cultivar e zelar pelos Opalas o máximo possível.
Ao ser perguntado se gostaria de ter uma versão esportiva do Opala, o SS, ele alegou que o cenário local curitibano não contribuiu para esse desejo. Para ele, Curitiba comportava um público que dava preferência aos Opalas Comodoro em provas de Arrancada, o que fez com que o modelo se tornasse mais popular na capital paranaense.
“O pessoal gostava muito do Comodoro, que é aquele que tem meio teto de vinil, frisos na parte de baixo, e é um modelo mais luxuoso”, assegurou.
Embora tivesse essa opinião há alguns anos, Julio explicou que o contexto atual já é outro ao afirmar que o Opala SS é um dos mais valorizado hoje.
Modelos de Opala
Uniga listou alguns modelos de Opala que já passaram por sua vida ao longo de seus 40 anos. O mais antigo, segundo ele, foi um Gran Luxo 1973. Atualmente, porém, o mais antigo que conserva é o Opala de Luxo 1975.
“Hoje, tenho também um Comodoro 1977, que é marrom escuro puxado para o vermelho, com meio teto de vinil bege. Ele é um dos modelos mais famosos. Tenho ele há uns 8 anos. Nunca vendi e não vendo”, garantiu.
Além disso, o engenheiro tem na garagem um Opala Comodoro 1983.
De acordo com ele, os quatro Opalas que usufrui rodam pelas ruas normalmente.
Questionado se há algum modelo que pretendo comprar, Julio brinca: “Eu quero tudo quanto é Opala. Pode ser até pegando fogo”.
O engenheiro ainda revelou que restaurou quase todos os carros que teve. Alguns chegaram a ser totalmente desmontado e outros passaram apenas por pintura nova.
Coleção e outros modelos
Uma das perguntas que vem à cabeça quando o assunto é coleção de carros antigos é se custa caro mantê-la. Uniga, contudo, pondera que não.

“O carro, às vezes, para você deixar de uma forma que quer, tem um gasto. Mas depois que está pronto, você não gasta muito. Você acaba gastando com troca de óleo ou alguma outra coisa básica, super barata”, disse.
Além dos quatro Opalas, ele guarda na garagem também:
- BMW 325 1992
- Kadett GS 1990
- Gol GTS 1992
- Voyage Sport 1994
- Passat Pointer 1987
- Gol GTI 1993
- Saveiro Summer 1996
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O sonho de Julio, conclui, é ter um espaço para acomodar seus 11 veículos.
História do Opala no Brasil
Em 24 anos, cerca de 1 milhão de Opalas foram vendidos no Brasil. O Chevrolet Opala chegou ao país, em 1968, com dois modelos de motor, que tinham semelhança com o Chevrolet Impala. Um destes modelos era de 3.8 litros e com seis cilindros. Já o outro contava com 2.5 litros, porém com quatro cilindros, de 80 cavalos.
A primeira versão tinha carroceria sedã de quatro portas, faróis circulares, lâmpadas de ré sob o para-choque, calotas cromadas e muito conforto.
Em 1972, a Revista Autoesporte chegou a eleger um Opala como o carro do ano.
Em 1980, a GM lançou o Opala Diplomata com motor 250 S, com um novo desenho e acabamento, além de equipamentos de série com direção servo-assistida e ar-condicionado. Três anos depois, foi disponibilizado ao mercado o Opala com cinco marchas.
Em 1990, a linha recebia motores com grande potência e menores emissões de gases. Um ano mais tarde, em 1991, o Opala foi apresentado com novas características, tais como: para-choques envolventes, janelas sem quebra-vento, rodas de aro 15 e pneus 195/65.
No dia 16 de abril de 1992, a montadora da GM, localizada em São Caetano do Sul (SP), encerrou a produção de Opalas. Os últimos produzidos foram um Opala Diplomata e uma Caravan ambulância.


