quarta-feira, 16 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Após Covid corpo pode gerar autoanticorpos que atacam os próprios órgãos

Após Covid corpo pode gerar autoanticorpos que atacam os próprios órgãos

De acordo com um novo estudo, mesmo meses após a recuperação da infecção por Covid-19 níveis elevados de anticorpos podem atacar os próprios órgãos e tecidos dos indivíduos.

A pesquisa, publicada no Journal of Translational Medicine, incluiu 177 participantes entre os quais 65% eram homens e 35% eram mulheres.

“Resumindo, este estudo abrangente sobre autoanticorpos e de uma ampla gama de antígenos descobriu que o sexo masculino apresenta um risco mais elevado de ativação autoimune diversa após experienciar Covid-19 sintomática; enquanto que o sexo feminino comporta o risco de uma proeminência distinta de ativação autoimune na sequência de uma exposição assintomática ao SARS-CoV-2”, explicaram os investigadores, concluindo assim que o padrão de autoanticorpos elevados varia entre homens e mulheres.

Os anticorpos que reagem com automoléculas surgem em indivíduos saudáveis e são referidos como anticorpos naturais ou autoanticorpos.

O estudo diz que os dados apurados são mais uma evidência das consequências da chamada Covid persistente e das sequelas provocadas pelo novo coronavírus a longo prazo.

“Estes achados podem ser particularmente relevantes para o rápido acúmulo de evidências das síndromes pós-SARS-CoV-2  que podem surgir mesmo semanas a meses após o fim da infecção leve ou assintomática e com manifestações clínicas que parecem diferir entre mulheres e homens”, aponta a pesquisa.

“Ainda não sabemos por quanto tempo, além de seis meses, os anticorpos permanecerão elevados e/ou levarão a quaisquer sintomas clínicos importantes. A partir de agora é essencial monitorar os indivíduos”, disse à Reuters a investigadora Susan Cheng, do Cedars-Sinai Smidt Heart Institute, em Los Angeles.

“Estas descobertas ajudam a explicar o que torna a Covid-19 uma doença especialmente única”, afirmou Justyna Fert-Bober, Phd, cientista investigadora do Departamento de Cardiologia do Smidt Heart Institute e coautora sênior do estudo.

“Esses padrões de desregulação imunológica podem estar subjacentes aos diferentes tipos de sintomas persistentes que vemos em pessoas que passam a desenvolver a condição agora referida como Covid persistente”, acrescentou.

Susan Cheng concluiu: “se pudermos entender melhor essas respostas dos autoanticorpos, e como é que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia e impulsiona essas respostas variáveis, então podemos estar mais perto de identificar maneiras de tratar e até mesmo evitar que esses efeitos se desenvolvam em pessoas em risco”.



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