quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Sisagua encontra Arsênio, Trihalometanos e Bário na água de Umuarama

Sisagua encontra Arsênio, Trihalometanos e Bário na água de Umuarama

Substâncias químicas encontradas em 11 cidades do Noroeste são radioativas e podem gerar doença cônicas, como câncer

O resultado dos testes foi divulgado pelo Sisagua/Ministério da Saúde, nos levantamentos feitos entre os anos de 2018 e 2020, com a divisão das substâncias em grupos feita pela Organização Mundial da Saúde (International Agency for Research on Cancer), União Europeia, agência ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency) e agências de regulação do Canadá e da Austrália.

Água de Umuarama

No mapa da água, Umuarama aparece toda em vermelho, ou seja, dentro de uma área onde foi encontrada a existência de substâncias com maiores riscos de gerar doença cônicas, como câncer, por exemplo.

Além da capital da Amizade, algumas cidades menores que a circundam, também apresentaram alterações parecidas na água.

A pesquisa

Os dados divulgados pelo Repórter Brasil são resultado de testes feitos por empresas de abastecimento no período entre 2018 e 2020 e enviados ao Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), do Ministério da Saúde. Foram afetados pela contaminação, além de Umuarama, também os municípios de Pérola, Iporã, Perobal, Francisco Alves, Icaraíma, Douradina, Nova Olímpia, Planaltina do Paraná, Porto Rico, Quarto Centenário, entre outras cidades paranaenses.

A água tratada pode carregar agrotóxicos e outras substâncias químicas e radioativas que podem ser perigosas quando consumidas acima dos limites apontados pelo Ministério da Saúde.

Substância na água de Umuarama

Nos resultados do estudo, foram detectados altos limites – acima do nível de segurança – de três substâncias inorgânicas, que são o Arsênio, Trihalometanos Total e Bário.

Arsênio

O arsênio e seus compostos são classificados como cancerígenos para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), órgão da Organização Mundial da Saúde. A exposição prolongada ao arsênio por ingestão de água está relacionada com aumento do risco para câncer de pele, pulmão, bexiga e rins, bem como outros problemas na pele e tecidos. O ácido arsênico e o trióxido de arsênio, dois compostos inorgânicos desse elemento, são usados como descolorante, clareador e dispersante de bolhas de ar na produção de garrafas de vidro e outras vidrarias.

Trihalometanos

Os trihalometanos são um grupo de compostos químicos e orgânicos que derivam do metano. Ele inclui substâncias como o clorofórmio, classificado como possivelmente cancerígeno pela IARC. A exposição oral prolongada a esta substância pode produzir efeitos no fígado, rins e sangue. Os trihalometanos são utilizados como solvente em vários produtos (vernizes, ceras, gorduras, óleos, graxas), agente de limpeza a seco, anestésico, em extintores de incêndio, intermediário na fabricação de corantes, agrotóxicos e como fumigante para grãos. Alguns países proíbem o uso de clorofórmio como anestésico, medicamentos e cosméticos.

Bário

A exposição prolongada ao bário gera efeitos adversos nos rins, segundo o Ministério da Saúde do Canadá. O bário e seus compostos são utilizados na fabricação de diversos produtos industriais, como plásticos, vidros, cerâmicas, eletrônicos, têxteis, lubrificantes, ligas metálicas, sabão e borracha. O sulfato de bário é usado como contraste em radiografias.

Riscos à saúde

Todas as substâncias químicas e radioativas listadas oferecem risco à saúde se estiverem acima da concentração máxima permitida pelo Ministério da Saúde. Elas foram detectadas ao menos uma vez na água que abastece este município entre 2018 e 2020.

Quando essas substâncias estão acima do limite, a água é considerada imprópria para o consumo. Nesses casos, as instituições de abastecimento deveriam informar a população sobre o problema, assim como sobre as medidas tomadas para resolvê-lo.WhatsApp Image 2022 03 08 at 17.26.50

Umuarama, no Noroeste do mapa, aparece avermelhada, cor apontada pelo estudo, de onde circula água com alta concentração de substâncias cancerígenas.( Fonte: Repórter Brasil)

O mapa da água aponta os municípios onde há maior nível de contaminação

Os dados, são resultados de testes realizados pelas empresas de abastecimento e reunidos pelo Ministério da Saúde. Eles integram a base de controle do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano, o Sisagua, do Ministério da Saúde. Os dados foram interpretados de acordo com os parâmetros do Ministério. O mapa divide as substâncias em dois grupos de periculosidade (que determina os tons de vermelho). Essa divisão foi feita pela Repórter Brasil com base nas classificações dadas a cada substância pelos órgãos reguladores mais reconhecidos do mundo, como a OMS.

O Mapa ainda revela que os resultados dos testes feitos na água tratada, detectaram substâncias químicas e radioativas e podem oferecer sérios risco à saúde. Foram destacados os casos em que o volume dessas substâncias estava acima da concentração máxima permitida, que é quando elas passam a oferecer risco, segundo parâmetros do Ministério da Saúde.

Cada país define o seu limite de segurança para a concentração máxima permitida de cada substância na água. É esse o controle que define a potabilidade da água. As amostras que contém substâncias fora deste padrão são consideradas impróprias para o consumo, da mesma forma como um alimento pode estar fora da validade ou fora dos padrões sanitários.

A lei brasileira determina que os fornecedores são responsáveis por testar a água e por apresentar os resultados à autoridade de saúde local, o que na prática se dá por meio do registro desses dados no Sisagua. Como esse banco traz informações classificadas em termos técnicos, a reportagem consultou o Ministério da Saúde e especialistas para deixar os dados mais acessíveis ao público não especializado.

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Procon de Umuarama notifica Sanepar

Após a veiculação da reportagem que mostra o ‘Mapa da Água’, apontando contaminação da água consumida pela população de Umuarama, o Procon enviou ofício ao escritório regional do Instituto Água e Terra – IAT abordando os resultados indicados no estudo. “São informações gravíssimas. A essencialidade do serviço de abastecimento de água, somada à necessidade de que sejam observados os padrões de qualidade da água para consumo humano, fez com que o Procon instaurasse esse Procedimento de Investigação Preliminar, com base no disposto no art. 33, §1º, do Decreto Federal 2.181/97, para apurar a verdade dos fatos”, relatou o secretário Deybson Bitencourt.

 



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