O deputado Homero Marchese (Republicanos) causou polêmica após fala sobre cota feminina na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Marchese disse que mulheres ‘são minoria porque querem’ durante debate na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na tarde desta terça-feira (26). Os deputados discutiam o projeto de lei que propõe a criação da Bancada Feminina na Alep.
Marchese argumentou que as mulheres são maioria e bastava querer para conseguir mais espaço entre os deputados paranaenses.
“Nós estamos estabelecimento, basicamente, cota para uma maioria. Eu não sei porquê, mas as mulheres são maioria na cidade. Se as mulheres são minoria na Assembleia é porque as mulheres quiseram isso. Então, é um projeto que vai estabelecer um benefício para uma minoria que foi escolhido por uma maioria”, contou à Banda B.
Para tentar se justificar, o deputado falou um pouco da própria história e disse que foi criado por mulheres.
“Digo isso pela minha história de vida, sendo criado por mulheres. Perdi meu pai muito cedo, minha mãe é minha ídola (sic). Mas eu não consigo entender esse tipo de projeto. Eu não entendo projetos que estabeleçam contas para outras categoria que não tenham sentido de discriminação”, concluiu.
O deputado Tião Medeiros rebateu as falas do colega durante a mesma sessão. “Eu não me recordo uma legislatura em que as mulheres foram maioria. Pelo contrário, historicamente, elas sempre foram minoria na casa. Veja, o que está dizendo o projeto de resolução é que se assegure a participação delas na mesa”, disse. “A outra grande mudança no regimento é que se crie uma bancada feminina. Não vejo inconstitucionalidade e ilegalidade. Não vejo absurdo nenhum. Sei que espirito de rebeldia que está no coração do deputado Homero ele se replica em vários assuntos”, conclui.
Durante a sessão plenária desta quarta-feira (27), deputadas paranaenses defenderam o projeto e rebateram Marquese. A deputada Cantora Mara Lima (Republicanos) manifestou seu apoio ao projeto de resolução.
“A nossa luta tem sido grande. Estou no terceiro mandato e já vimos tanta injustiça. Queremos deixar mais leve para as futuras mulheres que virão. Sabíamos que haveria uma resistência grande, pois o projeto é algo novo. Queremos trabalhar em pé de igualdade para melhor condução da Casa. É um direto nosso e queremos este direito”, disse.
A CCJ é composta por 13 membros, sendo duas mulheres.


