quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Operação Capital da PF prende policiais militares envolvidos com contrabandistas

Operação Capital da PF prende policiais militares envolvidos com contrabandistas

Ação foi considerada a maior já realizada pela Polícia Federal no combate ao contrabando de cigarros paraguaios

A Polícia Federal de Guaíra desencadeou na manhã de quinta-feira, 9, uma mega operação que desarticulou quadrilhas de contrabandistas que agiam em toda a região Noroeste do Paraná e em Santa Catarina.

De acordo com os levantamentos dos agentes da PF, os bandidos que operavam o contrabando de cigarros nos núcleos de Guaíra, Altônia e Umuarama chegavam a movimentar R$ 3,8 milhões em mercadorias por dia.

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Havia ainda uma extensa folha de pagamento envolvendo olheiros, e também policiais militares. Pelo menos oito davam apoio ao bando.

A ação denominada ‘Operação Capital’, é considerada a maior do Brasil, no combate ao contrabando de cigarros paraguaios.

Conforme a PF, 400 agentes de cinco Estados brasileiros foram mobilizados para o cumprimento de 162 mandados judiciais no Paraná e em Santa Catarina.

Destes, 96 eram de busca e apreensão e 66 de prisão preventiva nas cidades de Guaíra, Terra Roxa, Iporã, Francisco Alves, Umuarama, Cafezal do Sul e Altônia, no Paraná, e Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

O delegado-chefe da operação, Pedro Henrique Turim de Oliveira, revelou que apenas 10, de todas as ordens judiciais não foram cumpridas, mas seguem em trâmite.

Imagens cedidas pela Polícia Federal mostram que houve um congestionamento na entrada do Nepom (Núcleo Especial de Polícia Marítima), em Guaíra, tamanha a quantidade de pessoas presas na operação.

Também houve o sequestro de 31 bens imóveis e o bloqueio de contas bancárias em nome dos chefes da organização.

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Monitoramento

Ainda de acordo com o delegado, a operação desencadeada nesta ocasião foi resultado de sete meses de investigação, que resultou em um farto acervo probatório apreendido, incluindo milhares de fotos. Os grupos contavam com cerca de 100 integrantes e pelo menos 80 deles atuavam como “olheiros”, alertando os líderes sobre a movimentação dos policiais que não se corromperam. Havia também pilotos, motoristas e carregadores.
O delegado Mario Cesar Leal Junior, da delegacia de Guaíra, mandou um recado para os “olheiros” em uma entrevista na sede da PF de Guaíra. “Eles não terão vida fácil a partir de agora. São pessoas que recebiam mensalmente dos líderes, como se fossem funcionários. Todos, absolutamente todos, serão responsabilizados”.

Funcionamento do esquema

Conforme a Polícia Federal, apenas uma célula da organização criminosa colocava em circulação dentro do território nacional, a média de 750.000 maços de cigarros em cada noite de atuação na érea da fronteira e o valor de mercado corresponde desta movimentação varia entre R$ 3,8 milhões. O grupo costumava operar quatro vezes por semana, o que eleva a movimentação para R$ 15,2 milhões semanais e R$ 60,8 milhões por mês.

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Só para se ter uma noção da grandiosidade do esquema criminoso, a receita de fundos e impostos do município de Altônia foi de R$ 8 milhões no mês de maio último, a maior deste ano.

O nome “Capital” dado à operação faz alusão à maneira que os criminosos se referem ao município de Altônia, banhado pelo rio Paraná.

PMs envolvidos

As investigações revelaram também que a organização teria infiltrado policiais militares no esquema. Estes recebiam propina para facilitar as atividades do grupo fazendo vista grossa para a atividade e além disso também davam cobertura aos criminosos.
Imagens divulgadas no âmbito da operação, mostram militares supostamente recebendo dinheiro dos bandidos.

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Nota da PM

Em nota, a PM afirmou “que não compactua com qualquer desvio de conduta praticado por seus membros e que cada caso será apurado com o devido rigor” e que a operação contou “com o apoio da Corregedoria da corporação, que também colocará os militares estaduais à investigação em processos internos e administrativos cabíveis”. E finalizou: “A PMPR ressalta que as armas, carregadores e distintivo dos envolvidos já foram recolhidos”.
O balanço completo de todo material apreendido e da quantidade exata de presos será divulgada nesta sexta-feira (10).



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