sábado, 19 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Servidora do Ministério da Infraestrutura que defendeu pedágio na ALEP pede demissão para atuar ao lado das concessionárias

Servidora do Ministério da Infraestrutura que defendeu pedágio na ALEP pede demissão para atuar ao lado das concessionárias

Natália Marcassa deixou o cargo do Governo para montar a própria associação que reúne as principais pedageiras do país, afirmou Requião Filho

“Natália, aqui você não está falando para empresários, mas para o povo e os deputados paranaenses”. Com essa frase, em fevereiro de 2021, o deputado Requião Filho iniciou sua fala criticando o modelo de pedágio apresentado em audiência pública, por representantes do Ministério da Infraestrutura, no plenário da Assembleia Legislativa.

O vídeo desse discurso na época viralizou nas redes sociais e, em poucas semanas, foi compartilhado milhares de vezes por diversas pessoas em todo país. No entanto, a suspeita que o parlamentar levantava na ocasião, hoje se comprova que sim, tinha fundamento.

A servidora em questão designada para defender o modelo de pedágio proposto pelos Governos Ratinho Jr e Bolsonaro, era Natália Marcassa, deixou o cargo recentemente e, em menos de três meses, inaugurou a MoveInfra que, segundo reportagem do Jornal O Globo, reúne entidades gigantes do segmento, como CCR, Ecorodovias, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo, todas operadoras de contratos públicos.

A especialista em Regulação de Serviços de Transportes Terrestres da ANTT, preside a nova associação desde novembro, segundo seu próprio perfil no LinkedIn. “Tempo curto demais,para quem até então vinha defendendo o interesse público e querendo convencer o povo do Paraná que o projeto deles seria o melhor para desenvolver nas rodovias do Estado”, avalia o deputado Requião Filho.

“Era um projeto caro, oneroso para o Estado e para os usuários. A gente fez esse debate de forma ampla na Assembleia Legislativa, mas muitos deputados aqui sequer deram ouvidos. E a gente estava certo! Ela estava mesmo agindo em favor das pedageiras e não em benefício da população. A quem mais interessaria 30 anos de um pedágio sem qualquer garantia de obras e com altas tarifas?”, questionou Requião Filho.

Na tribuna, o deputado ainda questionou o acordo homologado na semana passada, em que o Paraná abre mão de mais de R$ 5 bilhões da dívida da Rodonorte com usuários do pedágio.

Mais vídeos