Um estudante de 15 anos do Centro Educacional (CED) São José (foto em destaque), em São Sebastião, foi apreendido com duas facas, na manhã desta segunda-feira (4/3), após ferir três alunos e uma monitora do colégio.
Acionada para atender a ocorrência, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) conseguiu convencer o jovem a se entregar na escola.
Uma das vítimas sofreu um corte na região do pescoço e precisou ser levada para o hospital. O ferimento, porém – assim como o dos demais atingidos –, não foi grave.
O adolescente foi levado para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).
COMO FOI
Conforme uma das vítimas, a monitora e analista de políticas públicas e gestão educacional Maria José Rodrigues de Paiva, 57 anos, o autor chegou, foi ao banheiro e saiu pronto para atacar. Ela relata que ouviu alguém dizer “corre”. A educadora, que acompanha crianças especiais, foi golpeada no ombro. Após o trauma, e com medo de ser atacada novamente, ela cobra mais segurança nas escolas e a instalação de um detector de metais no colégio onde trabalha.
Vítimas no caminho
O adolescente seguiu para a sala de aula, onde cometeu as agressões. O corte sofrido por uma das estudantes atingidas foi superficial, porque ela usava um casaco reforçado, segundo a educadora. Porém, o adolescente conseguiu derrubar e esfaquear um colega antes de entrar na classe onde estava a monitora, um professor e outros alunos, inclusive alguns com deficiência.
Maria José destacou que o agressor estava com o rosto coberto. “Como eu estava na frente da sala [onde o estudante entrou], fui a primeira vítima. Ele enfiou a faca [no meu ombro]. Eu senti a dor e, como eu tenho dificuldade de locomoção, demorei para levantar. Ele me furou e seguiu para [atacar] um aluno. Nesse momento, uma estudante caiu, e ele conseguiu furá-la nas costas, pelo lado de trás. Na sequência, ele foi para a próxima [vítima]”, detalhou.
A monitora conseguiu fugir e pediu ajuda. Nesse momento, um professor, que teve um machucado na mão, conseguiu conter o adolescente.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) confirmou o caso e detalhou que o adolescente estava em sala, quando se levantou e começou a agredir os colegas, no início das aulas.
Breno Esaki/Metrópoles (@BrenoEsakiFoto)
ADOLESCENTE SOFRIA BULLYING
O estudante disse em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal que era constantemente alvo de bullying, segundo a defesa do jovem.
Segundo o advogado de defesa do garoto, Marcos Akaoni, o estudante sofria, em silêncio, violência psicológica por parte de outros estudantes, sem nunca mencionar a situação para a família nem à própria direção da escola.
“Foi declarado, pelo menor, a motivação, tendo em vista o bullying que ele vinha sofrendo, há aproximadamente um ano, que gerou toda essa revolta e ocasionou nessa tragédia”, detalhou o advogado. O bullying, neste caso, atingiria o jovem de diversas formas. “Desde a aparência física até questões psicológicas. Xingamentos”, detalhou.
De acordo com o advogado, haveria mais casos de bullying no colégio, envolvendo outros alunos.
Breno Esaki/Metrópoles (@BrenoEsakiFoto)
“Nós queremos apoio do Governo do Distrito Federal para que tenha atenção aos alunos. Não basta apenas punição. Para o que ele fez hoje aqui, ele vai ter a justa retribuição. Mas as autoridades precisam se atentar que nossas crianças estão doentes. Acima de tudo é uma política pública que o governo precisa cuidar”, completou.
Segundo a defesa, as pessoas feridas não seriam os responsáveis pelo bullying. Foram vítimas aleatórias. De acordo com Akaoni, o adolescente de 15 anos seria um jovem retraído, sem histórico de atos infracionais. Nunca brigou no colégio. Em depoimento na DCA, o adolescente pediu acompanhamento psicológico.
Fotos: Breno Esaki/Metrópoles (@BrenoEsakiFoto)
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