Com seu passaporte na mira do STF, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) decidiu permanecer nos Estados Unidos e tirar uma licença do mandato parlamentar na Câmara.
A informação tinha sido repassada à coluna pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Ele disse que Eduardo voltaria para assumir a presidência da Comissão de Relações Exteriores.
“Eduardo volta na terça à noite para assumir o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores (Creden)”, disse Sóstenes à coluna na segunda-feira (17/3).
Procurado pela coluna na terça, Sóstenes afirmou que “tudo mudou durante a madrugada” e que Eduardo decidiu ficar nos Estados Unidos e se licenciar do mandato na Câmara por quatro meses.
Com a decisão, o líder do PL disse que vai rever a estratégia em relação à Comissão de Relações Exteriores, que tinha sido pedida pela sigla para abrigar o filho 03 de Jair Bolsonaro.
No vídeo publicado nesta terça nas redes sociais, porém, Eduardo afirma que o deputado Zucco (PL-RS), atual líder da oposição na Câmara, assumirá o comando da comissão em seu lugar.
“No meu lugar, será nomeado o deputado federal gaúcho Zucco para a comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Ele irá me ajudar institucionalmente a manter a essa ponte com o governo Trump e o bom relacionamento com países democráticos e desenvolvidos”, afirmou o filho do ex-presidente.
Eduardo disse que ficará nos Estados Unidos para “focar em buscar as justas punições que Alexandre de Moraes e a sua gestapo da Polícia Federal”. Ele admite ainda que teme ser preso por ordem de Moraes.
“Nunca imaginei que eu faria uma mala de 7 dias para não mais voltar para casa (…) Meu trabalho é muito mais importante aqui nos Estados Unidos do que no Brasil”, afirmou o filho de Bolsonaro.
Passaporte de Eduardo Bolsonaro na mira
A Comissão de Relações Exteriores tinha sido escolhida pelo PL como um contraponto à ação ajuizada pelo PT no STF pedindo a apreensão do passaporte de Eduardo Bolsonaro.
No fim de fevereiro, deputados petistas ingressaram com o pedido no Supremo alegando que Eduardo estaria cometendo crime contra a soberania nacional, ao criticar o Judiciário no exterior.
Relator do caso no STF, o ministro Alexandre de Moraes enviou a ação para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e deu um prazo de cinco dias para o órgão se posicionar.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, no entanto, decidiu não cumprir o prazo. Como antecipou a coluna, Gonet avaliou que o descumprimento não traria ônus para o processo.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro. Trata-se do mesmo dia em que o PT apresentou ao Supremo o pedido de apreensão do passaporte do deputado.
Por causa disso, o filho 03 de Jair Bolsonaro, inclusive, faltou à manifestação liderada por seu pai no domingo (16/3), no Rio de Janeiro, em defesa da anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.


