quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Adolescente de 14 anos é morta em sala de aula; crime foi motivado por inveja afirma polícia

Adolescente de 14 anos é morta em sala de aula; crime foi motivado por inveja afirma polícia

O crime foi cometido por dois colegas de classe da vítima, ambos também com 14 anos

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), em conjunto com a Polícia Militar (PMMG) e o Ministério Público (MPMG), concluiu as investigações sobre o assassinato da adolescente Melissa Campos, de 14 anos, ocorrido dentro de uma escola particular em Uberaba, no Triângulo Mineiro. O crime, que chocou o país, foi cometido por dois colegas de classe da vítima, ambos também com 14 anos, e teria sido motivado por inveja.

Durante a coletiva de imprensa realizada na terça-feira (20 de maio), as autoridades esclareceram que não foram encontrados indícios de bullying, misoginia ou qualquer outro tipo de motivação semelhante, como chegou a ser especulado nas redes sociais.

“O adolescente alegou que sentia inveja da menina. Eles se conheciam há muitos anos, mas não havia qualquer tipo de relação afetiva entre eles,” destacou o delegado Edson Moreira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Crime foi planejado

De acordo com o delegado responsável, Cyro Outeiro Pinto Moreira, o crime foi previamente planejado pelos dois adolescentes. As imagens de câmeras de segurança mostram que ambos agiram de forma coordenada.

“A vítima foi surpreendida dentro da sala de aula, após receber um bilhete com uma sentença de morte. Logo em seguida, foi golpeada no peito com uma faca. Outros alunos estavam na sala, mas ficaram alheios ao ocorrido”, afirmou o delegado.

Na investigação, foram apreendidos cadernos, eletrônicos e até um plano de fuga manuscrito pelos adolescentes.

Relembre o crime

O assassinato ocorreu no dia 8 de maio, durante o período da manhã, na escola particular Colégio Livre Aprender, no bairro Universitário, em Uberaba. Pouco antes de ser atacada, Melissa recebeu um bilhete do agressor, que não teve tempo de ler.

Após esfaquear a colega, o autor principal fugiu da escola, mas foi capturado pela Polícia Militar ainda no mesmo dia. A faca utilizada no crime foi apreendida. No dia seguinte, o segundo adolescente, identificado como cúmplice, também foi apreendido.

De acordo com um policial militar que participou da captura, o autor do ataque afirmou que cometeu o crime porque a vítima “simbolizava uma alegria que eu não tinha”.

Melissa foi descrita por colegas, professores e familiares como uma menina feliz, amorosa, boa aluna e acolhedora, características que reforçam o choque e a comoção com a tragédia.

Os dois adolescentes foram apreendidos e respondem por ato infracional análogo ao crime de homicídio qualificado, permanecendo internados por decisão da Vara da Infância e Juventude de Uberaba. O processo tramita em sigilo judicial, e a responsabilização ocorre na esfera socioeducativa, conforme prevê a legislação brasileira.

O promotor de Justiça Diego Martins Aguillar frisou que se trata de um fato isolado, sem indícios de outros envolvidos ou de qualquer lista com possíveis alvos.

“As escolas seguem sendo locais seguros. Não há qualquer outro elemento que indique risco coletivo”, reforçou o promotor.

A investigação segue encerrada, e os órgãos de segurança reiteram seu compromisso com a proteção de crianças e adolescentes, bem como com a elucidação rápida de crimes que impactam a sociedade.

Família quer que caso seja tratado como feminicídio

A família da adolescente divulgou nota após investigadores apontarem “inveja” como principal hipótese de motivação do crime. “Lamentamos que não seja dado ao bárbaro crime ocorrido o nome correto”, publicou ontem Marisa Agreli, tia de Melissa, em nome da família.

Reforçamos nossa convicção de que o crime ocorrido merece sim a alcunha de feminicídio e não foi motivado por simples inveja (…) Nós, familiares da Mel, cansados da luta, quando deveríamos estar vivendo o luto, cessaremos as divulgações, porém não sem antes manifestar nossa inconformidade com o abafamento do tema da misoginia.
Nota da família de Melissa.

(com informações CNN Brasil, Veja e UOL)



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