Em um movimento que levanta questionamentos sobre as prioridades da gestão pública, a Prefeitura de Douradina, um município com pouco mais de 9 mil habitantes no noroeste do Paraná, pretende contratar serviços de cobertura de eventos por um valor total estimado em R$ 216.482,24 para o ano de 2025. A licitação, na modalidade Pregão Eletrônico, busca uma empresa especializada para realizar um robusto pacote de serviços de imagem e comunicação.
O edital nº 22/2025 detalha a contratação de uma série de serviços que incluem captação de fotografias, filmagens, imagens com drone, produção de vídeos institucionais e transmissão de audiências públicas. O contrato, válido por 12 meses e com possibilidade de renovação, prevê uma demanda considerável: são 600 horas de cobertura de eventos, 200 horas de captação de imagens com drone e 40 horas para transmissão de audiências.
Chama a atenção o custo previsto para a “criação de vídeo institucional”, orçado em R$ 2.713,97 por hora, totalizando R$ 54.279,33 para apenas 20 horas de serviço. O valor é expressivamente alto, especialmente quando comparado com a média horária dos demais serviços licitados.
A justificativa apresentada no Termo de Referência para tal investimento é genérica, afirmando que a contratação “é necessária para auxiliar a administração pública durante todos os eventos que serão realizados durante o ano de 2025”. Para um município do porte de Douradina, com uma população de 9.161 habitantes registrada no Censo de 2022, o montante destinado à promoção de eventos gera um debate sobre a alocação de recursos públicos.
Embora Douradina apresente um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado alto (0,724 em 2010) e um Produto Interno Bruto (PIB) per capita elevado, impulsionado pelo agronegócio, dados mais antigos do próprio IBGE apontam para desafios estruturais. Em 2010, por exemplo, 26,5% da população possuía rendimento nominal mensal per capita de até meio salário mínimo. No mesmo ano, apenas 53,6% do município contava com esgotamento sanitário adequado e 42,5% das vias públicas tinham urbanização apropriada.
Diante desses indicadores, a decisão de investir uma quantia tão significativa em serviços de imagem e publicidade, em detrimento de áreas potencialmente mais carentes de recursos, torna-se um ponto de crítica. A questão que emerge para os cidadãos de Douradina é se o registro fotográfico e audiovisual dos feitos da prefeitura representa a principal prioridade para o orçamento municipal no próximo ano.
O processo licitatório seguirá com a disputa de preços no dia 9 de julho de 2025. Resta aos moradores e órgãos de controle acompanhar o desfecho da licitação e avaliar se o gasto de mais de R$ 200 mil para registrar eventos se justifica frente às necessidades fundamentais da pequena cidade paranaense.


