quinta-feira, 17 setembro 2026
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Ministério Público manda prefeito barrar ‘salário turbinado’ de políticos em Ivaté

Ministério Público manda prefeito barrar ‘salário turbinado’ de políticos em Ivaté

Promotoria aponta ilegalidades na lei aprovada pela Câmara que aumenta em até 89% os vencimentos do prefeito, vice, secretários e vereadores

Uma lei aprovada no município de Ivaté, prevê aumentos superiores a 80% nos salários de prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores. A proposta entrou na mira do Ministério Público do Paraná (MPPR). A Promotoria de Justiça de Icaraíma recomendou ao prefeito Denilson Vaglieri Prevital, que adote as medidas necessárias para revogar ou anular a legislação, aprovada pela Câmara Municipal em 2025.

A medida expõe a dimensão de um reajuste que beneficiaria justamente os agentes políticos responsáveis pela administração e fiscalização do dinheiro público a partir da legislatura de 2029 a 2032. Segundo a apuração do MPPR, a lei apresenta diversas ilegalidades e foi aprovada com problemas na documentação utilizada para justificar os novos valores.

Um dos exemplos mais expressivos envolve os secretários municipais. Pela legislação aprovada, os vencimentos saltariam de R$ 4.765,63 para R$ 9 mil, um aumento de aproximadamente 89%. O reajuste também alcança prefeito, vice-prefeito e vereadores.

Para o Ministério Público, o problema vai muito além do tamanho dos aumentos. A Promotoria aponta que a legislação pode violar dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal e provocar impacto capaz de empurrar as despesas com pessoal do município acima dos limites prudencial e máximo previstos na legislação.

A recomendação coloca prefeito e vereadores diante de uma situação politicamente desconfortável: uma proposta que garante salários muito maiores para a classe política foi aprovada pelo Legislativo e agora é questionada pelo órgão responsável pela fiscalização da defesa do patrimônio público e da legalidade.

O MPPR estabeleceu prazo de 30 dias para que a Prefeitura informe se acatará a recomendação. Caso as medidas não sejam cumpridas, a Promotoria poderá adotar providências judiciais contra os envolvidos.

A recomendação, portanto, interrompe pelo menos temporariamente a tentativa de deixar uma conta salarial muito mais pesada para os cofres públicos da próxima legislatura. O caso também coloca sob questionamento a responsabilidade dos agentes políticos que participaram da aprovação de uma legislação que, segundo o MPPR, apresenta falhas metodológicas, possíveis ilegalidades e risco de comprometimento das contas municipais.

 



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