segunda-feira, 10 agosto 2026
UMUARAMA/PR

Câmara Municipal de Xambrê dá mais 60 dias para presidente foragido seguir afastado

Câmara Municipal de Xambrê dá mais 60 dias para presidente foragido seguir afastado

Licença de 60 dias tem efeito retroativo e ocorre enquanto vereador é alvo de mandado de prisão preventiva

O presidente da Câmara Municipal de Xambrê, vereador Ademir Leite da Silva, está no centro de uma crise judicial e política que começou com uma denúncia de violência doméstica e ganhou novo capítulo após uma tentativa frustrada de cumprimento de mandado de prisão. Documento oficial da Câmara, publicado ontem (4), mostra que o parlamentar obteve licença para tratar de interesse particular por 60 dias, com efeitos retroativos a 30 de julho.

A portaria nº 21/2026, assinada pelo vice-presidente Edinalvo Lima Venturi, registra que a licença foi solicitada pelo próprio Ademir por meio de procurador e recebeu parecer favorável da Procuradoria Jurídica e da Comissão de Justiça, Redação, Serviços e Obras Públicas da Câmara.

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Arquivo – Portal Umuarama News

A Fuga

O afastamento ocorre enquanto o vereador enfrenta uma prisão preventiva decretada pela Justiça de Xambrê. Em maio, durante uma tentativa de cumprimento da ordem judicial em sua residência, Ademir teria sido cientificado sobre a prisão e, segundo a Polícia Civil, fugido pelos fundos do imóvel antes de ser capturado. Desde então, passou a ser tratado como foragido.

A fuga ocorreu depois que policiais chegaram à residência para cumprir o mandado. Um vídeo registrado pelo próprio vereador mostra parte da abordagem. Conforme o delegado de Xambrê, Antônio Romeiro, após tomar conhecimento da ordem judicial, o investigado deixou o imóvel pelos fundos.

Violência Doméstica

O caso teve origem em uma ocorrência registrada na madrugada de 1º de maio, envolvendo uma ex-companheira do parlamentar. Segundo o relato apresentado à Polícia Militar, a mulher, de 27 anos, trafegava de motocicleta nas proximidades da Prefeitura de Xambrê quando teria sido abordada por Ademir, que dirigia um Toyota Corolla.

De acordo com o boletim divulgado na época, a mulher afirmou que o vereador teria descido do automóvel, segurado seus braços e feito ameaças. Ainda segundo o relato, ele teria torcido o braço direito dela, tentado esganá-la e a empurrado contra uma floreira. A chave da motocicleta também teria sido arremessada para um terreno próximo.

A vítima recebeu atendimento médico e, diante da suspeita de fratura, foi encaminhada para atendimento especializado em Umuarama. A Polícia Civil deu continuidade à investigação e, posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva do parlamentar.

A decisão judicial está relacionada, em tese, aos crimes de descumprimento de medida protetiva de urgência, ameaça e lesão corporal contra a ex-companheira. O próprio Tribunal de Justiça do Paraná registra esses três delitos como objeto da investigação envolvendo Ademir.

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Vice Presidente da Câmara de Xambrê, Edinalvo Lima Venturi, assinou a Portaria nº 21/2026 

Tese da Defesa

A situação jurídica, entretanto, não representa condenação definitiva. A defesa contestou a prisão e sustentou, entre outros argumentos, que a vítima posteriormente teria se retratado e minimizado os fatos. Em maio, o TJPR analisou habeas corpus apresentado em favor do vereador.

Situação Política

Paralelamente à questão criminal, o episódio provocou consequências dentro do Legislativo. Em junho, a Câmara aprovou por unanimidade a abertura de uma Comissão Processante para analisar denúncia contra Ademir, que já estava licenciado da presidência. O procedimento poderá avaliar eventual responsabilidade político-administrativa e quebra de decoro parlamentar.

Até a publicação desta matéria, as páginas oficiais do município e da Câmara ainda identificavam Ademir Leite da Silva como presidente do Legislativo, embora a portaria de agosto registre seu afastamento temporário por licença particular.

Acusação Detalhada

A investigação criminal teve início após a ex-companheira relatar à PM uma suposta agressão ocorrida em 1º de maio. Conforme o registro divulgado, ela teria sido abordada pelo vereador enquanto conduzia uma Honda Biz e relatado que ele a segurou pelos braços, torceu seu braço direito, tentou esganá-la e a empurrou contra uma floreira, além de fazer ameaças. A apuração judicial passou a envolver, em tese, lesão corporal, ameaça e descumprimento de medida protetiva.

Crise Política

O episódio ultrapassou a esfera criminal e atingiu diretamente o Legislativo de Xambrê. Após a prisão preventiva e a fuga durante a tentativa de cumprimento do mandado, Ademir passou a enfrentar também questionamentos políticos. Em junho, os vereadores aprovaram por unanimidade a instalação de uma Comissão Processante para analisar denúncia contra ele. Em agosto, uma nova portaria concedeu ao parlamentar 60 dias de licença para tratar de interesse particular, com efeitos retroativos a 30 de julho.

 



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