Uma investigação que atinge diretamente a estrutura da segurança pública de Umuarama levou o Ministério Público do Paraná (MPPR) e a Corregedoria da Polícia Militar a deflagrarem, na manhã de hoje (sexta-feira, 23), a Operação San Marino. Um policial militar lotado no 25º Batalhão da Polícia Militar (BPM) é investigado por suspeita de envolvimento em crimes relacionados ao contrabando de cigarros, corrupção e organização criminosa.
A operação foi conduzida pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em conjunto com a Corregedoria da PMPR. Por determinação da Justiça Militar Estadual, foram cumpridos no município um mandado de busca e apreensão, um mandado de busca pessoal e uma ordem de afastamento do investigado de suas funções públicas.
Durante as diligências, os agentes apreenderam aparelhos eletrônicos, documentos e anotações que poderão ajudar a esclarecer os fatos. Também foram recolhidos o fardamento, o armamento oficial e os demais equipamentos operacionais fornecidos pela Polícia Militar ao servidor investigado.
Conforme os elementos reunidos até o momento, o policial teria apreendido uma carga de cigarros contrabandeados após receber informações privilegiadas de um integrante de uma organização criminosa. A suspeita investigada é de que, depois da apreensão, parte dos produtos tenha sido desviada pelo próprio agente como forma de retribuição pelas informações recebidas.
Se confirmada, a conduta representaria uma grave ruptura dos deveres funcionais de um agente público encarregado justamente de combater atividades criminosas. Entretanto, a investigação ainda precisa esclarecer a dinâmica dos fatos, a eventual participação de outras pessoas e a extensão do suposto desvio.
Os materiais recolhidos durante a operação serão submetidos à perícia. A análise dos dispositivos eletrônicos, documentos e anotações poderá fornecer elementos para confirmar ou descartar as suspeitas e fundamentar os próximos passos da apuração.
Quatro suspeitas criminais
O procedimento investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção passiva, prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho. As autoridades buscam esclarecer se houve atuação coordenada com integrantes de grupos criminosos e utilização indevida da função pública para favorecer interesses ilegais.
O afastamento determinado pela Justiça impede temporariamente o exercício das funções públicas pelo investigado, enquanto o recolhimento dos equipamentos oficiais integra as medidas adotadas no curso da operação.
O nome San Marino faz referência a uma marca de cigarros paraguaios, em alusão à carga de produtos contrabandeados que teria motivado os fatos sob investigação.
A operação coloca sob apuração uma suspeita que exige esclarecimento rigoroso: a possível utilização de informações privilegiadas e da estrutura policial para beneficiar interesses criminosos. O avanço das perícias e das diligências deverá indicar se os indícios reunidos até agora serão confirmados.
Até a conclusão das investigações e eventual decisão judicial, o policial investigado deve ser considerado inocente, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência


