A candidata ao Senado Cristina Graeml (PSD) foi questionada nesta sexta-feira (4), durante entrevista à RPC, sobre declarações feitas por ela na campanha eleitoral de 2024. Conforme destacou o Blog do Esmael, os entrevistadores recuperaram falas antigas da candidata relacionadas ao fundo eleitoral, ao sistema partidário e ao próprio PSD, legenda à qual ela está filiada atualmente.
Um dos principais pontos da entrevista envolveu o uso de recursos públicos na campanha. Em 2024, quando disputava a Prefeitura de Curitiba, Graeml havia se manifestado contra o Fundo Especial de Financiamento de Campanha.
Agora, na disputa pelo Senado, a candidata recebeu R$ 3,5 milhões do fundo eleitoral, segundo as informações apresentadas durante a entrevista e repercutidas pelo Blog do Esmael.
Questionada sobre a mudança de postura, Graeml afirmou que continua contrária ao financiamento público das campanhas. Segundo ela, porém, a disputa pelo Senado tem proporções diferentes de uma eleição municipal, já que exige uma campanha que alcance os 399 municípios paranaenses.
A candidata argumentou que uma eleição estadual envolve gastos maiores com deslocamentos, hospedagem, alimentação, materiais de campanha e propaganda. Também afirmou que pretende, caso seja eleita, trabalhar pela mudança das atuais regras de financiamento eleitoral.
Mudanças de partido também entram no debate
Outro assunto abordado foi a trajetória partidária de Cristina Graeml nos últimos anos. Conforme relatado pelo Blog do Esmael, os entrevistadores lembraram que ela passou por quatro partidos em pouco mais de um ano e meio.
Em 2024, Graeml estava no Partido da Mulher Brasileira (PMB). Depois, passou pelo Podemos, ingressou no União Brasil e, em março de 2026, filiou-se ao PSD.
Questionada sobre como as sucessivas mudanças se conciliam com suas críticas à chamada “velha política”, Graeml afirmou que não mudou seus princípios. A candidata argumentou que a legislação brasileira exige filiação partidária para disputar eleições e não permite candidaturas independentes.
Ela também apresentou justificativas para cada mudança. Disse que deixou o PMB depois que a legenda adotou posição de neutralidade no segundo turno da eleição de 2024 e que posteriormente ingressou no Podemos. Mais tarde, teria recebido convite de Sergio Moro para integrar o União Brasil.
Já a filiação ao PSD ocorreu após um convite do governador Ratinho Junior, segundo relatou a candidata.
Antigas críticas ao PSD são lembradas
A entrevista também recuperou declarações de Graeml contra o próprio PSD durante a eleição municipal de 2024.
Segundo o conteúdo repercutido pelo Blog do Esmael, Graeml havia feito críticas duras à legenda naquele período. Dois anos depois, ela disputa o Senado justamente pelo PSD.
Ao ser questionada sobre a mudança, a candidata afirmou que o cenário político se alterou e argumentou que os partidos brasileiros reúnem grupos e políticos com diferentes posições ideológicas.
Graeml também destacou sua relação com Ratinho Junior e afirmou considerar uma “honra” integrar o grupo político do governador. Ao mesmo tempo, manteve as críticas ao sistema político-partidário brasileiro e defendeu mudanças nas regras eleitorais.
Entre as propostas mencionadas estão o fim do fundo eleitoral, a adoção do voto distrital misto e alterações no sistema proporcional das eleições para deputado.
Escala 6×1
Outro tema discutido foi a proposta de acabar com a escala de trabalho 6×1. Graeml classificou a forma como o assunto vem sendo tratado durante o período eleitoral como um “jogo demagógico”.
A candidata afirmou ser favorável a mais descanso para os trabalhadores, mas defendeu que uma eventual redução da jornada seja acompanhada de medidas para diminuir os custos das empresas, principalmente dos pequenos negócios.
Na avaliação de Graeml, mudanças na jornada sem redução dos encargos sobre o emprego poderiam aumentar os custos para empresários e comprometer postos de trabalho.
STF e impeachment de ministros
Cristina Graeml também voltou a defender a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a entrevista, ela afirmou que o Senado precisa exercer de maneira mais efetiva sua função constitucional de fiscalização e defendeu a análise de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.
Graeml ainda criticou decisões judiciais que, na avaliação dela, atingem a liberdade de expressão e afirmou que pretende defender uma atuação mais firme do Senado nessa área.
Declarações antigas marcam entrevista
De acordo com a análise publicada pelo Blog do Esmael, um dos principais elementos da entrevista foi justamente o confronto entre as posições atuais da candidata e declarações feitas durante a campanha de 2024.
Graeml sustentou que seus princípios permanecem os mesmos e que as mudanças ocorreram em razão das circunstâncias políticas e das regras eleitorais vigentes.
No encerramento, a candidata reafirmou posições relacionadas à defesa da vida desde a concepção, da família, da propriedade privada e das liberdades individuais. Também voltou a afirmar que pretende, caso eleita, atuar na fiscalização do STF e defender mudanças no sistema político e eleitoral brasileiro.
As informações sobre os questionamentos e as declarações apresentadas na entrevista foram repercutidas originalmente pelo Blog do Esmael.


